Testemunhas dizem que Lucas estava algemado e que pediu a PMs para não ser morto 2


Amigos de Lucas que estavam com ele minutos antes do crime contam que ele estava desarmado e que foi levado algemado por policiais para o matagal onde foi morto
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O enterro do jovem foi realizado no Cemitério Jardim São Luiz| Foto: Rafael Bonifácio

Dois garotos que  jogavam bola com Lucas Custódio, 16 anos, minutos antes de ele ser assassinado por PMs na tarde de quarta-feira, no Grajaú, contradizem a versão dos policiais sobre o crime. João e Hélio (nomes fictícios) disseram que viram quando os policiais dominaram Lucas, que estava desarmado, e que o levaram algemado para o matagal atrás da favela Sucupira, onde foi assassinado com dois tiros pelos PMs. Segundo as testemunhas, Lucas pediu para não ser morto.

“Antes de matar ele, o cara segurou no cangote dele [de Lucas], ele falou para não matar ele e ele matou. Ele pegou ajoelhou, algemado, [disse] não precisa me matar, senhor….”, contaram os garotos. Eles fizeram a denúncia à reportagem da Ponte durante o enterro do jovem, realizado no Cemitério Jardim São Luiz, nesta sexta-feira, 29/05.

Na versão do tenente Flávio Augusto Godoy e do cabo Aparecido Domingues Vieira, ambos do 27o. Batalhão da Polícia Militar (BPM), ao perceber a presença de policiais, Lucas fugiu em direção a um matagal. Lá ele teria atirado contra os policiais, que revidaram, atingindo-o com dois tiros.

O caso aconteceu às 14h25, mas os PMs demoraram 5 horas para comunicar a morte às autoridades da Polícia Civil. A família de Lucas, chegou ao DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e Proteção a Pessoa) antes mesmo dos policiais. Segundo, Robson Gomes, irmão de Lucas e pastor da Igreja Universal, os policiais acusaram o adolescente de ter roubado um carro. “Mas Lucas não sabia dirigir”, contou Pastor Robson.

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O ouvidor das polícias de São Paulo, Julio Cesar Neves, disse que o fato precisa ser rigorosamente apurado e que vai pedir que o Ministério Público entre no caso.

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Claudia Belfort

sobre Claudia Belfort

Jornalista, pós-graduada em filosofia. Foi editora-chefe de conteúdos digitais de O Estado de S. Paulo, editora-chefe do Jornal da Tarde (SP) e da Gazeta do Povo (PR). É autora do livro “Aqueronte, o Rio dos Infortúnios” e acha que toca saxofone.


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