950 militares intervêm na Rocinha após confrontos da PM com traficantes

Homens das forças armadas atuam em parceria com policiais do Choque após pedido do Governo carioca. “Em áreas de confronto, é importante não circular”, diz secretário de segurança

Forças armadas atuam após pedido do governo carioca | Foto: Pedro Prado

Desde as cinco da manhã desta sexta-feira (22/09), policiais do Batalhão de Polícia de Choque buscam na comunidade da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro, o traficante conhecido como “Rogério 157”, acusado de ser o mandante dos confrontos que estão assombrando moradores na favela há cinco dias seguidos. Além do 23º Batalhão da Polícia Militar, do Batalhão de Operações Especiais (Bope), do Choque e do Batalhão de Ações com Cães (BAC), o governo do Estado do Rio pediu a intervenção militar na maior comunidade da América Latina.

Segundo o Ministério da Defesa, 950 militares das Forças Armadas estão atuando em conjunto com os órgãos de segurança pública no cerco aos criminosos que estão foragidos na mata da Rocinha. Moradores da comunidade ficaram sem conseguir voltar para casa.

“Saí cedo, antes do tiroteio começar. Agora, não sei nem se volto mais. Quem sabe amanhã”, disse um morador, que não quis se identificar. “Minha família ficou, está me passando tudo que está acontecendo. Eles filmaram bandidos da minha janela dando tiro. Aqui perto! Teve que filmar escondido. É o bonde do Rogério que está trocando tiro na rua direto”, finalizou.

Moradores da comunidade ficaram horas sem conseguir sair ou voltar para suas casas | Foto: Pedro Prado

Outro morador, que não quis se identificar por medo de represália, disse que pretende não voltar para casa. “Estou na rua ainda, não quero voltar para lá nem tão cedo”, respondeu. Outros corriam para buscar suas mulheres no trabalho, alguns tentavam buscar seus filhos na escola. No fim da tarde, quando os blindados dos militares subiram a Rocinha, a polícia barrou quem fosse entrar.

Em coletiva no fim da tarde de hoje, o secretário de segurança do Rio de Janeiro, Roberto Sá, disse que a operação não tem hora para acabar e que os moradores podem começar a retomar suas vidas.

“O Rio de Janeiro não está em guerra. Existe uma situação de violência difícil, como o resto do Brasil. A questão é que são três facções, mais um episódio da milícia, que disputam território na base do fuzil. Vivemos uma realidade que tentamos reverter”, disse. “Moradores, estejam atentos às orientações. Em áreas de confronto, é importante não circular. Busquem abrigos. Se não há confronto, podem levar a vida normal, podem sair às ruas”, acrescentou Sá.

O secretário completou dizendo que não houve nenhuma apreensão por enquanto. “Hoje a gente fez o reconhecimento do terreno, um passo importante”, declarou. Sobre a declaração do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM), que pediu ao governador Luiz Fernando Pezão o seu afastamento do cargo de secretário de segurança, Roberto Sá disse que não ia falar sobre o assunto e que vai continuar fazendo seu trabalho.

Mais de doze horas depois do início do tiroteio na comunidade, o prefeito da cidade, Marcelo Crivella, se pronunciou no fim do dia através de uma nota que se solidariza com os moradores que vivem na Rocinha. “Apesar de ser uma responsabilidade do Governo do Estado, a Prefeitura do Rio não vai se eximir de contribuir com o que for possível para combater a violência na cidade.”, afirmou em parte do informativo.

Esta é a segunda fez que o exército atua na cidade, anteriormente intervindo no fim de julho | Foto: Pedro Prado

O conflito

De acordo com a Polícia Militar, por volta das oito horas da manhã, um grupo de menores colocou fogo em um ônibus na subida da Avenida Niemeyer, em São Conrado, Zona Sul do Rio.

“Policiais do 23º BPM (Leblon) reforçaram o policiamento nos arredores de São Conrado devido a informações do setor de inteligência e do Disque Denúncia dando conta que menores teriam sido orientados por criminosos a atear fogo em coletivos para desviar atenção policial ao cerco da Rocinha”, disse a corporação, em nota.

Por volta das nove e meia da manhã, criminosos trocaram tiros na mata com a polícia, que fazia o cerco na comunidade, em cima do túnel Zuzu Angel, que liga o bairro da Gávea a São Conrado. Ainda segundo a polícia, um explosivo foi lançado em direção a uma viatura da Unidade Pacificadora de Polícia (UPP) da Rocinha, na passarela. O artefato não explodiu e o Esquadrão anti bomba da Polícia Civil foi acionado.

A estrada Lagoa-Barra e a Estrada da Gávea foram fechadas. Às dez da manhã, a base da UPP foi atacada, gerando confronto. Um morador ficou ferido e foi socorrido no Hospital Miguel Couto, no Leblon, Zona Sul. Por volta das onze horas da manhã, policiais do Bope começaram a atuar na Rocinha e o Batalhão de Ações com Cães, no Vidigal.

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