Agentes prisionais são ameaçados diante de possível transferência de líder do PCC

Marcola é apontado pelo MP como líder da facção criminosa e pode ser mandado para fora de SP; em áudios de Whatsapp, funcionários de presídios da região relatam tensão e medo de morrer

Marcola e o P2 de Presidente Venceslau (SP) | Foto: reprodução

As notícias sobre a possível transferência de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, para um presídio federal aumentaram a tensão nas prisões e nas ruas de Presidente Venceslau e cidades vizinhas, na região oeste do estado de São Paulo.

Marcola é apontado pelo MPE (Ministério Público Estadual) como o líder máximo do PCC (Primeiro Comando da Capital). Promotores de Justiça pediram a remoção dele para uma unidade federal fora de São Paulo. O Poder Judiciário analisa a solicitação e deve dar um parecer nos próximos dias.

Casas de agentes penitenciários, inclusive de integrantes do GIR (Grupo de Intervenção Rápida), espécie de tropa de choque do sistema prisional, foram atacadas com pedradas, recentemente, em Regente Feijó. Um desconhecido foi flagrado por um agente penitenciário tirando fotografias das residências de dois colegas dele e de um policial civil, todos vizinhos de bairro. Em uma das mensagens faladas, um agente afirma que é para todo mundo da região ficar esperto, e caso esteja armado e veja alguém em atitude suspeita é para “sentar o dedo”. Os relatos foram trocados por áudio de Whatsapp e estão abaixo. As vozes foram distorcidas para preservar a identidade dos agentes.

As autoridades da Secretaria Estadual da Administração Penitenciária foram avisadas. A Polícia Militar orientou os agentes a telefonarem imediatamente para o 190, o serviço de emergência da instituição, caso notarem alguma movimentação estranha.

Os funcionários do sistema prisional da região Oeste já estavam em alerta desde outubro, quando surgiram informações sobre um plano para resgatar Marcola e outros líderes do PCC.

A Polícia Militar reforçou o patrulhamento na cidade de Presidente Venceslau, onde Marcola está preso. Homens da Rota e do Comando de Policiamento de Choque foram mobilizados para o município. Os PMs chegaram até a treinar, com homens do Exército, tiros com metralhadora ponto 50, arma capaz de derrubar aeronaves.

Por medidas de segurança, a Justiça de Presidente Venceslau determinou inclusive o fechamento do aeroporto da cidade.

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O clima na região ficou mais tenso nos últimos dias, depois que agentes penitenciários apreenderam um bilhete no sistema prisional, possivelmente escrito por algum integrante do PCC. Na mensagem, o autor reclama que alguns itens de alimentação, como leite e chocolate em pó, e até produtos de higiene pessoal, como papel higiênico, não podem mais ser enviados pelas visitas dos presos, no chamado “jumbo”.

O autor da correspondência orienta todos os líderes do PCC nas prisões dominadas pela facção – são 95%, segundo estimativas do Ministério Público Estadual -, a não aceitarem essas medidas.

Ele também dá um prazo, até esta quarta-feira (05/12), pra os chefes do PCC nas prisões dialogarem com os diretores ou chefes de plantão para tentarem reverter essa situação. E finaliza o bilhete com uma advertência: “estamos juntos e vamos para a luta”.

Na semana retrasada, o Ministério Público Estadual havia pedido a remoção de Marcola e de outros 14 presos do PCC para presídios federais. Também no mês passado, o juiz Paulo Sorci, da 5ª Vara das Execuções Criminais de São Paulo, determinou a transferência de seis presos do PCC para unidades federais.

Eles foram investigados pela Operação Echelon, que apurou o envolvimento dos chefões do PCC, coordenando os negócios ilícitos da facção de dentro da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, considerada o escritório-sede da organização criminosa.

Nessa lista autorizada pelo juiz Paulo Sorci constam os nomes de Cláudio Barbará da Silva, o Barbará, e de Célio Marcelo da Silva, o Bin Laden.

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