Apoiadores de Bolsonaro destroem homenagem em placa de rua para Marielle Franco

Rodrigo Amorim, que foi secretário da Cidadania e Direitos Humanos de Nilópolis, e Daniel Silveira são candidatos ao legislativo pelo PSL; homenagem à vereadora tinha sido colocada sobre a placa Praça Floriano, no centro do Rio

Daniel Silveira e Rodrigo Amorim são candidatos pelo PSL | Foto: Instagram

Os candidatos ao legislativo pelo PSL, partido de Jair Bolsonaro, Daniel Silveira e Rodrigo Amorim destruíram a homenagem feita sobre uma placa de rua para Marielle Franco, no centro do Rio, fizeram uma foto comemorando o feito e postaram nas redes sociais. A placa tinha sido colocada sobre a original, da Praça Floriano, endereço da Câmara dos Vereadores do Rio, após o assassinato da vereadora, em 14 de março, ainda sem solução.

Rodrigo Amorim é candidato a deputado estadual e Daniel Silveira tenta vaga na Câmara dos Deputados. No dia 30 de setembro, fizeram um vídeo mostrando a ação da retirada da placa “Rua Marielle Franco” e explicando os motivos. “60 mil pessoas são assassinadas todos os anos no Brasil. A vereadora foi mais uma dessas pessoas. Na mesma noite, um pai de família foi assassinado na frente do seu filho. Grande parte dessa culpa é dos movimentos e partidos de esquerda que insistem com a cultura de passar a mão na cabeça de vagabundo”, diz Rodrigo Amorim. Na sequência, aparece Daniel Silveira afirmando que homenagem para Marielle foi crime. “A morte da vereadora não pode servir como desculpa para depredação do patrimônio público. E é por isso que hoje estamos aqui para restaurar o patrimônio”, diz. Depois disso, Amorim e Silveira retiram a homenagem e, no final do vídeo, gritam: “Floriano, presente!”. A dupla tirou uma foto com a homenagem rasgada e postou nas redes sociais.

A placa original é do marechal Floriano Peixoto, segundo presidente do Brasil e que ficou conhecido como “Marechal de Ferro” por causa de um episódio histórico ocorrido no final do século 19, quando, ao se negar a deixar o poder, em 12 de abril de 1892 decretou estado de sítio e a suspensão dos direitos constitucionais durante o período de 72 horas. Na ocasião, os opositores ao governo dele foram todos presos. Floriano também foi também combatente da Guerra do Paraguai e, quando governou a então província de Mato Grosso ficou conhecido por adotar políticas de extermínio dos povos indígenas.

A imagem viralizou depois que o ator e escritor Gregório Duvivier fez uma postagem no Instagram, nesta quarta-feira (3/10), criticando a atitude dos candidatos. “Não tem a ver com qual partido você gosta. Não tem a ver com onde você mora. Ou quanto você ganha. Tem a ver com a humanidade que tem dentro de você. O quão desumano você consegue ser? Quanta desumanidade é preciso para tirar essa foto? E curtir? Até hoje não sabemos quem matou Marielle. Mas sabemos que de todos os candidatos, apenas 1 não manifestou seu pesar. Claro. Olha essa foto. Por favor, pessoal. Um pouco de humanidade. Só um pouquinho”, escreveu Duvivier na legenda.

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