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Artigo | Quando o racismo nivela por baixo

23/10/20 por Ruam Oliveira

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Cofundadora do Nubank Cristina Junqueira tem que ir muito além do pedido de desculpas pela sua declaração no Roda Viva, argumenta cofundador do Banco de Talentos Negros

A cofundadora do Nubank Cristina Junqueira
A cofundadora do Nubank Cristina Junqueira no Roda Viva da TV Cultura | Foto: Reprodução

Existe sempre um mesmo movimento que realmente não se nivela: todas as vezes  que uma pessoa branca comete erros que expõem o quão entranhado está o racismo em nossa sociedade, após serem chamadas a atenção, voltam à público com um vídeo pedindo desculpas. “Me expressei mal”. E aparentemente a vida segue.

Se você for branco.

Repetidas vezes temos visto que junto com o movimento de inclusão racial, podem aparecer diversos “mal entendidos” na boca de pessoas influentes que, na tentativa de colaborar, atrapalham e evidenciam que as desculpas têm dois pesos, a depender de quem as pede.

Cristina Junqueira, cofundadora do NuBank, publicou um vídeo se desculpando pelo resposta proferida de maneira infeliz durante entrevista no Roda Viva, veiculado na TV Cultura, no último dia 20.

Ao responder um questionamento sobre ações afirmativas de sua empresa, Junqueira disse que pela alta exigência, era difícil encontrar candidatos integrantes de minorias para os cargos de alta liderança.

No texto que acompanha o vídeo em que pede desculpas, ela ressalta que é difícil falar sobre inclusão racial e eu concordo. Não só é difícil falar, como também é trabalhoso colocar em prática o discurso.

Junto com duas colegas, investindo numa ideia que uma delas teve, fundamos o Banco de Talentos Negros, um modesto porém bravo projeto que busca ser ponte entre profissionais pretos de comunicação e empresas e empregadores interessados em ampliar a diversidade em seus locais de trabalho.

Trabalhamos voluntariamente feito formiguinhas para facilitar que empresas e pessoas se encontrem. Nossa amostragem é pequena, mas por ela é possível observar o quanto de gente capacitada existe à procura de um emprego.

Quando Junqueira diz que é difícil “nivelar por baixo” o que me vem à mente é: onde estão procurando? e como estão fazendo essa procura? E aqui não se trata de uma propaganda do Banco de Talentos Negros – pode ser que a pessoa procurada não esteja lá de fato – nem mesmo de desconhecimento sobre as diferentes exigências que uma empresa de grande porte pode ter, isso eu entendo que existe. No Brasil inteiro, não existe uma única pessoa “a altura”?

A fintech possui vários programas de inclusão e diversidade, que foram reapresentados devido à polêmica causada pela fala de Junqueira. São ações afirmativas e de educação, pelas quais os parabenizo.

Gravar um vídeo pedindo desculpas talvez seja o suficiente para limpar a imagem – se você for branco. E nessa esteira existe muita gente, por isso não é justo citar apenas Junqueira. Existe um histórico de pessoas brancas que reproduzem falas racistas que aparentemente sentem-se perdoadas após a publicação de retratação.

Apesar de necessárias, falas de retratação sozinhas não são remédio.

Perceber o erro é importante. Mas está na hora de fazer mais e reconhecer que só culpar a má interpretação não serve, não funciona, não encaixa. Enquanto o racismo e a disparidade forem a regra, devemos trabalhar pela equidade. É esse o nível desejado.

E ampliar os esforços para encontrar profissionais qualificados para essas posições de liderança porque sim, eles existem e talvez estejam disponíveis.

Ruam Oliveira é cofundador do Banco de Talentos Negros, iniciativa que disponibiliza currículos de profissionais negros para empregadores na área de comunicação.

Já que Tamo junto até aqui…

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