Artistas afirmam que PMs de SC realizaram abordagem violenta e homenagearam Bolsonaro

25/01/19 por Amanda Stabile, especial para Ponte

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Grupo estava reunido em um bar no centro de Florianópolis quando PMs realizaram abordagem agressiva: ‘Perguntamos quem era o comandante, o policial respondeu ‘eu’ e deu um tiro de borracha’

Cápsula de calibre 12 com bala de borracha caiu no local da ação | Foto: Arquivo pessoal

Policias Militares de Santa Catarina dispararam e feriram com bala de borracha dois integrantes de um grupo musical. A ação aconteceu na madrugada da última segunda-feira (21/01) quando artistas da banda Cartas na Rua, de rock e blues, estavam em um bar na região central da cidade. Segundo eles, a abordagem foi ostensiva desde o início, não houve espaço para diálogo e os policiais partiram para uma ação violenta e exaltação ao presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Através das redes sociais, os integrantes denunciaram que a PM teria usado spray de pimenta e as balas de borracha. Na publicação, o grupo conta que havia uma roda de samba após a meia-noite antes da ação. “Estava acontecendo a roda, totalmente pacífica e alegre, quando dezenas de policiais chegaram no local com armas e, sem muita conversa, usaram o spray de pimenta para dispersar o bom número de pessoas”, explica o texto.

O baixista e vocalista da banda Pedro Ourique, 28 anos, relatou à Ponte que dois companheiros da Cartas na Rua, Neimar Machado e Marcelo da Luz, tentaram perguntar a um dos policiais o que estava acontecendo para justificar a reação da corporação e quem era estava no comando da operação. “Um cara respondeu ‘sou eu’ e daí já chegou e atirou neles, foi muito perto”, conta. “Até no corpo de delito isso, foi constatado que o hematoma sugere a proximidade do tiro. O Marcelo tomou uma cacetada e, quando saiu correndo, levou um tiro nas costas”, continua.

Neimar, um dos membros da banda Cartas na Rua, foi atingido próximo ao umbigo | Foto: Arquivo pessoal

Um vídeo mostra o momento em que uma PM toma o celular de uma mulher que tenta gravar a ação policial. Em outro momento, um dos PMs chuta uma pessoa, enquanto imediatamente outro policial dá golpes de cassetete e um terceiro dispara com sua calibre 12 com balas de borracha. Um outro PM aborda a pessoa que registra a ação. “Depois de acabar de filmar, passa o RG”, ordena.

O músico relata que, após a multidão se dispersar, os integrantes da banda correram para uma esquina próxima ao bar, no lado oposto ao que estava a PM. “Não satisfeitos, eles correram atrás da gente atirando por quase duas quadras. Quando chegamos perto de um grupo que estava parado, os policiais pararam meio longe e gritaram “aqui é Bolsonaro, caralho!”, disse.

“Nós ouvimos alguns relatos de que abordagens assim são muito comuns, algo que acontece com muita frequência aqui em Santa Catarina, dos policiais chegarem atirando, falar de Bolsonaro, enfim… Queremos usar a nossa voz e o nosso trabalho para defender esse lance de ocupar as ruas, de ter liberdade, para que todo mundo veja isso, olhe pra cá e não compactue com isso, não ache que isso é normal!”, conclui. O atual governador de SC, Carlos Moisés da Silva, o Comandante Moisés, é do mesmo partido do presidente, o PSL.

A Ponte procurou a SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública) de Santa Catarina para cobrar explicações sobre a ação que culminou com os dois membros da banda atingidos por bala de borracha, que pediu que a PM fosse procurada. A reportagem contatou a corporação, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

Marcelo da Luz foi atingido por um disparo nas costas | Foto: Arquivo pessoal

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