Ataques no Ceará podem estar ligados a bloqueio de celulares em presídios

25/03/18 por Helena Martins, da Agência Brasil

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Secretaria da Justiça e Cidadania foi alvejada neste sábado (24/3); ônibus e torres de telefonia também foram alvos

Foto: Reprodução/GoogleMaps

Uma série de ataques na noite do sábado (24/3), no Ceará, em Fortaleza, pode ser uma retaliação de facções criminosas à possível instalação de bloqueadores de celulares em presídios, proposta que tramita em regime de urgência na Câmara dos Deputados. Essa é a explicação que especialistas têm dado aos ataques contra órgãos públicos, ônibus e torres de telefonia no Ceará. A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) está responsável pelas investigações. Até agora, não foram apresentadas as linhas de investigação.

“A gente está vivendo uma crise sem precedentes. É inegável que as facções se potencializaram no nosso estado e hoje os nossos presídios funcionam como escritórios dos crimes. Quando do anúncio da lei dos bloqueadores, houve uma reação das facções porque elas vão ter seus interesses prejudicados. Era uma reação que a gente já esperava”, diz Valdomiro Barbosa, presidente do Sindicato dos Agentes e Servidores do Sistema Penitenciário do Estado do Ceará (Sindasp/CE).

Além do projeto de lei, desde 2013 tramita na Justiça cearense um processo sobre a instalação de bloqueadores. Uma sentença foi expedida, em 2/3, determinando que o “Estado do Ceará, no prazo de 180 dias, proceda à aquisição e promova a devida instalação de bloqueadores de sinal de celular em todas as unidades prisionais sob sua responsabilidade”.

Prédios públicos foram atacados em três cidades neste final de semana. Em Fortaleza, a Secretaria Executiva Regional IV, uma das seis subprefeituras existentes na capital, foi incendiada. Em frente à Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), um grupo fez disparos, mas a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) não confirmou se o prédio foi alvejado. Já na Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus), após ataque na madrugada de sábado (24), houve tiroteio entre policiais e suspeitos. Três pessoas morreram.

Em Sobral, no norte do Ceará, foi registrado um ataque com bombas caseiras à Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) do município, que é um dos maiores do estado. Segundo o coordenador do Ciops de Sobral, Major Dias, por volta de 2h45 deste domingo (25/3), três pessoas esperaram o momento em que os seguranças do local fizeram uma ronda para arremessar, pelos muros do fundo do prédio, vários coquetéis molotov. Até agora, os suspeitos não foram localizados. “Nós já levamos todo o material que foi encontrado, como as garrafas e chinelos, para a delegacia, para que a situação seja investigada. Internamente também vamos fazer a nossa investigação”, disse o major.

Em Cascavel, no litoral leste, carros que estavam no terreno do Departamento Municipal de Trânsito e de Transportes (Demutran) foram incendiados. Em Fortaleza, ônibus foram incendiados, levando à suspensão parcial do serviço de transporte público. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) contabilizou, até as 21h de sábado, cinco ônibus destruídos. A imprensa local já registra pelo menos sete ônibus incendiados.

Ainda na noite de sábado, a Etufor disse em nota que, “diante dos fatos ocorridos, com ataques e atos de vandalismo, os veículos irão circular em comboios com acompanhamento de viaturas da Polícia Militar e da Guarda Municipal”. Neste domingo (25/3), a assessoria de comunicação da empresa confirmou à Agência Brasil que a operação especial segue em andamento. A frota de veículos à disposição da população, que já costuma ser reduzida aos domingos, é ainda menor, pois parte dela segue recolhida.

Em nota, a secretaria informou que também houve incêndios em duas torres de telefonia e duas manifestações com queima de pneus em duas grandes avenidas, nos bairros Vila Velha e Quintino Cunha.

No início da manhã, diz o comunicado oficial, três suspeitos de atear fogo em coletivos foram presos. Os três suspeitos portavam galões de gasolina e estavam nas proximidades dos locais que sofreram as incursões violentas. “A SSPDS determinou o reforço no policiamento, inclusive com apoio de helicópteros da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer)”, informou. A assessoria do órgão afirmou que os números estão sendo atualizados e que representantes da secretaria não se pronunciarão neste momento.

Mais três pessoas foram presas ao longo da manhã, suspeitas de participação nos ataques. Uma delas foi presa quando estava em uma motocicleta, portando uma pistola calibre 380, com 13 munições, no bairro Vila União. “A participação dele em disparos de arma de fogo em frente ao prédio da Empresa de Transportes Urbanos de Fortaleza (Etufor) está sendo investigada. Outros dois homens foram presos por policiais do Controle de Distúrbios Civis (CDC) do Batalhão de Choque (BPChoque), na manhã deste domingo (25), na Avenida Presidente Castelo Branco (Leste Oeste), portando uma mochila com garrafas contendo cerca de nove litros de gasolina”, disse em nota, neste domingo, a SSPDS.

O governador Camilo Santana falou sobre o ataque à Sejus, durante ato de implantação da Unidade Integrada de Segurança em Fortaleza. Ele disse que o governo espera intensificar os serviços de policiamento ostensivo e comunitário em dez bairros da capital e que não vai aceitar “qualquer afronta de criminosos”. Sobre segurança pública, defendeu revisão de leis pelo Congresso Nacional e celeridade na Justiça para diminuir a “sensação de impunidade e combater a criminalidade”.

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