Coletivo Fora de Frequência usa o hip hop para conscientizar e transformar a periferia

Tema do terceiro episódio de Cultura de Periferia em Tempos de Pandemia, coletivo do Jardim Ângela, zona sul de SP, se adaptou para continuar levando música e conhecimento à comunidade

O coletivo Fora de Frequência veio para provar que o rap vai muito além das rimas e dos beats que as músicas proporcionam. Nascido em 2006, o grupo de hip hop tem como lema a conscientização e a inclusão de moradores da região do Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo. A história deste projeto é o tema do terceiro episódio de Cultura de Periferia em Tempos de Pandemia, série da Ponte em parceria com a Todos Negros do Mundo que está disponível no YouTube e é dirigida por Anderson Jesus.

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O Fora de Frequência atua no centro cultural Mocambo desde 2018. Um dos integrantes do coletivo, Alan conta à apresentadora Stephanie Catarino que o espaço foi fundado por meio de um edital de fomento à cultura periférica via Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. No entanto, há mais de um ano o coletivo tem mantido seus projetos de forma independente, com auxílio de entidades e da Lei Aldir Blanc, criada na pandemia para apoiar produtores culturais.

“Estamos com uma programação online agora, fazendo lives, mas presencialmente a gente trabalhava com oficinas com DJ, MC, break e grafite para crianças e adolescentes do Jardim Ângela”, explica Alan. Pensando na formação dos jovens, o coletivo investiu em educadores e na iniciativa Hip Hop Ontem, Hoje e Amanhã, que unia os elementos da cultura de rua com shows de rappers e artistas regionais.

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Segundo Alan, o evento já chegou a reunir cerca de 16 mil pessoas em atividades na rua e na casa Mocambo. “Aqui nunca teve um centro cultural, ainda mais com linguagem periférica que tem o hip hop. A gente passou a circular em escolas, a gente levava os quatro elementos do do hip hop, muita divulgação na internet, pedíamos para os artistas fazer vídeos”, detalha sobre como as oficinas foram ficando conhecidas pelos moradores da região.

Alan também comenta que muitos artistas têm batalhado para sobreviver na crise sanitária: “os desafios são gigantes e alguns precisam até desencadear trabalhos fora da cultura para poder garantir a subsistência”. Para manter a programação do Fora de Frequência neste período, foi criado o programa musical de lives “Mocambo En Tu Casa” no YouTube.

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O coletivo também se voltou à solidariedade distribuindo cestas básicas às pessoas em situação de vulnerabilidade. Na expectativa de dias melhores, o produtor cultural acredita que a vacinação deve ser a esperança para que artistas e educadores retomem os seus trabalhos.

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