Comissão externa critica silêncio de autoridades sobre assassinato de Marielle

Deputados criticam falta de respostas sobre o andamento das investigações e apontam a criação de um observatório com entidades internacionais

Assassinos atiraram contra carro da vereadora quando ela voltava de agenda política | Foto: Arquivo pessoal

Integrantes da comissão feita pela Câmara dos Deputados para acompanhar as investigações do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes questionam a demora no avanço dos trabalhos. Nesta quinta-feira (12/7) são 120 dias desde os crimes, em 14 de março de 2018.

Segundo os parlamentares, as autoridades responsáveis se comprometeram em dar respostas rápidas, tanto para solução do crime quanto para proteção de outros defensores dos direitos humanos. Além disso, manteriam o grupo informado do passo a passo sobre quem matou e quem mandou matar Marielle e Anderson. Eles apontam que isso não aconteceu.

“Em um período que já é de 120 dias, cabe a essa comissão fazer uma cobrança formal e contundente, inclusive à própria Presidência da República e ao governo do estado do Rio de Janeiro, porque precisamos que as informações sejam compartilhadas de maneira adequada”, criticou o deputado Glauber Braga (Psol), relator da comissão.

A comissão sustenta que os responsáveis pela intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, comandada pelo general Braga Netto, a Polícia Civil, a Polícia Federal, o ministro da segurança pública, Raul Jungmann, e o presidente, Michel Temer, não deram respostas quanto às investigações.

Segundo o publicado na imprensa nestes quatro meses, os assassinos perseguiram o carro no qual a vereadora estava com o motorista e uma assessora. Eles teriam usado uma submetralhadora 9mm em um local sem câmeras de vídeo ativas no ataque, o que investigadores apontam como tática usada por pessoas experientes. Há a suspeita de participação de dois PMs nas execuções, cuja reconstituição aconteceu no dia 11 de maio.

Os deputados criticam também o MP (Ministério Público), órgão que, de acordo com eles, não faz o papel de pressionar os responsáveis pelas investigações. Para isso, o grupo acionou entidades internacionais de direitos humanos para criar um observatório que cobre respostas das autoridades.

“Nós fizemos uma articulação com instituições internacionais, elas estão preocupadas com ao andamento das investigações e elas estão pressionando na medida do possível e se colocaram à disposição para fazer um observatório internacional sobre essas investigações”, explicou o deputado Jean Wyllys (Psol), citando contato com a HRW (Human Rights Watch) e a Anistia Internacional.

“Uma das idéias foi de que a comissão, no âmbito das suas prerrogativas pressionasse o Ministério Público estadual. Porque é prerrogativa do Ministério Público pressionar os investigadores e, na visão da instituição Human Rights Watch, o Ministério está confortável na posição de que não presta contas a sociedade”, seguiu Wyllys.

Procurada, a Human Rights declarou que este observatório não está formalmente criado. “Estamos acompanhando independentemente as notícias e interagindo com outras entidades, como a Anistia e a própria Comissão Parlamentar, para acompanhamento [da investigação]. Logicamente estamos preocupadíssimos com o não desenrolar das investigações”, explicou à Ponte a diretora do escritório brasileiro da HRW, Maria Laura Canineu.

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