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Denunciada pela Ponte, exploração de moradores de rua no Carnaval de SP é alvo de investigação

21/03/20 por Jeniffer Mendonça

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Ministério Público do Trabalho recebeu quatro denúncias para apurar o papel da gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB) e duas empresas terceirizadas na montagem do evento

Moradores de rua relatam que ganharam R$ 50 para montar e desmontar banheiros químicos.| Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

O Ministério Público do Trabalho está investigando a SPTuris (São Paulo Turismo), empresa de eventos e turismo da Prefeitura de São Paulo, além das empresas terceirizadas Time Serviços Especializados e a A.V.A. Eventos, após repercussão da reportagem da Ponte na qual pessoas em situação de rua relataram terem sido contratadas de modo informal, por valores baixos e sem uso de equipamentos adequados, para atuar na montagem do Carnaval de rua da cidade de São Paulo neste ano.

Logo após a publicação, em 2 de março, a Procuradoria Regional do Trabalho na cidade recebeu pelo menos quatro denúncias contra as três empresas. Em duas delas, a que a Ponte teve acesso, a reportagem serve de base para o pedido de apuração.

Homens em situação de rua e que moram em centros de acolhimento da administração municipal, os CTAs, foram flagrados pela equipe da Ponte carregando banheiros químicos sem capa de chuva e vestindo camisetas com o logo da Time Serviços Especializados em 29 de fevereiro. Eles relataram que receberiam R$ 60 para trabalhar por 12 horas, sendo que, do valor, eram descontados R$ 10 do marmitex que recebiam e R$ 5 da passagem. A empresa, no entanto, não tem contrato com a prefeitura.

Outro entrevistado, um senhor de 48 anos, contou, por telefone, que acabou ficando doente por falta de capa de chuva ao trabalhar como agente de limpeza e que o dinheiro recebido não era suficiente para almoçar na região do Parque do Ibirapuera, na zona sul. Ele ainda disse que, morando no CTA da Mooca, na zona leste, os R$ 5 de passagem que recebia não pagavam as duas conduções de transporte público, que custam R$ 4,40 por viagem. “Fui embora sem comer, com fome. Não achei lugar para fazer refeição por R$ 10 na região”, disse na época. Segundo ele, dos R$ 50 prometidos por diária, recebeu apenas R$ 15 por dois dias de serviço. A A.V.A Eventos., que tem contrato de R$ 1,2 milhão por dois anos com a Prefeitura, afirma que não contrata moradores de rua.

Por conta da reportagem, três dias depois, uma representante da A.V.A. Serviços coagiu o homem a desmentir as denúncias da reportagem, num depoimento em vídeo. Logo após a gravação do vídeo com os desmentidos, a terceirizada solicitou à Ponte, por e-mail, que a reportagem fosse retirada do ar, afirmando que a pessoa entrevistada na reportagem havia voltado a atrás e negado as denúncias que fizera. Depois que a Ponte expôs a coação praticada por sua representante, a A.V.A. afirmou que repudia “qualquer forma de coação e intimidação”.

A Ponte procurou a assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho solicitando o teor das denúncias, bem como entrevistas com os procuradores responsáveis. Por telefone, uma assessora disse que os procuradores vão se manifestar unicamente após a conclusão das investigações e que todas as denúncias são relacionadas à falta de equipamentos adequado em trabalho realizado no carnaval de rua deste ano.

Por e-mail, a A.V.A. Eventos disse que não está sabendo das investigações. Questionada novamente sobre a contratação de pessoas em situação de rua, disse que “se trata de uma queixa isolada” e afirma “acreditar se tratar de uma questão oportunista por parte do denunciante”, acrescentando que os equipamentos e pagamentos foram feitos.

A reportagem procurou a Time Serviços, a SPTuris e a Prefeitura da gestão Bruno Covas (PSDB). Até a publicação, não teve resposta.

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