Deputada do PSOL tem carro pichado com ameaças no dia da cerimônia de posse no Rio

Dani Monteiro, ex-assessora e amiga de Marielle Franco, sofreu os ataques no seu primeiro dia como deputada estadual no RJ

Deputada Dani Monteiro era amiga de Marielle Franco | Foto: Juliana Marinho

Dez dias depois do anúncio do exílio do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), que saiu do Brasil para proteger sua vida, outra deputada do partido sofreu ameaças de morte. Dessa vez, a vítima foi Dani Monteiro (PSOL-RJ), deputada estadual que tomou posse para o seu primeiro mandato na última sexta-feira (01/02).

Ao sair da cerimônia na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), Dani deparou com as frases de ameaças no vidro traseiro do veículo, que estava estacionado no Palácio Tiradentes. A deputada, então, registrou a ocorrência em uma delegacia e comunicou os setores de Segurança e a Presidência da Casa. O teor das ameaças não foi divulgado. No momento, a deputada e a equipe aguardam apuração da Polícia Civil do RJ, que já solicitou registros de imagens aos prédios vizinhos, mas ainda não há uma data para que o material seja periciado.

Dani era assessora e amiga da vereadora Marielle Franco, assassinada na noite de 14 de março de 2018, um crime que está perto de completar um ano sem solução. Em nota divulgada pela assessoria da deputada, ela relembrou o assassinato de Marielle.

“Esse episódio é mais um sintoma de uma democracia fragilizada, na qual vozes discordantes e de resistência são perseguidas e silenciadas. O assassinato brutal e ainda não solucionado de Marielle Franco, de quem fui assessora e amiga, mostra que são tempos de acirramento do ódio na política e de banalização da vida. Sou a representante de um mandato jovem, negro e feminista, que traz pautas historicamente negligenciadas à tona e incomoda muitos espaços de poder”, alega Dani.

A deputada, ainda na nota, disse lamentar profundamente as ameaças encontradas em seu carro no dia da posse. Reforçando que ele ficou estacionado o dia inteiro na vaga oficial da Alerj, o que, segundo ela, agrava ainda mais a situação.

“Encaminhamos a ocorrência às autoridades legislativas e policiais, que irão verificar caso. Mas entendo que a Alerj é um patrimônio do povo fluminense, e nós continuaremos a ocupar esse espaço”, afirmou a deputada em nota.

Colegas de partido de Dani manifestaram repúdio nas redes sociais ao episódio. Talíria Petrone, também deputada federal pelo PSOL-RJ, Áurea Carolina, deputada estadual pelo em Minas Gerais, e Mônica Francisco, eleita deputada estadual no Rio e que também trabalhou com Marielle, fizeram postagens na noite desta segunda-feira (4/2).

Ex-vereadora em Niterói, Talíria chegou a sofrer ameaça durante a campanha eleitoral, em agosto do ano passado. A equipe fazia uma panfletagem, quando um PM apreendeu o material de campanha de Talíria e apontou uma arma para um jovem negro que tentou defendê-la. Num vídeo feito pelo Jornal do Brasil, o policial afirma “ideologia também mata” e “ideologia mata mais” a uma mulher que havia lhe dito que “arma mata”.

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