Deputado do PSL destrói placa que critica violência policial contra negros

19/11/19 por Maria Teresa Cruz

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Mural compunha exposição por causa do ‘Novembro Negro’; deputado Daniel Silveira parabenizou o colega de partido Coronel Tadeu pelo ato: ‘mais negros cometem crimes’

Deputada Talíria Petrone postou a imagem que mostra a placa destruída | Foto: reprodução/Twitter

O deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP) destruiu um mural que compunha a exposição (Re)Existir – Trajetórias Negras Brasileiras, montada na Câmara dos Deputados, por causa do Novembro Negro e o dia da Consciência Negra, nesta quarta-feira (20/11). A placa trazia uma arte de Carlos Latuff e um texto que trazia informações sobre a violência de Estado contra negros, pobres e periféricos.

Parlamentares e outras figuras públicas negras se manifestaram nas redes sociais logo após o ocorrido afirmando que a atitude do coronel foi motivada por racismo. “Racismo não é questão de opinião. É crime. 111 tiros no caso de Costa Barros, mais de 200 tiros em Evaldo, a morte de Agatha. Essa casa está lotada de deputados racistas. Não vamos nos calar”, afirmou a deputada federal Taliria Petrone (Psol-RJ) em vídeo postado no Twitter em que menciona casos de violência policial no Rio.

Antes de quebrar a placa, o deputado Coronel Tadeu postou em sua conta do Twitter um discurso em que tenta justificar o ato que cometeria. “Isso é racismo. Um policial, de boina preta, arma na mão, um sujeito negro. Isso quer dizer o que? Que a polícia só mata preto? Isso aqui não fica na parede. Isso aqui é contra a polícia”, afirma. O vídeo foi postado com a seguinte mensagem: “Policiais não são assassinos. Policiais são guardiões da sociedade, sinto orgulho de ter 600 mil profissionais trabalhando pela segurança de 240 milhões de brasileiros”.

Mural com arte de Carlos Latuff antes de ser destruído foi postado pela deputada Talíria Petrone | Foto: reprodução/Twitter

Logo após o ocorrido, em discurso racista na Câmara, o colega de partido dele, Daniel Silveira (PSL-RJ), parabenizou o coronel e também criticou a placa com dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e a arte de Carlos Latuff. “Essa mentira do genocídio da população negra não existe. Os negros são as principais vítimas da ação letal das polícias. Só que também, como a maior parte da população carcerária é formada por negros no Brasil, é porque mais negros cometem crimes. E vão dizer mais uma vez ‘Eu não tive oportunidade da sociedade. Não quis estudar, preferiu furtar. Não venha atribuir à PM do estado do Rio de Janeiro as mortes porque um negrozinho bandidinho comete crime. Vai ficar vendendo discurso de que não pode matar. Claro que pode. Como é que vocês vem aqui e colocam numa casa legislativa que a polícia é responsável pela morte de jovens negros. Eu não vou permitir isso aqui enquanto estiver aqui”, disse o parlamentar.

O advogado Irapuã Santana, que é doutorando em Direito Processual na UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e membro da Educafro, também manifestou repúdio e apontou o teor criminoso no ato do parlamentar. “O deputado Coronel Tadeu em uma atitude violenta e racista depreda uma exposição na Câmara dos Deputados que tinha como tema a diversidade, a questão racial no Brasil, um dia antes do dia da Consciência Negra. Isso é quebra de decoro parlamentar e espero que ele seja punido”, escreveu em sua conta no Twitter. Logo depois, informou que a Educafro está elaborando uma representação requerendo a punição do Deputado junto ao Conselho de Ética da Câmara.

O deputado federal David Miranda (Psol-RJ) também manifestou repúdio ao compartilhar a cena da depredação do mural. “Isso é racismo, quebra de decoro e dano ao patrimônio público! Já prestamos queixa e vamos entrar com representação no Conselho de Ética”, escreveu.

A colega de partido, deputada federal Aurea Carolina (Psol-MG), também se manifestou nas redes sociais e lembrou que o caso aconteceu no mesmo dia em que a Polícia Civil do RJ concluiu que foi a PM quem matou Agatha Félix por ter cometido um erro na operação policial.

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