Em busca de PM Juliane, policial aponta arma para cabeça de jovem negra

‘Enquanto não acharmos o corpo, não vamos sair daqui’, disse PM em abordagem truculenta no Jardim Colombo, vizinho a Paraisópolis

A soldado da PM Juliane Santos Duarte, desaparecida há cinco dias em Paraisópolis | Foto: Arquivo pessoal

Um policial militar apontou sua arma para a cabeça de uma jovem negra durante ações da Polícia Militar de São Paulo no quinto dia de buscas pela soldado Juliane Santos Duarte, 27 anos. Na madrugada da quinta-feira (2/8), Juliane estava em um bar na comunidade de Paraisópolis e, após se identificar como policial, foi sequestrada e baleada.

A abordagem violenta confirmou os temores dos moradores, que temiam uma onda de truculência policial em represália pelo sumiço da PM. A União dos Moradores da Favela do Jardim Colombo questionou a intimidação.

“O PM estava gritando, apontando uma pistola para a cabeça dela, uma menina negra, está errado. Não tinha necessidade”, descreve Ivanildo de Oliveira Junior, 46 anos, presidente da União. Segundo ele, a garota tremia e a abordagem aconteceu em frente a peruas escolares, bloqueadas pelas viaturas na rua estreita. Os alunos viram tudo e teriam ficado assustados.

O policial respondeu que ele sabia “o que estava fazendo” e que os moradores da comunidade sabiam “porque estávamos aqui”. E acrescentou: “Enquanto não tivermos informação ou acharmos o corpo não vamos sair daqui”.

Ivanildo recebeu ordem do PM para colocar as mãos para trás e entregar os documentos. Quando ele se apresentou como presidente da União dos Moradores, o PM ameaçou “multar os carros que estavam parados nas calçadas”.

Abordagem aconteceu no Jardim Colombo, a um quilômetro do bar onde estava Juliane | Foto: Google Street View

Nesta segunda-feira (6/8), a SSP (Secretaria da Segurança Pública) do governo Márcio França (PSB) anunciou a oferta de R$ 50 mil como recompensa para informações que levem a Juliane.

Sequestrada e baleada

Juliane havia participado de um churrasco com amigos na noite de quarta-feira (1/8), seu primeiro dia de férias, e foi ao Bar do Litrão, em Paraisópolis, já durante a madrugada, com outras duas amigas.

No bar, o celular de uma delas sumiu. A soldado se identificou como PM e cobrou que o aparelho aparecesse. Minutos depois, quatro homens encapuzados apareceram e a levaram do bar. Testemunhas ouviram dois disparos do lado de fora, enquanto a policial era levada.

Desde o começo da quinta-feira (2/8), a comunidade é alvo de ações da PM, como integrantes da Força Tática, Cavalaria da PM e do GOE (Grupo de Operações Especiais). Até o momento não há informações sobre o paradeiro de Juliane.

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