Em cada 10 profissionais em carreiras como engenharia e tecnologia, apenas 3 são mulheres

12/02/19 por Sabrina Pires, especial para Ponte

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Na semana em que se comemora o Dia Internacional para Mulheres e Meninas na Ciência, ONU alerta para falta de representatividade na área de exatas

Manuela Souza participa do documentário Potência N, que trata de falta de representatividade na Matemática sob o recorte de gênero e raça, tema do alerta feito pela ONU | Foto: Divulgação

A Matemática é exata ao apontar o desequilíbrio entre profissionais de ciências exatas no mundo: menos de 30% dos pesquisadores são mulheres, embora elas sejam 49% da população do planeta. Os dados são da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). A questão não se restringe a fazer justiça e garantir direitos iguais para homens e mulheres que já estão no mercado de trabalho. A discussão também aborda as gerações que estão na escola.

Estima-se que 90% dos empregos do futuro exigirão alguma forma de habilidade em novas tecnologias e as categorias de empregos que mais crescem estão relacionadas à ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Só que menos de um terço das estudantes escolhe seguir essas carreiras. “Mulheres e meninas continuam extremamente sub-representadas. Os estereótipos de gênero, a falta de modelos visíveis e as políticas e ambientes sem apoio ou mesmo hostis podem impedi-las de seguir essas carreiras”, afirma António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, em mensagem do Dia Internacional para Mulheres e Meninas na Ciência, celebrada nesta segunda-feira, (11/2). A data é promovida pela UNESCO e ONU Mulheres em parceria com instituições em todo o mundo.

 

O tema deste ano é “Investimento em mulheres e meninas na ciência para um crescimento verde inclusivo”. “O mundo não pode se dar ao luxo de perder as contribuições de metade de nossa população. Devemos enfrentar equívocos sobre as habilidades das meninas”, diz Guterres.

A Ponte já abordou o tema, em reportagem sobre o documentário Potencia N, de Maria Lutterbach, que fazia recorte de gênero e raça na área da Matemática. Na ocasião, a diretora da obra e fundadora do portal Gênero e Número, informou que mulheres negras são menos de 3% do total de doutoras docentes da pós-graduação na área das ciências exatas no Brasil.

A questão vai além de garantir mercado de trabalho, incentivo estudantil e direitos iguais. Um exemplo é a área de inteligência artificial (IA). Soluções com base na diversidade são mais ricas, com diferentes pontos de vista, e por isso mesmo, possivelmente, menos enviesadas. Mas o risco está aí: segundo relatório recente do Fórum Econômico Mundial, apenas 22% dos profissionais de inteligência artificial em todo o mundo são mulheres. Elas são minorias nas grandes empresas como Apple, Google e Facebook.

A professora Nísia Trindade Lima, primeira presidente da Fiocruz em quase 120 anos da instituição, destacou que o mais importante é a construção de políticas institucionais para superar dificuldades e esses abismos com relação ao gênero. Uma das iniciativas foi colocar no último edital de pesquisa uma cláusula considerando o tempo de gestação e os primeiros cuidados com os filhos na avaliação dos currículos. “A nossa proposta é que a política científica cada vez mais tenha atenção para políticas institucionais que possam permitir a correção dessas desigualdades”, afirma ela.

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