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Em três dias, seis moradores de rua morrem em São Paulo, segundo Pastoral de Rua

22/08/20 por Fausto Salvadori

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Cinco das mortes ocorreram no centro da capital paulista, três na Praça da Sé, segundo a Pastoral; Prefeitura e Polícia Civil só confirmaram duas mortes

Na Praça Princesa Isabel, população de rua usa lonas plásticas para se proteger do frio, na quinta-feira | Foto: Reprodução/Instagram/Padre Júlio Lancelotti

Seis pessoas que viviam nas ruas da cidade de São Paulo morreram entre quinta-feira (20/8) e sábado (22) na cidade de São Paulo, segundo a Pastoral do Povo de Rua, da Igreja Católica, quando as temperaturas caíram. A Polícia Civil e a Prefeitura confirmam duas dessas mortes.

De acordo com a Polícia Civil, na manhã de hoje um homem de 39 anos foi encontrado morto na Rua 25 de Março e uma mulher, ainda não identificada, na Praça da Sé, ambos na região central.

Leia também: Artigo | A pandemia e a população em situação de rua

As duas foram registradas como “morte suspeita” no 8º DP (Brás) e encaminhadas para serem investigadas pelo 1º DP (Sé). A polícia vai fazer exames necroscópicos nas vítimas para identificar a causa da morte e disse que “não há outros registros com as mesmas características”. 

Informações do padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua, apontam que a primeira pessoa em situação de rua a morrer durante a onda de frio foi um homem deficiente físico, encontrado morto na Sé, na quinta-feira. No dia seguinte, mais três pessoas foram encontradas mortas nas ruas: um homem e uma mulher, também na Sé, e outra mulher próximo ao Metrô Tietê, na zona norte.

“Essas mortes, nessas ondas de frio, são sempre uma tragédia anunciada”, afirma o padre. Segundo ele, a falta de políticas públicas, mais do que o frio, é que faz com que as mortes se repitam todos os invernos. Lancelotti diz que parte das mortes por frio não entraria nas estatísticas da Prefeitura, uma vez que os cálculos oficiais só levariam em conta os mortos por hipotermia, e não de outras causas relacionadas às baixas temperaturas.

A capital paulista registrou a madrugada mais fria do ano no sábado, com os termômetros registrando em média 8° C. Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergência Climáticas da Prefeitura, a sensação térmica oscilou para em torno de 5° C.

Veja mais: Em tempos de coronavírus, população de rua relata aumento da repressão em SP

Por meio de nota, a Prefeitura de São Paulo lamentou e disse que, somente na madrugada deste sábado, 150 pessoas em situação de rua foram acolhidas e houve a distribuição de 182 cobertores. Outras 82 pessoas teriam recusado a assistência oferecida pela gestão municipal. 

Desde o dia 6 de maio, está em vigor em São Paulo o Plano de Contingência para situações de Baixas Temperaturas 2020, que atua em abordagens intensificadas à população de rua quando os termômetros ou sensação térmica atingem temperaturas de 13° C ou inferiores. 

Segundo os dados da Prefeitura, uma rede de assistentes sociais já realizou, desde o início do plano, mais de um milhão de acolhimentos — considerando que uma pessoa pode ser acolhida mais de uma vez. O objetivo é levar as pessoas em situação de rua para centros de acolhimento. No entanto, quem recusa, recebe um kit com lanche e cobertor.

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