Enquadrado dois dias seguidos, homem é morto pela PM suspeito de planejar atentado em SP

David Ricardo de Souza usava calibre 12 e colete à prova de balas em veículo preto junto de outro homem; para Polícia Civil, ele pretendia atacar base da PM em retaliação à transferência de líderes do PCC

Armas que estariam sob posse dos suspeitos mortos | Foto: Arquivo pessoal

A Polícia Militar do Estado de São Paulo matou dois homens na madrugada de segunda-feira (18/2) em um terreno baldio próximo à Rodoviária do Tietê, zona norte da cidade de São Paulo. Segundo a versão oficial, os dois planejavam atacar uma base da polícia em retaliação às transferências de líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital) para presídios federais.

David Ricardo de Souza, 31 anos, e outro homem, não identificado até o momento, estavam em um veículo Celta de cor preta. Uma denúncia anônima apontou que um carro com essas característica era dirigido por pessoas encapuzadas e “portando arma longa” e que fariam “atentado a mando de facção criminosa”, segundo o B.O. (Boletim de Ocorrência). Quatro policiais faziam patrulhamento e identificaram o carro suspeito e iniciaram perseguição.

A ocorrência começou na Avenida Moyses Roysen e terminou nessa área abandonada no Carandiru, bairro em que fica localizada a base policial da rodoviária. Ali, de acordo com a versão oficial, David, do banco do passageiro, atirou com uma calibre 12, quebrando o vidro traseiro de seu carro, e atingindo a viatura. Os policiais revidaram e, quando a dupla saiu do carro, os balearam fatalmente. Nenhum policial ficou ferido na suposta troca de tiros.

David recebeu três disparos, dois na mandíbula e um no peito, enquanto o os policiais acertaram o outro homem cinco vezes. Três tiros atingiram o tórax e mais duas nas costas. Além da calibre 12, o B.O. aponta que David usava um colete à prova de balas e o suposto comparsa portava uma calibre 380. Socorridos, não resistiram aos ferimentos e morreram no local.

Um dia antes de sua morte, David havia sido abordado pela polícia na mesma região. PMs suspeitaram da atitude do homem, que rodeava a área em que fica a base localizada no TRT (Terminal Rodoviário do Tietê). Levado ao DP (Distrito Policial), os agentes da Polícia Civil localizaram no celular do suspeito conversas que o ligavam a “missão de realizar um ataque a base policial do TRT, em retaliação às transferências de membros de facção criminosa”, segundo informado pelos policiais.

Na quarta-feira (13/2), 22 presos apontados pelo MP (Ministério Público) como cabeças da facção criminosa PCC foram transferidos de presídios paulistas para penitenciárias federais no Rio Grande do Norte, Rondônia e Distrito Federal. De lá até agora, há um clima de apreensão quanto ações de represália a serem feitas pelo crime organizado.

Boatos sobre respostas do PCC surgem principalmente do sistema penitenciário, com falsas tomadas de presídios (rebeliões) propagadas, bem como ações violentas do GIR (Grupo de Intervenção Rápida), tropa que atua nas unidades para restabelecer a ordem, como explicado pela SAP (Secretaria da Administração Penitenciária). Havia o temor de presos se rebelarem ao fim da visita de familiares e amigos, no fim de semana, expectativa que não se confirmou.

A Ponte questionou a SSP (Secretaria da Segurança Pública) de São Paulo, comandada pelo general João Camilo Pires de Campos, sobre o registro de ocorrências dessa natureza. Em resposta, a pasta, através de sua assessoria de imprensa terceirizada, a InPress, respondeu questionamentos envolvendo apenas o caso específico no bairro do Carandiru.

Segundo a pasta, os PMs do 9ºBPM/M (Batalhão de Polícia Militar Metropolitano) suspeitaram dos indivíduos e iniciaram uma abordagem. “Durante a tentativa, a dupla reagiu e não resistiu aos ferimentos”, explicou a SSP, citando a calibre 12, pistola 380, dois coletes e duas máscaras encontradas com os suspeitos. “O DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa) instaurou inquérito para investigar o caso”, prossegue a secretaria.

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