PMs de moto atropelam e espancam jovem negro: 'a cor da pele fala muito alto'

Jovem de 20 anos levou seis pontos na cabeça após ataque de policiais em Carapicuíba (Grande SP), em 26/11, segundo a mãe: “Era para ele ter ido embora”

Motocicletas da Polícia Militar de São Paulo | Foto: Luís Blanco/A2img

Um jovem de 20 anos sofreu ferimentos na cabeça e no braço ao ser agredido por dois policiais militares de moto, segundo mãe dele, por volta das 9h do domingo (26/11), em Carapicuíba (Grande SP). Os PMs fariam parte da Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (Rocam) e nem sequer abordaram o filho antes de agredi-lo, diz a família.

“É muita mãe perdendo filho. Eu tive sorte porque meu filho teve um livramento, era para ele ter ido embora no domingo, sorte que não era a hora dele”, afirmou a mãe do jovem à Ponte, que optou por não identificá-la.

A mãe conta que o jovem havia dormido na casa de um amigo em um bairro vizinho e voltava a pé para o local onde vive, na manhã de domingo. Na altura da rua Gilberto de Oliveira Lima, sem justificar o porquê da ação, os policiais teriam atropelado o jovem com as motocicletas. 

Em seguida, já com o jovem rendido no chão, os PMs teriam passado a agredi-lo com cassetetes. Ensanguentado, o jovem conseguiu correr e se abrigar em uma padaria próxima. Os policiais foram até lá, mas ficaram do lado de fora do estabelecimento. Ali, ordenaram que ele levantasse a blusa e informasse onde morava.

Jovem precisou levar seis pontos na cabeça após agressão | Foto: Arquivo pessoal

Segundo a mãe, essa não foi a primeira abordagem que o filho sofreu da PM, mas foi a mais violenta. “Ele já sofreu [abordagem] sem agressão, sempre é parado. Infelizmente a questão da cor da pele fala muito alto nessas horas”, lamenta. 

A vítima teve um ferimento profundo na cabeça e precisou levar seis pontos. O jovem também tem marcas das agressões em um dos braços. “A sorte é que não rasgou todas as camadas da cabeça. Por pouco não pegava no crânio”, conta a mãe. 

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Traumatizado, o jovem não quer nem mesmo sair de casa e evitou registrar a agressão na Polícia Civil ou na Corregeodira da PM até o momento. O medo faz com que a mãe pense em sair do bairro em que mora há anos. “Eu estou pensando até em me mudar daqui. Eu tenho casa própria, mas não estou querendo ficar aqui por conta disso. Eles [policiais] estão muito agressivos”, diz. 

O que diz o governo

A Ponte questionou a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) sobre a agressão. Não houve retorno. 

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