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Exclusivo: Sabotage e MC Hariel se encontram na inédita ‘Monstro Invisível’

10/12/20 por Débora Lopes

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Com imagens dos fotógrafos da Ponte Daniel Arroyo, Sergio Silva e André Porto, clipe de faixa produzida por DJ Kalfani mostra que pouco mudou desde a morte do Maestro do Canão; renda será revertida ao Sabotage Futebol Clube e ao projeto social Todos Somos Um

Quase 18 anos depois de sua morte em 24 de janeiro de 2003, o baú de Sabotage continua rendendo frutos. Depois de “Love Song (A Dor de um Homem)”, lançada em 2018, Sabota volta aos fones e falantes dos fãs com “Monstro Invisível”, parceria póstuma com o MC Hariel (de sucessos como “Lei do Retorno” e “Tem Café”).

Produzida por DJ Kalfani, também responsável pela batida de “Love Song”, a faixa traz de volta o tema político, tão caro à música de Sabotage, afinal, como canta Hariel, “ainda enfrentamos o mesmo inimigo que o Sabota rimou”. “Ódio de quem vem de baixo e a abordagem é sempre com o mesmo suspeito”, lembra Hariel, evocando na levada artistas que transitavam entre o canto e a rima, como Chorão.

Leia também: ‘Respeitado lá no Brooklin de ponta a ponta’: 17 anos sem Sabotage

Com sua saudosa e característica levada, o Maestro do Canão traz um mundo de ontem que segue atual: “Na Sul polícia mata/ Não tem emprego, periferia falta vaga/ Ladrão se arma, só de fuzil e de granada/ A seguir, cenas de terror, salva de balas”. Toda a renda da parceria será destinada ao Sabotage Futebol Clube e ao projeto social Todos Somos Um.

O clipe traz imagens de abusos policiais e manifestações de rua que pertencem ao arquivo da Ponte, que topou imediatamente o convite feito pela equipe e familiares do rapper pra somar na produção do vídeo. 

Para Kalfani, trabalhar com o material de Sabotage é uma “responsabilidade”. “Além de qualquer coisa, o Sabotage já é um mito. Uma pessoa que fez parte da minha adolescência e infância. Porém, nunca cheguei a conhecê-lo porque ele morreu quando eu era muito pequeno. Sabotinha é um grande amigo, é uma honra imensa. Levo todo trabalho que tem o nome dele como uma responsabilidade muito grande.”, diz.

Leia também: ‘Sabotage’, o álbum póstumo do lendário rapper da zona sul de SP

O produtor conta que foi dele a ideia de trazer Hariel para o som. “O legal é que eu juntei a galera que gosta muito dele. Eu já sabia que o Hariel era super fã do Sabotage. É um menino muito iluminado. Tem uma ideia muito forte sobre a quebrada, sobre o que vem acontecendo da mesma maneira há 10, 12 anos, 20 anos”.

“Foi meu pai que mostrou o som do Sabotage pra mim”, conta Hariel, que chegou a tatuar o rapper na pele. “Gravar esse som foi um sonho realizado na minha vida. O rap e o funk sempre andou lado a lado. Quem ganha com essa união é o povo.”

A direção é assinada por André Caramante, jornalista e fundador da Ponte que convidou os cineastas Bruno Salvagno e Thiago Samora para a equipe. “Sabota tinha o dom de unir. E isso permanece até hoje. ‘Monstro invisível’ é a São Paulo de hoje em forma de versos. É a vida dos nossos molecotes pelas rimas do rap e do funk”, explica Caramante. 

Leia também: Documentário sobre o rapper Sabotage revive a obra do “Maestro do Canão”

Salvagno conta que teve carta branca no processo criativo do clipe. E, para construí-lo, mergulhou fundo nos arquivos de vídeo de Sabotage e também nos arquivos da Ponte. “Resolvi mesclar as imagens com as cenas de protestos e abuso de autoridade porque, apesar de ter passado tanto tempo, as coisas continuam praticamente iguais”, conta. “Esse projeto mostra o quanto o legado do Sabota continua vivo, forte e extremamente atual.”

Para Samora, o projeto trouxe lembranças antigas: “Um pouco antes do Sabotage morrer eu ainda estava na faculdade e, com um grupo de amigos, acabei fazendo uma das últimas entrevistas com ele, uma ou duas semanas antes dele morrer, isso acabou marcando muito.  Fiquei muito feliz com a oportunidade de poder participar deste clipe e continuar contando a história do Sabotage”.

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Maurin, como o rapper era chamado pelos mais próximos, sempre trouxe em suas rimas críticas ao comportamento abusivo das forças de segurança pública. Daí a importância desse contexto para compor a narrativa do clipe. Vítima do abuso policial durante a cobertura dos protestos de junho de 2013, o fotógrafo Sergio Silva cedeu imagens suas para a obra de Sabota. “Ele é uma referência na cultura popular brasileira. E, apesar de não estar nesse plano físico, é um cara imortal. Estamos dando continuidade ao que ele fez”, diz.

Fotógrafo da Ponte, Daniel Arroyo também se sente honrado em participar de “Monstro Invisível”: “Eu sempre ouvia Racionais e ele foi um dos primeiros caras que ouvi. Lembro da notícia pois morava perto de onde ele morreu, no Plaza Sul. Fiquei bem chocado na época. Pra mim é uma puta satisfação poder colaborar com esse clipe”.

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