Falta d’água atinge cerca de 100 famílias e afeta combate ao coronavírus

29/06/20 por José Rossi Neto, especial para Ponte

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Comunidade em Cotia, na Grande SP, chega a ficar sem água por três dias seguidos: “a gente quer tomar banho e não tem água”, afirma moradora

Comunidade Respire Bem fica em Cotia, na Grande São Paulo | Foto: Silvio Cabral

Cerca de 100 famílias da Comunidade Respire Bem, localizada no Jardim Nova Cotia, na Grande São Paulo, estão sofrendo com desabastecimento de água em plena pandemia. A reportagem conversou com moradores do local na última sexta-feira (26/6), mas, até esta segunda-feira (29/6), o abastecimento não havia sido normalizado.

Além da escassez de alimento e dívidas que se acumulam pelo desemprego, não ter água afeta os cuidados básicos de higiene, método eficaz para evitar o contágio pela Covid-19.

“Estamos há três dias sem água em casa. A água chega umas cinco horas da manhã, mas logo acaba. Aí a gente fica o dia todo sem água. Sempre aconteceu esse problema. A gente tem criança em casa, ficamos desesperados”, disse a cozinheira Marilene Pereira dos Santos, moradora da comunidade, na última sexta-feira. Marilene trabalhava como empregada doméstica e está desempregada.

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Marilene e seus vizinhos que passam por essa dificuldade dependem da solidariedade de outras pessoas. “A gente quer lavar a roupa e não tem água. Quer tomar banho e não tem água. A gente pede para os moradores que vivem aqui ao redor e não estão sendo afetados pela falta d’água uma ajuda, mas nem sempre conseguimos”, relata a cozinheira Celma dos Santos, irmã de Marilene, que também está desempregada.

Celma Pereira dos Santos: “A gente quer tomar banho e não tem água” | Foto: Neide Santana

A dificuldade com a falta d’água não é de hoje. Em 2018, dezenas de moradores ocuparam a Sabesp após ficarem 11 dias consecutivos sem abastecimento. O problema foi resolvido na ocasião, mas retornou agora e, o pior, em um momento onde a água, que é um direito, ganha maior importância por causa do combate ao coronavírus. 

“Como pode, em plena pandemia, estarmos vivendo essa mesma situação? A gente não pode nem dar banho nos nossos filhos. Essas famílias merecem ser tratadas com respeito e dignidade, pois estão tirando um direito básico delas que é o acesso à água”, critica Neide Santana, liderança comunitária da região.

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Procurada pela reportagem, a Sabesp informou que enviou equipes aos endereços citados (rua Penha e rua Brumado) e não constatou irregularidades com o abastecimento. Disse ainda que será feito um monitoramento nos próximos dias para investigação. 

“A Companhia esclarece que não havia registros de falta d’água em seus canais de atendimento. A Sabesp destaca ainda que existe na região uma área que necessita de regularização fundiária, onde, por lei, a Companhia não pode atuar”, completou. 

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