Famílias ficam desabrigadas após incêndio em comunidade no centro de SP

Moradores de comunidade na região do Cambuci improvisaram lonas em calçada e pedem apoio da Prefeitura; ‘estamos sem ter para onde ir’, diz diarista

Famílias improvisaram lonas em calçada após incêndio no dia 21/10 | Foto:Arquivo pessoal

A diarista Clarissa Maria dos Santos, 23, conta que só deu tempo da mãe e dos irmãos mais novos saírem às pressas. “Saiu sem documento, sem nada e agora estamos na calçada sem ter para onde ir”, lamenta. Um curto-circuito dentro da casa feita de madeira da mãe dela teria provocado um incêndio que se alastrou nas residências vizinhas em uma comunidade localizada entre as ruas Ruas François Coty e Alexandrino da Silveira Bueno, região do Cambuci, no centro da capital paulista, na quinta-feira (21/10).

Ela, que mora há 15 anos no local, não teve a residência atingida, mas afirma que ao menos seis foram completamente destruídas pelas chamas e as demais pela água, quando o Corpo de Bombeiros atuou para conter o fogo. “Agora está tudo interditado e não deixam a gente pegar documento nem mais nada porque é área de risco”, prossegue. São ao menos 80 famílias e cerca de 200 pessoas que moram na comunidade. Entre os desabrigados estão crianças, mulheres e idosos.

A dona de casa Cleuza Cardoso, 55, mora na comunidade há 17 anos e relata que perdeu os pertences. “Foi tudo atingido pela água e os bichinhos das pessoas daqui também morreram por causa do incêndio”, afirma. “As pessoas estão improvisando com lona na calçada, a Prefeitura deu marmita nos dois primeiros dias e não apareceu mais”, denuncia.

Clarissa diz que o governo municipal ofereceu colchão e cobertores e cadastrou as pessoas. “Mas não deram nenhuma alternativa de moradia para a gente, ofereceram um galpão, mas não tem como ir para lá sem conseguir pegar nossos pertences”, lamenta. “Também tem gente que não quer sair da comunidade porque não tem opções melhores, o povo não está aqui porque gosta, mas porque precisa e não tem condições financeiras”, critica.

A diarista conta que é a segunda vez que acontece um incêndio na região. “E se acontecer de novo? Ninguém morreu, graças a Deus, mas e se acontecer de madrugada, com gente dormindo? Vão esperar alguém morrer para fazer alguma coisa pela gente?”, questiona.

Marisa Fefferman, integrante da Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio, diz que está dando apoio psicológico às famílias. “Estamos damos apoio emocional, tentando organizar com a comunidade e tentando garantir, agora com a [presença] da polícia, que não haja nenhum tipo de violência”. O local está interditado com faixas e há presença da GCM.

Segundo Cleuza, a Subprefeitura da Sé, que engloba o bairro do Cambuci, teria acordado que seria feita uma reunião com os moradores da comunidade, mas sem especificação de data.

Marisa informou que doações podem ser realizadas no local ou por meio do Pix [email protected], que está em nome de Marina Jerusalinsky.

O que diz a prefeitura

Questionamos à administração municipal sobre as medidas tomadas em relação às famílias desabrigadas, projeto habitacional para a região e se a área é considerada de risco bem como restrição para que moradores peguem pertences.

Em nota, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) informou que “a equipe da Coordenação de Pronto Atendimento Social (CPAS) prestou atendimento às 52 famílias atingidas pelo incêndio no Cambuci e entregou 400 insumos, sendo 100 cobertores e 300 marmitas. A Supervisão de Assistência Social (SAS) Sé preparou acolhimento no Centro Esportivo Tietê, mas as famílias recusaram a oferta”.

O que diz a polícia

Procuramos a assessoria da Secretaria de Segurança Pública sobre a investigação do incêndio, cuja assessoria disse que, por estar em esquema de plantão, só poderia atender ocorrências do final de semana e que fosse procurada na segunda-feira (25/10).

Reportagem atualizada às 10h03, de 24/10/2021.

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