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Há 9 meses, família de Lucas, que sumiu após abordagem da PM e foi encontrado morto, espera por justiça

13/08/20 por Paulo Eduardo Dias

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Morador de favela em Santo André (SP), adolescente saiu comprar bolacha e seu corpo foi encontrado boiando em um lago; familiares acreditam na participação de PMs

Familiares e amigos de Lucas protestam em frente à Companhia em que PMs suspeitos atuam | Foto: Katiara Oliveira/Rede de Proteção e Resistência contra o Genocídio

Familiares e amigos de Lucas Eduardo Martins dos Santos realizaram na tarde desta quinta-feira (13/8) uma manifestação em frente à sede da 2ª Companhia do 41° Batalhão, localizado no Jardim Santo André, periferia de Santo André, na Grande São Paulo, cobrando reposta pela morte do menino.

Há exatos 9 meses, na madrugada de 13 de novembro, Lucas sumiu na Favela do Amor, após sair de casa para comprar um refrigerante e um pacote de bolachas. Seu corpo foi encontrado dois dias depois boiando no Parque Natural Municipal do Pedroso, na mesma cidade. Desde o ocorrido, a família afirma que o jovem sumiu após uma abordagem realizada por policiais militares no interior da comunidade. O local do ato foi escolhido por se tratar da companhia em que os policiais suspeitos trabalham.

Maria Marques afirmou que não vai se calar até conseguir saber quem matou seu filho caçula | Foto: Katiara Oliveira/Rede de Proteção e Resistência contra o Genocídio

“Eu quero justiça. Já faz nove meses que mataram meu filho. Me prenderam para eu não denunciar, mas eu vou até o fim. Meu filho não era bandido, não era criminoso, ele só tinha 14 anos. Eu quero Justiça”, disse à Ponte Maria Marques Martins dos Santos, 39, mãe do menino. A mulher, que vive à base de remédios, não pronuncia uma frase sobre o filho sem chorar e tremer.

Leia também: ‘Tiraram a vida do meu filho porque era negro, pobre e favelado’, diz mãe de Lucas

Além da ausência do filho, Maria carrega outra chaga: a de egressa do sistema prisional. Logo após receber o baque pela morte do filho, Maria Marques foi presa exatamente no dia em que foi depor por causa do desaparecimento de Lucas. Ela nega o crime de tráfico de drogas pelo qual foi condenada a 5 anos de prisão, ocorrido em 2017, mas, mesmo assim, ficou quase cinco meses atrás das grades.

A Ponte chegou a entrevistá-la quando ainda estava na Penitenciária de Santana, na zona norte de São Paulo. Na ocasião, lembrou que ouviu a voz dos filhos ao ser interpelado, já do lado de fora de casa, por policiais, informando “eu moro aqui”. “Todo dia que lembro dele eu choro. Eu tenho pesadelo com ele pedindo socorro. Pedindo para eu ajudar ele”, disse Maria Marques à época.

Maria do Carmo, avó de Lucas, pede para que o menino jamais seja esquecido | Foto: Katiara Oliveira/Rede de Proteção e Resistência contra o Genocídio

O ato que marca os nove meses de saudade de Lucas e da impunidade do caso contou com apoio da Rede de Proteção e Resistência contra o Genocídio. “A mãe do Lucas está muito abalada psicologicamente e viemos para dar apoio e não deixar ela sozinha”, relatou Katiara Oliveira, articuladora da Rede no ABC.

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Procuradas, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo e a Polícia Militar não se pronunciaram até a publicação do texto. Já o Ministério Público informou que “as investigações estão em segredo de Justiça”.

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