Homem em situação de rua é agredido e detido pela GCM por não ter nota fiscal de carrinho, diz testemunha

GCM agride morador de rua que não quis entregar pertences - Imagem: Reprodução

“Não levem meus bagulhos, não. Eu não tenho nada, porra”, diz Samir, que teve bens apreendidos pela Guarda Civil Metropolitana

GCM agride morador de rua que não quis entregar pertences / Foto: Reprodução

A GCM (Guarda Civil Metropolitana) da cidade de São Paulo agrediu e prendeu o morador em situação de rua Samir, na manhã desta sexta-feira (03/05), próximo à estação Conceição da Linha 1-Azul do Metrô, na zona sul paulistana.

O estudante de jornalismo Marcos Hermanson, 19 anos, que presenciou e gravou a ação de dois GCM’s (vídeo abaixo), afirma que passava pelo local quando se deparou com um tumulto envolvendo funcionários da Prefeitura e Samir, que tinha consigo um colchão e um carrinho de supermercado.

De acordo com o estudante, os guardas se aproximaram e disseram que o carrinho de supermercado de Samir era roubado e seria apreendido. “O GCM disse: ‘você não tem nota fiscal, a gente vai levar’”, conta o estudante.

O homem em situação de rua tentou proteger o carrinho onde estavam todos os seus pertences. O vídeo gravado por Hermanson mostra que, neste momento, um dos dois GCMs pega Samir com força e joga-o no chão. Em seguida, os dois empurram o morador de rua contra a parede, torcendo seus braços para trás, enquanto os outros funcionários da Prefeitura recolhem o carrinho com cobertores, colchão e algumas roupas. Samir começa a chorar dizendo que foi machucado, tentando se desvencilhar do GCM que o segura.

O vídeo mostra ainda Samir pedindo, chorando, para não ter seus bens levados pelos funcionários da Prefeitura. “Não levem meus bagulhos, não, caramba. Eu não tenho nada, porra. Me solta, meu, por favor”.

Os guardas civis metropolitanos, no entanto, não atendem à súplica e levam Samir para o 35º DP (Distrito Policial), no Jabaquara.

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Outro lado

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de São Paulo, que se posicionou por meio de duas secretarias. A de Segurança Urbana afirmou que “a Corregedoria Geral da Guarda Civil Metropolitana vai apurar a conduta dos agentes no procedimento” e que “o guarda envolvido diretamente na ocorrência será afastado das atividades operacionais”.

Já a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania disse que “a conduta dos Guardas Civis Metropolitanos envolvidos na abordagem do mencionado morador em situação de rua não condiz com a política e a orientação da Prefeitura de São Paulo, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania e da Secretaria Municipal de Segurança Urbana”.

Até o fechamento desta reportagem, a assessoria de imprensa da SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo), administrada pela empresa terceirizada CDN Comunicação, informou que o Boletim de Ocorrência do caso ainda estava sendo registrado.

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