PMs obrigam jornalistas a apagar imagens: “Para com essa mania de filmar polícia”

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Repórteres que cobriam protesto de secundaristas foram ameaçados: “Pode apagar, senão vou apreender sua câmera”

Policiais militares ameaçaram ontem três jornalistas que cobriam um protesto de estudantes secundaristas no Sumaré, zona oeste de São Paulo, e obrigaram os profissionais a apagar as fotos e vídeos das suas câmeras. “Para com essa mania de filmar polícia e veicular nossa imagem num monte de lugar, vocês entenderam? Não é assim que funciona as coisas, não”, afirmou um dos PMs.

O ataque contra os jornalistas Daniel Arroyo, da Ponte Jornalismo, o freelancer Rogério de Santis e uma repórter que prefere não se identificar, por medo de represálias, ocorreu por volta das 23h de ontem (12/10), diante da Diretoria Regional de Ensino Centro Oeste, na Rua Doutor Paulo Vieira. No vídeo gravado pela Ponte, que escapou dos apagamentos decretados pelos policiais, é possível ouvir as ameaças dos policiais militares: “O que estiver vinculado à escola e à polícia pode apagar, senão vou apreender sua câmera”.

Depois da censura às imagens, veio um novo abuso. Contra sua vontade, os jornalistas foram obrigados a entrar nas viaturas e levados ao 91º DP (Ceasa). Mesmo reconhecendo que não tinham indícios para autuar os repórteres, os PMs alegaram que estavam conduzindo os profissionais na condição de testemunhas.

Em 5 de agosto, uma ação semelhante da PM contra jornalistas foi executada durante uma operação na região central de São Paulo, em que policiais militares detiveram a jornalista Daniella Laso, da rádio CBN, e apagaram do seu celular as imagens que ela havia gravado.

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo
Secundaristas tentam ocupar a Diretoria de Ensino Centro Oeste, no Sumaré. Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Os jornalistas cobriam um protesto de estudantes contra a PEC 241 e contra a proposta do governo federal de reforma do ensino médio, que havia começado como um ato na Praça Roosevelt. De lá, os estudantes seguiram até a Secretaria Estadual de Educação, na Praça da República, região central. Ao final do ato, os secundaristas se reuniram e decidiram fazer uma ocupação da Diretoria Regional de Ensino Oeste.

Ao chegar na Diretoria, alguns estudantes pularam o muro e outros arrombaram o portão principal. Um segurança da Diretoria viu a tentativa de ocupação e ligou 190. Com a chegada da PM, 11 pessoas foram detidas, entre elas cinco adolescentes, O delegado plantonista do 91º DP considerou que o único crime cometido foi o de dano ao patrimônio e liberou todos após registrar o boletim de ocorrência.

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo
Ato realizado pelos estudantes diante da Secretaria Estadual da Educação, antes da tentativa de ocupação no Sumaré. Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Outro lado

Atualizado em 13/10, às 16h50
Na manhã de hoje, a Ponte procurou as assessorias de imprensa da Secretaria de Segurança Pública, a cargo da CDN Comunicação, e da Polícia Militar e perguntou a respeito do ataque à liberdade de expressão praticado ontem pelos policiais. A resposta da SSP veio por meio de uma nota:

A Corregedoria da PM orienta a formalização da queixa para apuração dos fatos por meio da declaração dos jornalistas. Sobre a ocupação da Diretoria Regional de Ensino Oeste, foi instaurado inquérito policial no 23º DP para investigar dano contra o patrimônio público.

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