Jovem negro afirma ter sofrido ato racista nas Lojas Americanas

28/06/20 por Anderson Moraes, do Jornal Empoderado

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Ex-funcionário diz que foi vítima de racismo da supervisora: “Me colocou para lavar o banheiro dos funcionários e disse que lá era o meu lugar”

Loja onde funcionário relata racismo | Foto: Reprodução/Jornal Empoderado

Sandro Aparecido foi mais um de muitos negros que ainda sofrem, infelizmente, diante de uma sociedade racista em  que vivemos, onde algumas pessoas fazem questão de serem cruéis e maldosas.

Acompanhe agora o seu relato:

“Meu nome é Sandro Aparecido da Conceição Mathias, sou negro e tenho 24 anos. Sofri um ato de racismo no meu local de trabalho e gostaria de compartilhar com vocês. Expor isso é um pouco constrangedor, mas diante de todos esses acontecimentos racistas tomei coragem e gostaria que todos tomassem conhecimento para que outras pessoas não passem por isso. 

Há aproximadamente um ano e três meses, fui auxiliar de loja na empresa Lojas Americanas. No começo, eu gostava muito de trabalhar lá, estava aprendendo coisas novas na área do comércio, sempre estava me dedicando para aprender mais, com isso eu estava sendo muito elogiado pelos colegas, supervisores e gerentes. Com quatro meses de trabalho como auxiliar de loja, o gerente Sr. Washington falou que iria me promover como supervisor de loja, pois meu trabalho estava sendo muito bem elogiado pelos supervisores. 

Todas as nossas tarefas eram divididas de maneiras iguais (cada um na sua função), durante a gestão do Sr. Washington. 

Com o passar dos dias, o gerente Sr. Washington foi desligado da empresa e no lugar dele assumiu a gerente Sra. Mary Hellen , depois disso muita coisa mudou . 

Com o passar dos dias de trabalho, a gerente Mary Hellen me disse que estava me observando, pois eu estava sendo muito cogitado para o cargo de supervisor de loja. 

Ela me colocou para lavar o banheiro dos funcionários e disse que lá era o meu lugar. Passei a lavar o banheiro todos os meus dias de trabalho, sendo que na gestão anterior essa tarefa era escalada um dia para cada funcionário. 

Com o passar dos meses, eu conversei com ela sobre o andamento da minha possível promoção para supervisor de loja, questionei com a mesma que há oito meses realizava as tarefas de supervisor, além de limpar o banheiro. Ela disse para eu ser paciente e esperar um pouco mais. 

Certo dia, percebi a gerente Mary Hellen sorrindo diante de uma piada racista, feita pelo supervisor de loja Felipe. Fiquei muito indignado com isso, mas confesso que me calei e continuei trabalhando. Esse mesmo supervisor continuou a fazer piadas racistas comigo, eu me senti tão constrangido que fiquei sem ação e isso se prolongou  por meses. 

Um dia, eu disse para ele que não estava me sentindo bem com essa situação, e logo, ele não deveria brincar comigo desse jeito. Mesmo dizendo que eu não gostava, o supervisor Felipe continuou me ofendendo com apelidos racistas, dizia que tinha nojo da minha raça e que eu deveria tomar banho de tinta branca. 

Com todas essas ofensas, eu fiz uma reclamação para a gerente Mary Hellen e ela me disse, que eu deveria aceitar as brincadeiras do Felipe, porque era uma maneira dele se descontrair. 

Fiquei muito chateado e decepcionado com a atitude da gerente Mary Hellen com essa situação. 

Mesmo muito chateado e triste continuei trabalhando, porque precisava muito desse emprego, pois era o sustendo da minha família. Passaram-se mais alguns dias e recebi a notificação que estava sendo desligado da Empresa Americanas.”

O que aconteceu? 

Sofri injúrias raciais no interior da Lojas Americanas. 

Aonde foi? 

Isso aconteceu na área dos clientes, área dos funcionários. Rua Professor Valério Guli, 104 – Mandaqui. CEP 02416000. 

Quando foi? 

Após a troca da gestão, passei ser alvo constante de piadas e apelidos racistas. 

Como você se sentiu? 

Me sinto indignado, impotente. Isso me destruiu de uma forma que as pessoas não imaginam. Para ter uma noção da minha dor: As feridas do corpo com o tempo cicatrizam, mas as feridas feitas pelo racismo, a mente é incapaz de cicatrizar e jamais vão ser apagadas da minha memória. Somente quem já sofreu racismo sabe como me sinto. 

Como a minha família se sente? 

Magoada, ferida, impotente e muito triste. 

A reportagem entrou em contato com as Lojas Americanas no dia 17 de junho, mas não obteve retorno até esta publicação.

Reportagem originalmente publicada no Jornal Empoderado

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