Jovem pede socorro antes de ser alvejado por PMs na zona sul de SP

Suspeito de ser traficante, jovem foi alvejado no Jardim São Luís; SSP diz que ele reagiu; moradores desmentem pasta; Policiais não seguiram método de contenção
Thiago Silva tinha 22 anos (Foto: Reprodução/Facebook)
Thiago Silva tinha 22 anos (Foto: Reprodução/Facebook)

Dois PMs (policiais militares) executaram um jovem e prenderam outro rapaz na região do Jardim São Luis, na zona sul de São Paulo, na noite de terça-feira (9/12). Thiago Vieira da Silva, de 22 anos, foi alvejado por dois policiais na rua Acédio José Fontanete. Após pedir socorro três vezes, um dos PMs disparou quatro tiros, de maneira seguida. Depois, já inconsciente, o suspeito foi alvejado mais seis vezes pelo dois agentes.

O método Giraldi, repassado a todos os policiais, determina que durante uma abordagem, a contenção do suspeito, caso seja necessária, deve ser feita com apenas dois disparos quando o agente está manuseando revólver, pistola ou metralhadora portátil. “Na vida real, quando não forem suficientes para fazer cessar a ação de morte do agressor contra a sua vítima, serão repetidos”, aponta um item do método.

Neste caso específico, os PMs não seguiram a orientação, já que, depois do primeiro disparo, não se ouve mais nada do jovem, o que leva a crer que Thiago desacordou na hora.

De acordo com a PM, houve tiroteio. A versão não é confirmada por moradores locais, que afirmam, sem se identificar, que o jovem foi rendido e executado. No local da suposta troca de tiros, havia diversos fragmentos de bala e perfurações na parede e em carros estacionados em um lado da rua. O outro lado permaneceu intacto.

Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) afirmou que por volta das 23h50 de terça, os PMs prenderam em flagrante Leandro Pereira dos Santos, de 20 anos, com uma bolsa carregada de drogas, depois de a corporação ter sido acionada para atender uma denúncia de tráfico. A pasta afirma que o rapaz detido se entregou, e Thiago, tentou fugir.

“Em dado momento, Thiago se abrigou entre dois carros que estavam estacionados e voltou a atirar contra um dos PMs, que revidou. Outro policial veio em apoio, se aproximou pelo lado direito e também atirou, acertando o suspeito que morreu no local”, afirma a SSP. Quem viu a cena, desmente a versão oficial da pasta. “Como é que ele gritaria socorro três vezes antes de morrer se estivesse fugindo?“, questiona um morador local.

A SSP afirma, ainda, que ao lado do corpo foi encontrado um revólver calibre 38. A polícia diz que Leandro estava com uma mochila que tinha 80 papelotes de maconha, 219 pinos de cocaína, 58 frascos de lança perfume, 34 pedras de crack, além de R$ 14,80 e um telefone celular. Outro morador da região, que também viu a cena, desmente novamente a versão oficial.“Eu e os outros vizinhos que viram, estávamos conversando sobre o caso. Ninguém se lembra de sequer ter visto a mochila”, afirmou.

Um garoto conta que, depois da execução, os policiais voltaram ao local para revistar os celulares dos moradores. “Ele chegou, apontou a arma e falou pra mim virar pra parede, e pediu o celular. Queria ver se tinha vídeo”, afirmou. Um amigo de Thiago afirma ter sido o último a falar com ele. “Poderia ter sido eu e um outro amigo nosso. A gente estava na rua, bebendo. Ele ainda ajudou um nosso amigo que estava bêbado a voltar pra casa. Só de pensar que as últimas palavras dele foram com a gente, dá um aperto enorme”.

O DHPP (Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa) instaurou inquérito policial para investigar o caso. A Ouvidoria das Polícias de São Paulo afirmou que levará o caso à Corregedoria nesta quinta-feira (11/12).

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