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Linn da Quebrada: ‘Minha música é feitiço, manifesto, denúncia e ponte’

02/06/18 por Daniel Arroyo, Fernando Martins, Larissa Darc, Caê Vasconcelos e Wallace Leray

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Lina Pereira, a Linn da Quebrada, fala com a Ponte sobre corpo trans, construção de identidade e carreira

Em meio a um conjunto de prédios cor-de-areia, localizado no extremo da zona leste de São Paulo, havia um apartamento que se destacava dos demais. O piso azul claro contrastava com a parede pintada em um tom de mostarda, repleta de pequenos quadros com frases de militância. Ao invés de televisão, pandeiro, violão e uma grande caixa de som faziam a composição do espaço livre da sala de estar.

Do lado do sofá branco de três lugares, uma estante de madeira guardava livros de teatro, artes e produção cultural. “Eu gosto de cinema, eu gosto de ler, eu gosto de descobrir coisas que eu nem sabia que gostava”, explica Linn da Quebrada, que em uma tarde de quarta-feira abriu as portas da casa dela para um bate-papo com a Ponte.

Lina Pereira, a Linn da Quebrada | Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Lina Pereira, 27 anos, é atriz, cantora, compositora e ativista. Referência no movimento trans, teve a sua história contada no documentário “Bixa Travesty”, que em fevereiro deste ano foi premiado no Festival de Berlim. A obra, dirigida por Claudia Prisicilla e Kiko Goifman, venceu na categoria apelidada de “Urso de Ouro LGBT”.

Nascida na periferia de São Paulo, passou grande parte da infância e da adolescência nas cidades de Votuporanga e São José do Rio Preto, no interior paulista. Durante esses anos, frequentava uma congregação da Testemunha de Jeová. “Eu aprendi muitas coisas dentro da congregação, principalmente sobre o sentido de comunidade. Eu lembro que eles eram uma família para mim. O grande lance foi que quando eles descobriram que eu não gostaria de ser exatamente o que eles esperavam que eu fosse, fui expulsa”, diz. Após esse episódio, voltou para a capital e iniciou a carreira como artista.

Autora de canções como “Bixa Preta”, “Enviadecer” e “Mulher”, a artista diz que encontrou no funk e no pop uma forma de produzir novas realidades. Ela explica que utilizava a repetição dos refrãos para trabalhar questões ligadas à autoestima. “Eu vejo a minha música como algo que me conecta a mim mesma, como um feitiço, como um manifesto, como denúncia, como ponte. É algo que me conecta com outras pessoas”, diz Linn.

Ao se apresentar ao mundo como “terrorista de gênero”, Lina Pereira busca quebrar padrões enraizados pela cisgeneridade. “Por muito tempo foi dito que eu nasci no corpo errado. Agora chegou o momento de eu dar um novo sentido ao meu corpo”, afirma.

Essa forma de se relacionar com a sua identidade de gênero atraiu seguidores que se identificam com a figura que a artista representa. “A música tem poder de produzir memória, de contar história, poder de produzir um novo imaginário social, novas possibilidades. Quando comecei a fazer música, passei a acreditar na minha própria existência, acreditar que meu corpo era possível”, explica a artista. Quando questionada sobre como se relaciona com quem vai aos seus shows, ela não hesita em afirmar que se identifica com a plateia. “Eu me vejo muito no meu público. Eu sou fã da Linn da Quebrada”.

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