“Me chamaram de vagabunda quando tentei pedir ambulância a uma mulher agredida”

04/02/20 por Paloma Vasconcelos

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Testemunha relata ação violenta de policiais e hostilidade de civis que assistiam a cena da agressão em Santo André (Grande SP)

Policiais usaram spray de pimenta e imobilizaram mulher de forma truculenta | Foto: reprodução

Uma mulher foi agredida por dois PMs entre a estação de trem e o terminal de ônibus em Santo André, na Grande SP. Segundo relatos de uma testemunha, a denúncia era de que a mulher havia quebrado uma lixeira e tentado agredir um homem, que não estava no local durante a ação.

Os policiais jogaram spray de pimenta nos olhos da mulher, que não foi identificada, e parecia estar em surto psicótico, segundo o relato da estudante Maria Carolina Farnezi, 27 anos, que presenciou a ação. À Ponte, ela relata o que viu. Além da ação dos policiais militares, a mulher recebeu hostilidade de quem passava por ali.

“Tinha uma aglomeração ao redor dessa mulher, um pessoal que trampa lá fazendo umas falas de lixamento, que ela merecia, que era maloqueira. Ela estava toda ensanguentada. Eu fui falar com os policiais que agiram de maneira violenta mandando eu sair fora”, relata Maria Carolina.

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A estudante afirma que era “nítido de saúde mental” e, quando tentou chamar uma ambulância, foi impedida por dois civis que assistiam à ação.

“Dois caras se exaltaram comigo, começaram a gritar e me chamar de petista e vagabunda para baixo. Falando que por causa de gente como eu o país não ia para frente, que se eu fosse jogar isso na internet eu ia atrapalhar o trabalho dos policiais que não estavam fazendo nada demais”, narra a jovem.

Um desses homens, afirma a jovem, pediu para que um dos PMs tirassem o celular da sua mão. Em resposta ao homem, o PM disse que “ela que filme, ela que tire foto, não estou nem aí”.

“Eu pedi para um dos policiais que ligassem para a ambulância e o outro perguntou o meu nome, perguntou quem eu era. Foi bizarro, eu fiquei assustada. Fiquei com muito receio dos homens que fizeram falas bem agressivas comigo e com a garota. Eu me senti muito impotente”, finaliza Maria Carolina.

Outro lado

A Ponte procurou as assessorias da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, da Polícia Militar e da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

A CPTM informou que, como o caso aconteceu na rua, entre a estação de trem e o terminal de ônibus de Santo André, não cabe a eles responder sobre o assunto.

Às 19h37 de terça-feira (4/2), a Secretaria da Segurança Pública, por meio de sua assessoria de imprensa terceirizada, a InPress, explicou que os PMs agiram porque viram uma mulher “atirando objetos nas pessoas que passavam pelo local – os PMs intervieram e a detiveram”. “Ela foi socorrida ao Centro Hospitalar da cidade, onde recusou atendimento, e foi encaminhada posteriormente ao 1º Distrito Policial de Santo André”, afirma a pasta.

Atualização às 19h48 do dia 4 de fevereiro para incluir posicionamento da SSP.

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