Meninos apreendidos como ladrões estavam só jogando bola, dizem testemunhas

24/04/17 por Kaique Dalapola

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Vizinha diz que adolescentes brincavam na rua enquanto a PM perseguia carro com os ladrões. Mesmo assim, foram apreendidos e levados à Fundação Casa

Jovens foram abordados em frente à casa de irmãos apreendidos / Foto: Arquivo pessoal

Cinco adolescentes, com idades entre 14 e 16 anos, foram apreendidos na rua Carlos Faria, Jardim Raposo Tavares, zona oeste da cidade de São Paulo, na noite de quarta-feira (19/04). Segundo a família dos jovens, a abordagem policial aconteceu em frente à residência de dois irmãos, que também foram apreendidos.

De acordo com as investigações de policiais civis do 89º DP (Portal do Morumbi), “cinco rapazes, alguns armados, haviam entrado em uma casa e roubado alguns objetos, fugindo em um Ford Ecosport”. Policiais militares da 4ª companhia do 16º BPM/M (Batalhão da Polícia Militar Metropolitano) teriam localizado o veículo na rua Hugo Takahashi, onde “os suspeitos desembarcaram e iniciaram fuga a pé em um viela”.

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A versão registrada no Boletim de Ocorrência é contestada por familiares e vizinhos dos adolescentes. Segundo o autônomo Nelson Pereira Ferreira, 60 anos, pai de dois dos adolescentes apreendidos, os cinco jovens, que são amigos, estavam brincando na rua quando foram abordados.

“Eu cheguei em casa umas 19h20. Os meus meninos estavam dentro [de casa], deu um tempo e eles saíram para ir brincar na rua. Depois de alguns minutos, a polícia chegou”, afirma o pai dos jovens de 14 e 16 anos. O autônomo ainda conta que a abordagem aconteceu em frente à sua casa.

Nelson diz que os três amigos de seus filhos foram levados para a delegacia e os PMs teriam dito que os irmãos não seriam detidos. No entanto, minutos depois, os mesmo policiais que apreenderam os três adolescentes voltaram e também conduziram os irmãos à delegacia.

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Uma moradora da rua onde aconteceu a ocorrência, Juliana Alves, 47 anos, afirma que os PMs bateram em um dos meninos, que tem problema de saúde mental. Juliana ainda disse que os policiais haviam visto e falado com os adolescentes pouco antes de abordá-los. “A polícia estava em perseguição de um carro e as crianças estavam na rua brincando. A polícia falou para eles saírem da rua porque estava perigoso. Depois eles [policiais] voltaram e prenderam os cinco meninos que estavam aqui na rua”, relata.

Juliana afirma que, menos de três horas antes da apreensão, pelo menos dois dos adolescentes estavam na escola. A versão é confirmada por uma professora que  dá aula na rede pública para um dos adolescentes apreendidos, e não quis ser identificada: “O Pedro [nome fictício] foi para escola, sim. A aula termina às 18h20. Eu não entrei na sala dele na quarta-feira, mas vi que ele estava na escola”.

Os meninos foram encaminhados para a Fundação Casa do Brás na manhã de quinta-feira (20).

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