‘A mídia acabou com minha carreira e com minha família’, diz advogada presa

Advogada e modelo Luana Don, presa por suspeita de ligação com PCC, nega acusações e diz que nunca esteve foragida, mas se escondeu para fugir de massacre midiático

“A mídia acabou com a minha história, com a minha carreira e com a minha família.”

O desabafo foi feito pela advogada, modelo e jornalista Luana de Almeida Domingos, 32 anos, Luana Don, acusada de integrar a célula jurídica do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Luana foi ouvida pelo juiz Gabriel Medeiros, da comarca de Presidente Venceslau, no oeste do estado de São Paulo.

O magistrado preside o processo da Operação Ethos, deflagrada em novembro do ano passado e que apura o envolvimento de advogados com a organização criminosa PCC.

Durante o interrogatório, Luana disse que a mídia foi agressiva e mentirosa com ela.

Afirmou ainda que jamais pisou em um presídio e, portanto, nunca mostrou os seios para nenhum presidiário, como foi veiculado por uma emissora de TV de São Paulo.

O interrogatório de Luana foi gravado. A Ponte teve acesso às imagens.

Luana Don | Foto: Arquivo Pessoal

Na audiência judicial, Luana negou ser integrante da célula jurídica do PCC, chamada de “sintonia dos gravatas” e de fazer parte da organização.

Ela também alegou que não ficou foragida quando a Operação Ethos foi deflagrada e que apenas permaneceu escondida na casa de um tio porque foi massacrada pela mídia e teve medo de sair às ruas.

Em 22 de novembro do ano passado, quando a Operação Ethos foi deflagrada, Luana estava em Realengo, no Rio de Janeiro, onde participaria das gravações de um filme.

Luana foi presa em 4 de julho deste ano, em Ilhabela, litoral norte de São Paulo.

Ao menos 53 pessoas foram denunciadas à Justiça na Operação Ethos. A maioria é formada por advogados.

A advogada está presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no oeste do estado, onde aguarda julgamento em cela comum.

Luana afirmou ao juiz que pretende cancelar o seu registro de advogada na seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

E acrescentou que ainda não pediu o cancelamento porque tem esperança de ser removida do presídio para uma sala de Estado Maior, um espaço “com instalações e comodidades condignas” que o Estatuto da Advocacia prevê para advogados presos que ainda não receberam condenação definitiva.

Foto de Luana no site da Secretaria da Segurança Pública, antes da sua prisão | Foto: Reprodução

A jornalista trabalhou como repórter entre os anos de 2012 e 2015 na Rede TV!, em São Paulo. Amigos dela criaram na internet a página liberteluanadon.

Por causa do grande número de réus, o juiz Gabriel Medeiros decidiu desmembrar os processos da Operação Ethos.

Um grupo de advogados já foi condenado pelo magistrado, inclusive os irmãos Vanila e Davi Gonçales.

Ambos foram acusados de cooptar o ex-diretor do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), Luiz Carlos dos Santos, para os quadros do PCC.

Santos também foi condenado. Segundo a Justiça, ele confessou a participação no crime.

O ex-diretor do Condepe foi acusado de receber R$ 5 mil mensais do PCC para divulgar falsas denúncias de violações de direitos humanos, especialmente no sistema prisional paulista.

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