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Morto após ser levado pela PM, Lucas sonhava em ser bombeiro. Uma brigada usa seu nome para salvar o Pantanal

14/10/20 por Caê Vasconcelos

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Grupo de ativistas voluntários que atua para combater incêndios na região foi batizado com nome de menino de 14 anos da Favela do Amor, em Santo André (SP)

Brigada Antifascista Lucas Eduardo Martins dos Santos

Lucas Eduardo Martins dos Santos, 14 anos, sonhava em ser bombeiro. Mas seu sonho, e sua vida, foram interrompidos. Há 11 meses, o adolescente saiu de casa, na madrugada do dia 13 de novembro, na Favela do Amor, na Vila Luzita, periferia de Santo André (Grande São Paulo), para comprar um pacote de bolachas e um refrigerante e sumiu.

Seu corpo foi encontrado dois dias depois boiando em um lago no Parque Natural Municipal do Pedroso, na mesma cidade, a 10 quilômetros de sua casa. O exame do IML apontou que Lucas morreu afogado, o que a família afirma não acreditar. Eles contam que duas testemunhas asseguram que o menino foi abordado por dois PMs.

Foi por conta desse sonho interrompido que o cineasta Raoni Gruber, 35 anos, que integra a Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio do ABC, depois de conversar com Maria Marques Martins dos Santos, 39 anos, mãe de Lucas, decidiu homenagear o adolescente.

Leia também: Lucas, 14, está morto. Ele sumiu após abordagem da PM, diz família

“Falei para a família sobre o que estávamos pretendendo fazer e elas autorizaram o uso do nome. Disseram que seria uma honra levar o nome do Lucas para a nossa Brigada e, então, levei para o coletivo a questão. Todos concordaram e acharam que seria importante usar o nome dele”, conta Gruber.

Foi aí que surgiu a Brigada Antifascista Lucas Eduardo Martins dos Santos. Durante o mês de setembro, acompanhando a televisão e mídias sociais, o grupo viu a situação dos incêndios no Pantanal e Amazônia. “Durante uma semana nos organizamos para tentar viabilizar a nossa ida para lá pra poder atuar de alguma forma nesse combate. Não existia uma brigada de incêndio até o momento, eram ativistas de diversos coletivos que se mobilizaram para ir atuar na região”, conta o cineasta.

Brigada é voluntária no Pantanal | Foto: Arquivo pessoal

Com 13 membros, todos voluntários, a Brigada se dividiu em quatro grupos para fazer os primeiros combates e dar suporte para algumas comunidades e tinham sido afetadas pelos incêndios. Entre elas comunidades quilombolas e indígenas, além de regiões de mata e santuários de animais.

“Recebemos diversas doações de recursos e equipamentos vindos de diversas pessoas que possibilitaram nossa ida e atuação. Lá atuamos ao lado da Brigada Autônoma e pessoas autônomas durante todo esse processo”, conta Gruber.

Leia também: Incêndios já tomam quase metade das terras indígenas no Pantanal

A ideia da Brigada, continua o ativista, funciona de três formas: a curto prazo, combate incêndios e dá ajuda emergencial para animais feridos e comunidades afetadas, além de fazer mapeamento de comunidades atingidas e listar as necessidades de cada uma; a médio prazo, realizam atendimento com suporte de alimentos, recursos e ferramentas a essas comunidades e animais; a longo prazo vão fornecer formação de brigadas em comunidades isoladas para que possam combater melhor o fogo nos próximos anos, assim como reparação de danos oriundos do incêndio.

Gruber conta que a situação no Pantanal está crítica. “Atuamos na Chapada dos Guimarães, em Cáceres, em quilombos de Livramento, em território Xavante e ao longo da Transpantaneira, próximo a Poconé. Há lugares que já estão completamente devastados”.

“Em outros lugares, o fogo está incontrolável e em alguns conseguimos combater os incêndios, dar suporte para as comunidades com ferramentas, equipamentos e alimentos, assim como no resgate e tratamento de animais feridos. Também ajudamos a minimizar os efeitos da seca espalhando água e alimentos em viveiros de animais próximo de açudes que haviam secado”, conta.

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Para Raoni Gruber, historicamente, existe um plano de extermínio de comunidades tradicionais: povo preto, indígena e periférico. “Existe também um plano de destruição de biomas para o avanço da monocultura e extrativismo predatório”.

Apesar disso, aponta, não dá pra dizer que todas as queimadas são criminosas. “Vimos casos de fogo acidental, mas indícios que dão a entender que grande parte das queimadas são, sim, criminosas, pois elas atingem principalmente parques nacionais e territórios indígenas, quilombolas e periféricos no entorno de grandes propriedades rurais”.

Errata: A matéria foi atualizada às 13h20 do dia 15/10 para corrigir o nome da mãe de Lucas

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