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Motoboy negro agredido por PM é solto nesta quarta-feira

01/09/20 por Arthur Stabile e Amauri Gonzo

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Entregador foi preso por ‘tentativa de roubo’ apesar de não estar armado; juíza pediu à Corregedoria que investigue acusação de agressão pelo policial influencer Felipe da Silva Joaquim

O motoboy André Andrade Mezzette, que foi agredido pelo PM Felipe da Silva Joaquim | Foto: Arquivo Pessoal

O entregador André Andrade Mezzette, 29, preso neste sábado (29/8) após ser agredido pelo policial militar Felipe da Silva Joaquim, 30 anos na zona norte da capital paulista, teve sua prisão preventiva revogada na noite desta terça-feira (1/9) e foi solto na manhã desta quarta (2/9), informa o advogado Paschoal Caruso Junior, 43 anos.

Um PM havia acusado André de tentar assalta-lo, apesar de o motoboy não portar nenhuma arma no momento da agressão. Imagens obtidas pela Ponte mostram André gritando por socorro sendo agredido pelo PM armado e à paisana.

Em sua decisão, a juíza Tania da Silva Amorim Fiuza reverteu a prisão preventiva dada no domingo (29/8) por outra magistrada, Vivian Brenner de Oliveira. Vivian considerou que André não tinha residência fixa.

Em nova análise, Tania da Silva diz que “não é cabível a manutenção da prisão do averiguado, visto que há fundadas duvidas sobre a materialidade da suposta tentativa de roubo”, uma vez que o motoboy tem emprego, endereço fixo e que não portava arma ou simulacro na ocasião da suposta tentativa de roubo – importante notar também a importância dos vídeos de denúncia, que a juíza afirma ter visto e que influenciaram a decisão.

André deixa o CDP do Belém na manhã desta quarta-feira (2/9) – Foto: Arquivo pessoal

Além disso, a segunda decisão, a favor da liberdade, termina com um pedido de que a Corregedoria da Polícia Militar apure o caso da agressão de Felipe contra o entregador.

“É uma notícia maravilhosa”, diz o advogado do motoboy. “A revogação dá indícios de que a Justiça está prestando atenção no caso e que ela será efetivamente aplicada”, comemora.

André estava preso desde o dia em que foi agredido pelo policial. Segundo sua família, o homem havia acabado de entregar uma pizza quando deu uma pausa no serviço. Ele acendeu um cigarro de maconha, quando o policial Felipe da Silva Joaquim o abordou.

Soldado usa seu perfil nas redes sociais para publicar fotos fardado e ações policiais | Foto: Reprodução/Instagram

Felipe, que estava sem farda, aparece em imagens arrastando André. Ele o leva parede e o chama de “verme”, “arrombado” e “noia”. O policial sustentou à Polícia Civil que André havia tentado assaltá-lo ao fazer menção de sacar uma arma, mesmo sem ter nenhum armamento com ele.

O delegado André César Pereira Leocata, do 73º DP (Jaçanã) acatou a versão do policial e determinou a prisão em flagrante do motoboy. Não consta no Boletim de Ocorrência a versão dos fatos do ponto de vista de André, que no momento da elaboração do documento era atendido na UPA (Unidade de Pronto atendimento) do Jaçanã por causa de uma coronhada na cabeça.

A prisão do entregador gerou um protesto na noite de domingo (30/8) em frente ao 72º DP, na zona norte de São Paulo, com amigos levantando cartazes pedindo justiça, e foi bastante divulgada pela imprensa.

Com quase 100 mil seguidores no Instagram, o policial Felipe da Silva Joaquim utiliza suas redes sociais para exaltar a corporação e compartilhar perseguições e abordagens feitas pela Rocam (Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas).

ATUALIZAÇÃO: Esta reportagem foi atualizada às 10h47 desta quarta-feira (2/9) para incluir a informação de que André foi libertado.

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