MP entra nas investigações sobre chacina na zona norte de SP

    Ouvidor das polícias havia solicitado presença do Ministério Público por causa da suspeita de participação de policiais

    Promotora acompanhará trabalho do DHPP | Foto: reprodução/TV Tribuna

    O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) designou a promotora Renata Cristina de Oliveira para acompanhar as investigações sobre a chacina ocorrida na Vila Miriam, na zona norte da cidade de São Paulo, em 7 de janeiro. Quatro pessoas morreram e duas ficaram feridas em ataques a tiros disparados de um Fiat Pálio prata.

    Na grande maioria dos casos, os promotores só começam a atuar depois que as investigações policiais são concluídas e o MP-SP recebe o relatório do inquérito elaborado pelo delegado da Polícia Civil encarregado do caso. Desta vez, porém, o Ministério Público preferiu não esperar tanto e, quatro dias após o crime, designou a promotora para atuar em conjunto com a Polícia Civil.

    No Ministério Público dede 2007, Oliveira vai atuar no caso ao lado da 3ª Delegacia de Homicídios Múltiplos do DHPP (Departamento Estadual de Homicídio e Proteção à Pessoa), comandada pelo delegado Antônio Carlos Cândido Araújo.

    A Ponte solicitou ao Ministério Público entrevista com a promotora, porém o pedido foi negado. “Ela prefere não manifestar no momento, porque ainda está se inteirando do inquérito”, argumentou a assessoria de imprensa em nota. Anteriormente, o MP-SP apontou que a entrada escolha de promotor para o caso tem por fim tomar “todas as providências cabíveis para que os responsáveis pelo crime sejam identificados e condenados”.

    O MP não respondeu se a entrada da promotora no caso indicaria uma possível suspeita a respeito da participação de policiais na chacina, já que o artigo 129 da Constituição Federal estabelece que é função do Ministério Público “exercer o controle externo da atividade policial”.

    Perícia realizada nos locais dos ataques encontrou quatro cápsulas de calibre .40, de uso exclusivo das polícias. Três estavam ao lado do corpo de Willian Tomas Oliveira Leite, na Rua Brasilina Vieira Simões, e a quarta junto de Matheus da Silva Rocha, na Rua Duarte Moreira, distante um quilômetro da primeira vítima.

    A presença da munição usada por policiais já havia levado o ouvidor das polícias, Júlio César Fernandes Neves, a pedir a presença do MP no caso. “Essa situação da .40 nos obriga a cobrar que o Ministério Público participe da investigação”, afirmou Neves em entrevista à Ponte.

    Além de Matheus, morreram na chacina Bryan Dantas de Carvalho, 16, e Luís Vagner Gonçalves de Oliveira, 18, também na Rua Duarte Moreira. Outras duas pessoas foram baleadas, mas sobreviveram. Ambos estavam na Rua Santo Antônio dos Coqueiros, a 100 metros de três dos quatro mortos.

    Em entrevista à Ponte, a mãe de Matheus destacou o temperamento tranquilo e responsável do filho. “Ele estava com vaga garantida para voltar a estudar esse ano, ia terminar o ensino médio em um supletivo. Meu filho estava satisfeito com a vida dele ali no ferro velho, ganhando o dinheiro dele”, contou Maria Cecília Livino da Silva, ajudante de cozinha e cuidadora de idosos.

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