Você pagou a arma e as balas que mataram essa jovem

    O PM Daniel Piauí da Costa usou uma arma da corporação para matar a ex-esposa Suelma de Sousa e se suicidar

    Suelma foi morta com um tiro pelo ex-companheiro | Foto: reprodução/Facebook

    A eletricista Suelma de Sousa Oliveira completaria 32 anos no próximo domingo (12/1). Mas, na última quinta-feira (9/1), por volta das 6h da manhã, ela se tornou mais uma vítima de feminicídio. O autor foi Daniel Piauí da Costa, policial militar de 31 anos e ex-companheiro de Suelma, que a matou em casa, no Portal do Oeste, na cidade de Osasco, na região metropolitana de São Paulo.

    Em seguida ao feminicídio, o policial cometeu suicídio. A arma usada no crime pertence à Polícia Militar do Estado de São Paulo, a mesma que ele usava para fazer o trabalho de policiamento nas ruas há quase dois meses. Daniel fazia parte da corporação desde novembro de 2019.

    Apesar de separados, de acordo com a Polícia Civil, Daniel se recusava a mudar de endereço. O crime foi registrado no 10º DP de Osasco como feminicídio e suicídio. Segundo o B.O. (Boletim de Ocorrência), Suelma estava sentada na cadeira da cozinha e Daniel em pé quando cometeu o crime. Foram dois disparos: um na vítima e, em seguida, um nele mesmo. A jovem, nascida em Osasco, será velada no Piauí, onde seus pais moram atualmente.

    A atendente Grazielle dos Santos Silva, 19 anos, vizinha de Suelma, contou à Ponte como foi a manhã do dia da morte no condomínio em que a vítima morava. Elas se conheciam desde a infância, já que sempre moraram perto uma da outra. Onde hoje são prédios residenciais, afirma Grazielle, antes era uma favela.

    A jovem conta que não sabia que Daniel era PM e nunca havia conversado com ele. O relato é de que as brigas entre Suelma e Daniel eram frequentes, mas pararam por um tempo. Elas voltaram no último domingo (5/1), com maior intensidade.

    “Pela manhã, por volta das 6h, eu acordei com um disparo, um grito dela e mais um disparo. Eu fiquei desesperada, porque eu não sabia se era realmente um tiro ou se tinha caído alguma coisa durante a discussão. Mas logo depois do barulho teve um silêncio muito grande”, relata Grazielle à Ponte.

    “No mesmo momento eu liguei para a polícia. Não deu 10 minutos e eles chegaram. Tocaram a campainha e ninguém atendeu, então eles entraram. Quando entraram se depararam com a cena dos dois na cozinha, já mortos. O resgate veio mais para constatar a morte deles”, completa a vizinha, que conta ter conhecimento de que Suelma e Daniel não estavam mais juntos, mas o PM pediu para ficar na casa até encontrar outro local para morar. “Esse deve ser sido o maior erro dela”, desabafa Grazielle.

    A Ponte questionou a SSP (Secretaria da Segurança Pública), liderada pelo general João Camilo Pires de Campos neste governo de João Doria (PSDB), sobre o feminicídio praticado pelo PM e consequente suicídio cometido com a arma da corporação. Em nota enviada pela assessoria de imprensa terceirizada, a InPress, a pasta explicou que “uma arma foi apreendida e encaminhada para perícia. O caso foi registrado como feminicídio e suicídio pelo 10º DP de Osasco, que apura os fatos”.

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