Na prisão, PCC ameaça cortar pescoço de ex-vice do conselho de direitos humanos

06/12/16 por André Caramante

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Luiz Carlos dos Santos confessou ter sido financiado mensalmente pelo PCC em troca de favores

 

Caramante

Luiz Carlos dos Santos diz que foi ameaçado pelos advogados Lago Júnior (à esquerda na foto) e Davi Gonçales (à direita) dentro da prisão – Fotos: Reproduções

Luiz Carlos dos Santos, agora ex-vice-presidente do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), órgão da Secretaria de Estado dos Negócios da Justiça de São Paulo preso em 22 de novembro na Operação Ethos, revelou ter sido ameaçado de morte na prisão onde está hoje, a Penitenciária 1 de Presidente Venceslau (a 629 km da capital).

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Após um primeiro depoimento, em 24 de novembro e no qual confessou receber mesada da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), Santos pediu para falar novamente com a Polícia Civil em Presidente Venceslau e, em 29 de novembro, o ex-vice do Condepe relatou que José de Ribamar Baima do Lago Júnior, um dos 35 advogados presos na mesma Operação Ethos, o procurou durante o banho de sol na prisão e o questionou sobre seu depoimento à polícia.

Santos disse ao advogado Baima que estava desconfiado com o que classificou como uma demora no depoimento do ex-vice do Condepe à polícia e queria saber o conteúdo do interrogatório.

Luiz Carlos Santos, vice-presidente do Condepe - Foto: Divulgação/TJ-SP

Luiz Carlos Santos, vice-presidente do Condepe – Foto: Divulgação/TJ-SP

Após responder a Baima que falou “70% do tempo sobre seu trabalho”, Santos ouviu do advogado: “Bem, Luiz, se você reconheceu alguém ou falou em nome de algum integrante do PCC, vamos ter acesso ao seu termo de declaração e aqui [na P1 de Presidente Venceslau] não ocorrerá nada, mas quando você chegar no CDP [Centro de Detenção Provisória] irão cortar o seu pescoço, mesmo se você estiver solto, nós vamos atrás de você e da sua família”. A ameaça de Baima, segundo Santos, aconteceu em 25 de novembro.

Na tarde do mesmo dia, Santos foi procurado por outro advogado preso na Operação Ethos, Davi Gonçales, também interessado no conteúdo do depoimento do ex-vice do Condepe à polícia. Foi Davi que, ao lado de sua irmã, a advogada Vanila Gonçales, também presa, cooptou Santos para o PCC e armou com ele denúncias falsas contra a Segurança Pública e Administração Penitenciária de São Paulo.

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