Ônibus e carros da polícia são atacados após morte de traficante em Manaus, diz Secretaria da Segurança Pública

06/06/21 por Paulo Eduardo Dias

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Comitê de crise foi criado pelo governador do Amazonas Wilson Miranda Lima (PSC) para que possa receber e apurar denúncias das depredações; setor de inteligência da polícia aponta que ordem para os ataques partiu de presídio

Ônibus foram atacados em diversos bairros de Manaus, o que fez com que coletivos fossem retirados das ruas | Foto: Reprodução

O governador do Amazonas Wilson Miranda Lima (PSC) criou um comitê de crise para que possa receber e apurar denúncias de ataques a ônibus, viaturas e depredações de prédios em Manaus, capital do estado. As ocorrências tiveram início ainda na madrugada desde domingo (6/6). Segundo nota da Secretaria de Segurança Pública (SSP), as ações de vandalismo ocorrem “em razão da morte de um traficante”. Segundo a pasta, 14 pessoas envolvidas nos incêndios e nas depredações foram presas.

Até o início da noite do domingo (6/6), a SSP computava 21 veículos incendiados, incluindo ônibus e viaturas, além de quatro agências bancárias, um comércio e um Pronto Atendimento ao Cidadão, unidade administrada pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos. Uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também foi atacada. Além da capital, também foram anotados ataques em Parintins e Careiro Castanho.

Segundo o secretário de Segurança do Amazonas, coronel Louismar Bonates, o policiamento foi reforçado para garantir que o direito de ir e vir da população não seja prejudicado. Muitos dos ataques foram gravados pelos autores e as imagens foram parar nas redes sociais, como o incêndio a um banco e a um terminal de ônibus. Em algumas das imagens é possível ouvir xingamentos a Bonates.

Informações obtidas pelo setor de inteligência da Secretaria de Segurança Pública indicam que a ordem de depredações partiu de um presídio. “Os nomes dos mandantes também já estão sendo levantados e estes serão, posteriormente, transferidos para um presídio federal”, diz trecho da nota. Os ataques estariam relacionados ao assassinato de uma liderança de uma das facções criminosas que atuam no Amazonas.

Leia também: 17 mortos pela PM em Manaus: ‘foi assassinato’, diz ativista

Erick Batista Costa, de 30 anos, foi morto durante uma troca de tiros com policiais da Rocam (Rondas Ostensivas Cândido Mariano) na noite de sábado (5), no bairro Novo Aleixo, zona norte de Manaus.  Segundo a nota da SSP, “por volta das 20h, os policiais receberam uma denúncia anônima informando que o líder de uma facção criminosa estava portando uma arma de fogo na rua Newton Vieira Alves.

A guarnição da Rocam foi até o local e encontrou um homem com as características descritas na denúncia”. O texto ainda afirma que, “ao perceber a presença dos policiais, o infrator correu para o interior de uma estância e começou a atirar contra guarnição. Durante a troca de tiros, o infrator foi atingido. Ele foi socorrido e levado ao Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo, mas não resistiu aos ferimentos e morreu minutos depois de dar entrada na unidade hospitalar”. O caso foi registrado na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros.

“Isso é uma reação do tráfico de drogas e a todas as ações de enfrentamento que nós estamos fazendo a essas atividades criminosas. O estado do Amazonas no ano passado fez uma apreensão recorde de drogas, 19 toneladas. Só nesse ano, de janeiro a maio, já foram apreendidas 11 toneladas. E já foram apreendidas, de janeiro a abril, 832 armas”, disse o governador Wilson Lima. “Quatorze pessoas já foram presas, dentre elas um dos líderes desses ataques coordenados na cidade de Manaus, no município de Parintins e também no Careiro Castanho”.

O governador também contou que conversou com o ministro-chefe da Casa Civil do Governo Federal, general Luiz Ramos, para explicar a situação e as medidas que estão sendo tomadas.

Agências bancárias também foram destruídas neste domingo | Foto: Reprodução

Em Manaus, os ataques foram registrados nos bairros Planalto, Petrópolis, Cidade de Deus, Japiim, Tarumã Açu, Jorge Teixeira, Armando Mendes, Flores, Santa Etelvina, São José 2 e Novo Aleixo.

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Devido aos ataques, as empresas de ônibus decidiram recolher a frota, deixando a população de Manaus sem transporte coletivo neste domingo. Em nota publicada nas redes sociais o Sinetram (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas) repudiou os atos de vandalismo. “Atos dessa natureza, além de serem crimes de dano e ilícitos civis, visam disseminar o medo e inviabilizam o serviço essencial. Diante desse cenário, os maiores prejudicados são o usuário do transporte coletivo e os trabalhadores do sistema de transporte cujas vidas estão em risco”.

Atualização às 21h52 de domingo (6/6) para adicionar a quantidade de presos, de veículos incendiados, do nome do homem morto, que teria sido o estopim para os ataques, além do pronunciamento do governador.

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