Pedaço de osso achado em construção em SP é de animal, diz secretaria

18/12/19 por Maria Teresa Cruz e Caê Vasconcelos

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Laudo emitido pelo IML aponta que pedaço de osso é compatível com ‘animal mamífero de médio porte’; Polícia Civil investigava o caso a partir de denúncia anônima

Imagem de fragmento de osso encontrado em obra foi anexada no relatório de investigação | Foto: reprodução

Um laudo emitido pelo IML (Instituto Médico Legal) aponta que pedaço de osso recolhido em um canteiro de obras da construtora UNIQ, na Rua Abílio Soares, número 1.149, no Paraíso, zona sul da cidade de São Paulo, que, segundo denúncia anônima, seria humano, é de animal.

“O laudo necroscópico antropológico, emitido em 13 de dezembro, concluiu que a ossada é compatível com animal mamífero de médio porte e jovem com características diversas das da espécie humana”, diz nota enviada pela SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo).

A pasta, no entanto, não detalha qual a quantidade de material que foi para a análise e nem de onde foi tirado. A denúncia apontava seis ossadas e, além da obra na zona sul, indicava um local de desova na Grande São Paulo, mas na nota informando o resultado do laudo não está indicado em qual local foi tirada a amostra para análise.

O caso veio à tona depois de uma denúncia anônima recebida pela Polícia Civil que afirmava que funcionários de uma obra de prédios residenciais, feita pela construtora UNIQ, escavavam o local quando encontraram pelo menos seis ossadas.

A partir daí, a Delegacia Seccional de Diadema, na Grande São Paulo, abriu um inquérito para investigar os fatos em 7 de novembro. Mais duas empresas foram citadas no documento, Top Solo Fundações e Líder.

O local da construção do empreendimento fica a 150 metros da sede do antigo Doi-Codi (Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna), local em que integrantes da ditadura militar torturaram presos políticos. Hoje o 36º DP (Paraíso) funciona neste prédio.

O relato da denúncia era de que os ossos estavam cobertos por um pó branco que seria similar à cal, usado para amenizar o cheiro, e apresentavam “orifícios provocados por disparos de arma de fogo”. Testemunhas tiraram fotos para registrar o ocorrido.

Na denúncia, também havia a informação de que as imagens foram mostradas ao responsável pela obra que teria então feito uma reunião com “diretores e engenheiros” da UNIQ. A decisão foi que a obra seria tocada “por estarem com prazos encurtados e por se tratar de final de ano”.

Ainda, de acordo com a denúncia anônima, a ordem superior teria sido desovar os ossos em uma área em Carapicuíba, na Grande São Paulo. O documento afirma que um funcionário confirmou a ordem de juntar as partes que seriam humanas na terra e entulho da obra e descartá-las na Lagoa de Carapicuíba, na Avenida Consolação, 505, do município. Nada disso se confirmou, segundo a SSP.

A reportagem esteve no local da construção no último sábado (14/12) e constatou que as obras continuavam normalmente. A única vez em que a obra parou foi em 5 de dezembro, quando a defesa da UNIQ informou que achou mais um osso e que “nesses termos, requer que seja imediatamente oficiado o Instituto de Criminalística para que, com urgência, retire o osso e realize perícia, permitindo, assim, a continuidade da obra”. No dia seguinte, segundo o inquérito, a ossada foi retirada do local e a obra voltou a funcionar normalmente.

Em nota enviada à reportagem às 19h14 desta quarta-feira (18/12), a UNIQ posicionou-se dizendo que “a denúncia sobre ossadas é totalmente infundada”.

A Ponte fez as seguintes perguntas para a SSP:

Quando o laudo ficou pronto, uma vez que a nota enviada em 12 de dezembro informava que “o material recolhido (os ossos) foi encaminhado ao IML”?
A avaliação indica que são ossadas de animais de que tipo?
Solicitamos o conteúdo do laudo.

Atualização às 20h54 do dia 18/12 para incluir posicionamento da Uniq.

Atualização da reportagem às 10h59 do dia 19/12 para substituir o termo “ossadas” por “fragmento de osso” e “material recolhido” – termo usado pela SSP-SP. Até o momento, a pasta não respondeu onde e qual exatamente a quantidade e o tipo de material analisado pelo IML.

Atualização da reportagem às 10h48 do dia 20/12 para substituir o termo “ossada” por “pedaço de osso”, que é a expressão utilizada pelos próprios advogados da construtora, como pode ser conferido nesta página dos autos.

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