Pacote de Alckmim à Polícia é insuficiente, critica sindicato

Governador Geraldo Alckmin (à dir.) anunciou pacote para a Polícia Civil. Ao fundo, o secretário de segurança do Estado, Mágino Alves Barbosa Filho | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Governador de São Paulo anunciou nomeação de cargos, concurso, promoção de delegados, aquisição de viaturas e restauro de garagem. Especialista e sindicato criticam decisão que não supriria déficit

Governador Geraldo Alckmin (à dir.) anunciou pacote para a Polícia Civil. Ao fundo, o secretário de segurança do Estado, Mágino Alves Barbosa Filho | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Uma pacote de medidas do governador Geraldo Alckmim (PSDB) para a Polícia Civil de São Paulo mal foi anunciado e já recebeu críticas. O sindicato dos delegados e um especialista na corporação analisam como maquiagem e ação paliativa o pacote, oficializado no fim do penúltimo ano do governante à frente do cargo.

O governo anunciou que vai nomear 1.240 cargos, abrir 2.750 vagas em concurso e promover 63 delegados de polícia, restaurar a garagem “Alfredo Issa”, o garajão, comprar 80 viaturas, modernizar 120 delegacias e contratar serviços. Contudo, os números são suprem a atual carência, de acordo com o sindicato.

“Com déficit de 13 mil policiais, a Polícia Civil precisa de muito mais. Ainda ficarão faltando cerca de 1,7 mil aprovados os concursos de 2013. Todos precisam ser nomeados. Abrir novos concursos não é um presente, mas uma decisão atrasada que deveria ter sido tomada há muito tempo”, critica a presidenta do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Estado de São Paulo, Raquel Kobashi Gallinati, criticando a decisão “no apagar das luzes do governo”.

A associação aponta que, apesar dos 1.240 cargos liberados imediatamente, a necessidade de mais profissionais só irá aumentar por conta dos pedidos de aposentadoria, cerca de 1,3 mil já em abertura. Assim, ao menos novas 60 vagas não seriam preenchidas. Sobre os delegados, a argumentação é de que a lei obriga a realização de duas promoções ao ano, uma em março e outra em setembro.

“Este ano, a de março só saiu em setembro e a de setembro, só hoje? São atrasos e mais atrasos para cumprir a lei”, afirma Raquel. “O governador inova mais uma vez agora, fazendo promessa em final de mandato, não só no começo. É o fim. Os anúncios de hoje são obrigações do governante, não benesses”.

Presidente do Sindicato dos Delegados, Raquel Kobashi Gallinati exigiu respeito do Governo com a Polícia Civil | Foto: Reprodução/Sindpesp

As críticas também surgem em um especialista na Polícia Civil. “É mais maquiagem do que melhora efetiva. Os policiais estão sem aumento. Não tem plano objetivo de modernização em São Paulo, que necessita desburocratizar os trabalhos, melhorar a remuneração… São três anos sem sequer correção da inflação. Isto surge muito mais como cortina de fumaça pela pressão muito grande da imprensa e sindicato causado pelo sucateamento do PSDB junto à corporação nesses 20 anos”, sustenta a Ponte Rafael Alcadipani, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “Não pega bem para um candidato à presidência ter uma polícia assim”, prossegue, se referindo à intenção de Alckmin em concorrer nas eleições de 2018.

Alcadipani explica que a falta de de estrutura de trabalho para os policiais civis afeta diretamente na apuração de crimes e diminui o índice de esclarecimento das ocorrências e, consequentemente, existe impunidade. “Quem comete o crime sabe que uma polícia sucateada não vai ingestigar. Gera a sensação impunidade muito grande e, por outro lado, o desprestígio da população com relação à atuação policial. ‘Porque fazer BO (Boletim de Ocorrência) se não investiga? Se sei que não vai dar em nada, não vou nem reportar’. As pessoas pensam assim”, exemplifica.

Palavra do governador

Geraldo Alckmin detalhou parte do pacote para a Polícia Civil. Dos 1.240 cargos, serão 64 delegados, 269 escrivões e 907 investigadores e 324 cargos para a Polícia Técnicocientífica. O invetimento para a reforma no garajão, na Luz, será de R$ 20 milhões e as reformas nas 120 delegacias envolvem troca da parte elétrica, informática, substituição de equipamentos, internet, contratação de duas atendentes, reforma com novo visual.

“São 1.240 novos policiais que imediatamente já vão para a Acadepol, a academia de polícia, 90 dias, mas já recebendo nomeados, e, em seguida, assumem seus postos no começo do ano”, afirmou o governador ao programa Brasil Urgente, da TV Bandeirantes. “E as novas viaturas. Entre civil e militar, são 1.080 viaturas novas, 0 km. É um estímulo, também, para a nossa polícia”, prosseguiu Alckmin, sem anunciar o aporte total do pacote à Polícia Civil.

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