Palmeirense afirma ter sido agredido pela PM após jogo do último domingo

Guilherme Sasaki teve o supercílio aberto e está afastado do trabalho; PM alega que policiais foram atingidos por garrafas e reagiram

O estoquista Guilherme Sasaki teve o supercílio cortado | Foto: arquivo pessoal

No último domingo (2/12), o estoquista Guilherme Sasaki, 20 anos, ficou dividido entre a alegria de ver o Palmeiras, seu time do coração, levantar a taça de campeão brasileiro e a indignação de ser agredido. Segundo o jovem, ele foi vítima de violência policial perto do Allianz Parque, teve o supercílio aberto por um golpe que levou e está afastado do trabalho desde o episódio.

De acordo com o relato de Guilherme, ele fez questão de chegar no estádio duas horas antes do jogo para não enfrentar tumulto. Neste momento, ele afirma que a rua do estádio já estava fechada pela PM (Polícia Militar) e que apenas quem tinha ingresso podia andar pela Palestra Itália. Ainda de acordo com o jovem, ele e mais sete pessoas, entre parentes e amigos, foram acompanhar o jogo em um bar, pois não tinham ingressos para o jogo e queriam ficar perto de onde iria acontecer a festa.

“Logo após o terceiro gol, quase no final do jogo, a polícia entrou em ação. Eles moveram uma barreira que veio da rua Caraíbas e começaram a atirar bombas de efeito moral e a distribuir tiros de borracha”, conta Guilherme, que ressalta a tentativa de alguns torcedores em conversar com os policias para saber o motivo da atitude. O ensaio de diálogo foi repreendido verbalmente.

A situação, segundo o jovem, piorou com o encerramento do jogo. “Eles começaram a partir para cima do pessoal. A gente contornou o bloqueio para irmos sentido metrô, no cruzamento da rua Palestra Itália com a avenida Antártica. Foi onde ocorreu a agressão”, lembra dizendo que ele e seus amigos passaram por cerca de quatro policiais que estavam discutindo com outros torcedores.

“Um amigo que tinha ido com a gente foi agredido. A polícia o empurrou e, assim que ele caiu no chão, o policial começou a agredir ele. A gente foi tentar separar ele da polícia e aí eu fui agredido. Não havia nenhum policial na minha frente. Fui agredido pelas costas por algum policial que estava fora do meu campo de visão”, afirma Guilherme, que acha que a PM agiu dessa forma para dispersar as pessoas.

“De qualquer forma, não me parece a conduta mais apropriada para esse tipo de situação”, pondera. “Me senti calado e injustiçado. Não tínhamos feito nada que justificasse sofrer esse tipo de retaliação. Nossa intenção era só tirar nosso amigo do meio da confusão”, desabafa o jovem que precisou tomar alguns pontos na região do rosto.

“Eu tive o supercílio aberto por um cassetete de uma forma bem técnica de neutralização. Muitas pessoas que estavam com a gente saíram com dores no corpo, mas quem mais se feriu foi esse amigo e eu. No caminho para o metrô deu para ver várias pessoas que estavam machucadas”, afirma Guilherme, que ao ser questionado sobre a formalização da denúncia da conduta policial em boletim de ocorrência disse: “Não acredito que teria efetividade”.

A Ponte procurou a Polícia Militar para comentar o caso de Guilherme. Em nota, a corporação disse que foi acionada para desobstruir a rua Palestra Itália após o encerramento da partida que aconteceu no domingo. De acordo com o posicionamento, “os policiais foram hostilizados e agredidos com garrafadas e pedras, sendo necessário o uso de munições de menor potencial ofensivo”. Ainda de acordo com a nota, um policial foi atingido no braço e socorrido ao pronto-socorro da Barra Funda, onde foi medicado e liberado.

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