PCC usa Facebook e YouTube como ferramenta de propaganda

19/12/16 por Josmar Jozino e André Caramante

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Para o MPE (Ministério Público Estadual), a “sintonia dos gravatas” do PCC criou a página “Pena Degradante” com um objetivo: divulgar falsas notícias de maus-tratos no sistema prisional paulista

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Canal no YouTube usado pela facção criminosa para denunciar problemas no sistema prisional de São Paulo – Imagem: Reprodução

O braço jurídico da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), conhecido como “Sintonia dos Gravatas”, criou uma página na rede social Facebook e na plataforma de vídeos YouTube para denunciar o que classifica de maus-tratos contra presos nas penitenciárias e CDPs (Centros de Detenção Provisória) de São Paulo.

A descoberta foi feita pela Polícia Civil em Presidente Venceslau (a 629 km da capital), no oeste do Estado, durante as investigações da Operação Ethos. Os trabalhos de apuração policial identificaram 54 pessoas, entre elas 39 advogados, acusadas de envolvimento com a maior facção criminosa do país. Os envolvidos tiveram a prisão preventiva decretada e foram denunciados à Justiça.

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Canal no YouTube usado pela facção criminosa PCC – Imagem: Reprodução

A citação da criação da página intitulada “Pena Degradante” no Facebook consta em e-mail endereçado a Valdeci  Francisco da Costa, o CI ou Cérebro, apontado como chefe do braço jurídico do PCC. A mensagem telemática foi interceptada com autorização judicial.

O e-mail traz informações codificadas, mas a Polícia Civil descobriu que a página foi criada com a ajuda de dois advogados chamados de R27 e R.28. A letra R significa “recursistas”, ou seja, advogados que entram com recursos na Justiça visando benefícios à liderança do PCC.

A maioria dos líderes da organização criminosa está recolhida na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau e no CRP (Centro de Redaptação Penitenciária) de Presidente Bernardes. Segundo a Polícia Civil, o R27 é a advogada Vanila Gonçales e o R28, o irmão dela, Davi Gonçales.

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Página “Pena Degradante”, no Facebook, era usada por advogados do PCC para divulgar problemas no sistema prisional de São Paulo – Imagem: Reprodução

Os dois também são acusados de cooptar o ex-vice-presidente do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), Luiz Carlos dos Santos, para fazer denúncias falsas contra policiais e desestabilizar as forças de segurança no Estado.

Santos também foi preso na Operação Ethos. Ele confessou a participação no esquema. E contou que recebia R$ 5.000,00 mensais da facção criminosa. De acordo com a Polícia Civil, ele foi ameaçado de morte na Penitenciária 1 de Presidente Venceslau, onde está recolhido desde o dia 22 de novembro deste ano.

O mesmo e-mail que cita a criação da página “Pena Degradante”  também menciona que Vanila e Davi vão entregar para Santos um aparelho com o sistema operacional Android para que os três possam trocar mensagens criptografadas, dificultando eventuais interceptações.

A página “Pena Degradante” ainda está no ar. Ela mostra vídeos feitos no ano passado pelos presos nos CDPs de Guarulhos (Grande São Paulo), Belém 1 e Belém 2 (zona leste de São Paulo). Essas unidades abrigam detentos integrantes do PCC.

Os presos usaram aparelhos de telefone celular para realizar as filmagens. Nas imagens aparecem os detentos em celas superlotadas, dormindo em redes por falta de espaço, e detentos abandonados em macas nos pátios e outros com doenças de pele.

Nas gravações, os presidiários reclamam que em celas com capacidade para 12 homens existem ao menos 70. Também se queixam da falta de água, das condições de higiene e da alimentação estragada.

Um dos presos diz que “é impossível recuperar ou reeducar  alguém nessas condições”.  No e-mail enviado para Cérebro, o remetente diz que quanto mais visualização tiver a página “Pena Degradante”, melhor será,  inclusive no YouTube. Um dos vídeos no canal foi visualizado por 243 mil, até a manhã desta segunda-feira (19/12) 

Para o MPE (Ministério Público Estadual), a “sintonia dos gravatas” do PCC criou a página “Pena Degradante” com um objetivo: divulgar falsas notícias de maus-tratos no sistema prisional paulista.

Página na internet

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Página com post feito por advogado apontado como integrante do PCC – Imagem: Reprodução

Em um e-mail interceptado pela Operação Ethos, policiais civis descobriram também que o PCC usava a página Sociedade Justa (www.sociedadejusta.com.br), onde há um banner com uma espécie de anúncio do Condepe, para propagandear suas articulações contra a política prisional no Estado de São Paulo.

A mensagem eletrônica partiu da conta usada pelo advogado Davi Gonçales (coracaovalente@hotmail.com) para o e-mail da também advogada Anna Fernandes Marques (fla.assessoria@outlook.com) e, segundo Gonçales, devia ser retransmitida ao detento Paulo Cézar Nascimento Júnior, o Paulinho Neblina, um dos 12 membros do Conselho Deliberativo do PCC.

O e-mail era um retorno de Gonçales para Paulinho Neblina sobre um post (http://sociedadejusta.com.br/punicao-coletiva-no-presidio-de-mirandopolis-1-interior-de-sp/) no qual tratou de uma punição da SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) contra detentos da Penitenciária de Mirandópolis (a 594 km da capital).

A publicação foi acompanhada de um ofício do Condepe, órgão no qual o PCC cooptou o então vice-presidente Luiz Carlos dos Santos, para promover vistorias em unidades prisionais indicadas pela facção criminosa. O documento é assinado por Rildo Marques de Oliveira, presidente do Condepe.

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Página com post feito por advogado apontado como integrante do PCC – Imagem: Reprodução

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Cópia de ofício emitido pelo então presidente do Condepe, Rildo Marques, foi colocado em post feito por advogado do PCC, segundo a Polícia Civil em Presidente Venceslau, interior de SP – Imagem: Reprodução

 

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Página Sociedade Justa tem banner do Condepe. Segundo a Polícia Civil, site foi usado pelo PCC – Imagem: Reprodução

  

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