PM de SP mata ex-jogador de futebol, pai de 4 filhos, ao confudi-lo com ladrão

José Alves, o Toni, foi jogador do Operário (MT). Em março de 2003, ele enfrentou o Palmeiras pela Copa do Brasil. Na foto, Alves aparece ao centro, com o calção n.8 e marcando o jogador Pedrinho, do Palmeiras

José Erlanio Freires Alves, 36 anos, conhecido no mundo do futebol como Toni, foi meia-direita do Operário (Mato Grosso). Ele foi morto por sargento da PM quando esperava, às 5h30 desta quarta-feira (13/01), carona para ir ao trabalho.
Caramante
José Erlanio Freires Alves, 36 anos, jogou futebol profissionalmente e era pai de 4 filhos. Foi morto pela PM de SP hoje (13/01) quando ia para o trabalho

Casado, pai de quatro filhos e a caminho do trabalho, o auxiliar de almoxarifado e ex-jogador profissional de futebol José Erlanio Freires Alves, 36 anos, conhecido como Toni, foi morto a tiros por um sargento da Polícia Militar de São Paulo, nesta quarta-feira (13/01), ao ser confundindo com um suspeito de roubar uma moto.

O crime aconteceu às 5h30 no cruzamento das avenidas João Pessoa com Sapopemba, no bairro Utinga, em Santo André (ABC paulista), perto da divisa com a zona leste da cidade de São Paulo, e foi gravado por câmeras de segurança de uma loja de eletrodomésticos e outros comércios da região.

Neste momento, o sargento da PM de SP Eduardo Pontes de Lima, 31 anos, responsável pelo tiro contra Alves está sendo preso em flagrante por homicídio por policiais civis de Santo André.  De acordo com investigadores, o militar afirmou ter atirado contra Alves porque ele carregava em uma das mãos a caixa preta com seus óculos de grau.

Alves trabalhava havia oito anos como auxiliar de almoxarifado na empresa Auto Metal Indústria Comércio, em Diadema, também no ABC paulista. No momento em que foi morto pelo sargento Lima, Alves aguardava um amigo que trabalhava no mesmo lugar e dava carona para ele todos os dias.

“Ele era um pai de família, um trabalhador e que só sabia fazer o bem para as pessoas”, disse José Cornelio Garcia, 50 anos, amigo que dava carona diariamente para o auxiliar de almoxarifado e chegou a passar pelo local onde o corpo de Alves estava, nesta manhã, mas foi informado apenas de que ali “estava um ladrão morto pela polícia”. “Um absurdo isso! Eu não sabia que era ele. Cheguei até a ir trabalhar normalmente. Achava que ele tinha ido de ônibus. Só quando a mulher dele ligou para a empresa é que fiquei sabendo desse absurdo”, disse.

Entre 2000 e 2005, segundo amigos, Alves atuou como meia-direita do Operário, time de Várzea Grande, no Mato Grosso. Em 12 de março de 2003, ele enfrentou o Palmeiras pela Copa do Brasil, ainda no antigo estádio do time paulista, e sofreu uma derrota por 5 a 1.

Em seu perfil na rede social Facebook, Alves exibia como foto de capa a foto daquela partida marcante em sua carreira como jogador profissional. Atualmente, Alves dividia seu tempo entre o trabalho na Auto Metal e defender vários times de várzea e de futebol de salão amadores do ABC paulista e da zona leste de São Paulo.

O enterro de Alves será amanhã (14/01), às 9h, no Cemitério Camilópolis, em Santo André.

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José Alves, o Toni, foi jogador do Operário (MT). Em março de 2003, ele enfrentou o Palmeiras pela Copa do Brasil. Na foto, Alves aparece ao centro, com o calção n.8 e marcando o jogador Pedrinho, do Palmeiras | Reprodução Facebook

 

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Amigos e parentes observam funcionários do IML (Instituto Médico Legal) retirando corpo do ex-jogador Alves

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