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PMs agridem jovem acidentado após perseguição policial

17/01/21 por Caê Vasconcelos

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Ação aconteceu na tarde do último dia 12 na Cidade Líder, zona leste da cidade de SP; “Não houve nenhuma desobediência ou reação do jovem abordado que justificasse a violência dos PMs”, aponta advogado

Imagens de uma câmera de segurança flagraram dois policiais militares agredindo um jovem que havia acabado de sofrer um acidente de motocicleta após uma perseguição policial, em 12 de janeiro, na Rua Padilha, em Cidade Líder, na zona leste da cidade de São Paulo.

Em registro feito no Copom (Centro de Operações da Polícia Militar), os policiais, identificados como soldados Jonatan Leite e Cauê, da 2ª Companhia do 19º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, disseram que fizeram “uso moderado da força da força para conter o indivíduo” porque um dos jovens acidentados teria desobedecido uma ordem para deitar no chão. As imagens, porém, mostram que o jovem é agredido por chutes e socos pelos dois policiais quando ainda estava colocando um capacete no chão, após ver os policiais, e que nem teve tempo de desobedecer ordens.

Segundo a própria PM, nenhum dos jovens havia cometido crime, nem estavam armados, e só foram perseguidos por terem fugido da viatura. O jovem que dirigia a moto, Ygor Lemos de Souza, morreu pouco depois, ao ser socorrido no Hospital Santa Marcelina. O outro jovem, que estava na garupa e foi agredido, acabou liberado.

Segundo o Copom, onde a ocorrência foi registrada como “desobediência, morte suspeita/acidental e apreensão de veículo”, os PMs Jonatan Leite e Cauê contaram que viram uma moto sem placa, com duas pessoas, na Rua Marino Silvani. Na descrição dos policiais, os jovens teriam demonstrado “nervosismo na forma de conduzir a motocicleta, olhando para trás com frequência, levando as mãos à linha de cintura e acelerando por entre os carros que transitavam pela via”. Por isso, os policiais passaram a persegui-los e fizeram sinal para que parassem.

Leia também: PMs são filmados torturando jovem e ameaçando comunidade

Os jovens não pararam e foram perseguidos pela PM até a Rua Padilha, onde a moto bateu em um portão. Foi nesse momento que os policiais saíram do carro e espancaram o garupa. Para justificar a agressão, os PMs disseram que tinham “o receio de que o motivo da tentativa frustrada de fuga fosse o porte de armamento”.

Os PMs, em seguida, revistaram a dupla e não encontraram nada com eles. Acionaram viaturas dos bombeiros para resgatar o motorista, Ygor Lemos de Souza, que morreu no hospital. O caso foi registrado no 53º DP (Parque do Carmo).

Leia também: Em novo conflito entre policiais civis e policiais militares, delegado critica PMs por ‘fraude processual’

Ainda de acordo com o histórico do Copom, os PMs questionaram o garupa sobre o motivo da fuga. “O detido declarou que o referido era usuário de drogas e estava à dias fazendo uso de cocaína e lança perfume”, afirma o registro.

“Acrescentou ainda que notou o condutor da motocicleta desfalecer na condução do veículo antes de colidir com o portão e esclareceu que não obedeceu as ordens de se afastar, tirar as mãos da linha de cintura e deitar no chão, pois, estava nervoso pelos acontecimentos oriundos da situação”, afirmou o histórico do Copom.

A pedido da Ponte, Ariel de Castro Alves, advogado especialista em direitos humanos e segurança pública pela PUC-SP e membro do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, analisou as imagens e o histórico.

“Pelas imagens, houve crime de abuso de autoridade por parte dos PMs. Não houve nenhuma desobediência ou reação do jovem abordado que justificasse a violência dos PMs. Já quanto ao jovem que faleceu deve se apurar se ele foi alvejado pelos PMs, que, caso tenham efetuado disparos, podem ser acusados de homicídio”, afirma.

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Sobre a discordância entre as imagens e o registro, avalia Ariel, os PMs “provavelmente inventaram toda uma situação” tentando justificar suas condutas. “Inclusive de que os jovens estariam em atitude suspeita por terem olhado pra viatura e que estariam com as mãos na cintura. Montam álibis porque sabem que depois essas versões deles são tratadas como ‘verdades absolutas’ pelos colegas deles que os investigarão na PM e na Polícia Civil”, afirma.

Outro lado

A reportagem procurou a Secretaria da Segurança Pública e a Polícia Militar. A SSP se comprometeu a enviar resposta até às 12h desta segunda-feira (18/1).

A Ponte o comportamento dos PMs e a divergência entre o que foi registrado no histórico do Copom e as imagens, além de solicitar entrevista com os dois policiais militares.

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