PMs espancam carroceiro na Vila Leopoldina (SP)

17/06/19 por Arthur Stabile

Compartilhe este conteúdo:

Vídeo mostra dois policiais chutando um homem já caído no chão, na zona oeste de SP, e enquanto a companheira tenta evitar a agressão é empurrada; Secretaria de Segurança Pública informa que afastou PMs das ruas

As imagens não deixam dúvidas sobre a cena violenta: dois policiais militares de São Paulo chutam um homem já caído ao chão. Acertam as suas costas e, depois, sua cabeça ao menos três vezes. A vítima, um carroceiro, tenta evitar as pancadas. Sua companheira também tenta, em vão, cessar as agressões, sendo empurrada por um dos PMs.

Vídeo obtido pela Ponte e que circulou as redes sociais na manhã desta segunda-feira (17/6), retrata a violência ocorrida na altura do número 133 da Rua Trípoli, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo. “O policial totalmente na contramão, batendo na cara do morador de rua”, diz o homem que grava as imagens.

Não há data exata de quando aconteceu o caso, denunciado no fim da noite de domingo (16/5) pela página de Facebook Fórum da Assistência Social da Cidade de São Paulo. “Sai daí”, grita um dos policiais à mulher.

Logo em seguida, a imagem grava o carro de recicláveis que o casal usava para trabalhar e a viatura da PM de placa FMS 2935. Neste instante é possível ouvir uma nova agressão, um tapa, sem identificar, contudo, quem foi agredido.

O casal vítima das agressões, cujos nomes serão omitidos por questões de segurança, está com medo de sofrer nova violência por parte da PM. “Eles estão com muito medo”, conta um assistente que localizou as vítimas.

“Ambos foram agredidos e levados à delegacia. [A polícia] Teria dito que se eles não denunciarem, liberava eles de alguns delitos, como desacato, agressão e resistência à prisão”, continua o profissional, sem saber especificar para qual DP (Distrito Policial) os PMs levaram o casal.

A Ponte entrou em contato com a SSP (Secretaria da Segurança Pública) de São Paulo, liderada pelo general João Camilo Pires de Campos neste governo de João Doria (PSDB), para questionar a atuação dos policiais. Segundo a PM, eles atendiam uma ocorrência que envolvia “um indivíduo desequilibrado” causando desordem na região.

“Durante a tentativa de abordagem, houve resistência e uso de força, contudo a ação sugere flagrante descumprimento dos protocolos operacionais padrão de abordagem, o que motivou o imediato afastamento e instauração dos procedimentos legais de apuração”, explica a corporação, informando que os dois policiais envolvidos foram afastados dos trabalhos de rua.

O governador João Doria usou seu Twitter para condenar a ação dos policiais. “Quero deixar claro que este tipo de conduta não segue os protocolos operacionais da PM”, disse Doria. “Ações dessa natureza não condizem com o trabalho e legado da Polícia Militar de São Paulo, a melhor Polícia Militar do Brasil”, emendou.

“Nada justifica o excesso de violência. Todos sabem como respeito e admiro a Polícia Militar do Estado de São Paulo, que tem todo o meu apoio. Esta ação fugiu ao protocolo”, disse Doria em vídeo publicado na rede social Twitter. “Não podemos imaginar que uma polícia competente como a de São Paulo sofra uma condenação por força de uma atitude equivocada, errada e exagerada de dois policiais militares”, seguiu.

Em nota, a PM explicou que a sua Corregedoria investiga o caso por meio de IPM (Inquérito Policial Militar) e os policiais agressores seguirão fora do serviço operacional (patrulhamento) até o fim das apurações.

Comentários

Comentários

Compartilhe este conteúdo: