Polícia do RJ cumpre mandados de prisão contra suspeitos de assassinar Marielle Franco

13/12/18 por Arthur Stabile

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Principais alvos são milicianos investigados em apuração paralela, mas que podem ter relação com o crime; Polícia Civil adota sigilo absoluto para não afetar busca de provas contra outros suspeitos

Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados em março de 2018 | Foto: arquivo pessoal

A Polícia Civil do Rio de Janeiro cumpriu nesta quinta-feira (13/12) mandados de busca e de prisão contra suspeitos de envolvimento no assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Milicianos são os principais alvos.

De acordo com informações da GloboNews, os agentes atuam em 15 lugares na cidade Rio de Janeiro, Angra dos Reis, Nova Iguaçu, Petrópolis e Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Os investigadores dividem os suspeitos em um núcleo de milicianos e, também, um de políticos. Inicialmente, os mandados contra os milicianos alvos da ação têm provas materiais de que eles atuaram na execução da vereadora.

Eles estão ligados a um inquérito que corre paralelamente ao que investiga a morte da vereadora e do motorista, mas nenhum nome foi divulgado pelas autoridades até o momento.

Segundo o delegado Giniton Lages, comandante da DH (Delegacia de Homicídios da Capital), responsável pela investigação desde o seu início, a falta de detalhamento é proposital. A intenção é garantir que os trabalhos apontem outros envolvidos nos crimes, mas ainda sem provas materiais.

“A Delegacia de Homicídios da Capital renova, mais uma vez, a imprescindibilidade da mantença do absoluto sigilo das apurações realizadas, sendo esta a maior garantia para o alcance dos autores e mandantes dos crimes investigados”, sustenta nota enviada à imprensa pela DH.

Crime e investigação

Marielle e Anderson foram assassinados no dia 14 de março de 2018, um mês após a assinatura do decreto de intervenção federal na Segurança Pública do Rio de Janeiro. Especialistas, entidades de direitos humanos e familiares dos dois criticam a demora em dar uma resposta à sociedade sobre os mandantes e os autores dos homicídios.

As investigações para apontar os mandantes e autores dos assassinatos de Marielle e Anderson completam nove meses nesta sexta-feira (14/12). O tempo dos trabalhos supera o de crimes similares, como o desaparecimento do pedreiro Amarildo, executado por PMs, e o da juíza Patrícia Acioli, morta por policiais ligados a milícias e grupos de extermínio.

Inicialmente, as suspeitas recaíram para dois PMs que estariam no carro que perseguiu o veículo no qual Marielle, Anderson e uma assessora da vereadora estavam. A assessora sobreviveu e recentemente concedeu entrevista à RFI em Roma. “Eu fui acolhida na Espanha imediatamente após os assassinatos, num programa da Anistia Internacional de Madri que, em articulação com a Anistia do Brasil, me recebeu por dois meses. Foi fundamental para eu poder voltar à tona, foi uma situação muito traumática, muito violenta, muito difícil” declarou Fernanda Chavez.

A Polícia Civil chegou a mirar alguns parlamentares que seriam desafetos de Marielle e poderiam ter interesse no crime. Um deles que chegou a ser ouvido em mais de uma oportunidade foi o vereador Marcello Siciliano (PHS). Ele negou qualquer participação.

Outro suspeito de agir na noite do dia 14 de março é o miliciano e ex-policial militar Orlando de Oliveira Araújo, o Orlando da Curicica. Além de garantir não ter atuado, acusa a cúpula de Polícia Civil do RJ de estar envolvida em um complô para ocultar propositalmente os nomes dos matadores e mandantes. A informação gerou a abertura de uma investigação paralela pela Polícia Federal, pedido feito pela procuradora-geral da república, Raquel Dodge, que visa analisar a suspeita de que a investigação esteja, de fato, sofrendo interferência.

“Vai ter duas investigações em paralelo. A da morte de Marielle continua. Mas vai ter outro eixo, que vai investigar, seja quem está dentro do poder público, ou quem está fora. É uma investigação da investigação, vamos assim dizer”, explicou o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann.

Um outro capítulo bastante questionável e que reforça as suspeitas de que o processo de investigação está emperrado, foi a censura sofrida pela imprensa na cobertura da morte de Marielle e Anderson. Em 18 de novembro, o juiz Gustavo Gomes Kalil, da 4ª Vara Criminal da Justiça do Rio, proibiu a TV Globo de informar novidades sobre o caso. Ele atendeu pedido da DH da Polícia Civil do Rio e do Ministério Público Estadual, sob a justificativa de que a divulgação de informações prejudica a apuração.

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