PonteCast: a vítima que virou suspeito e os desaparecimentos forçados

12/10/19 por Ponte Jornalismo

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No episódio 35, falamos do caso do Valter, cobrador de ônibus baleado pela PM e preso injustamente, e sobre o Colóquio Internacional da Conectas

O cobrador de ônibus Valter José dos Santos, 53 anos, morador da zona leste de São Paulo, foi comprar alguns alimentos para o jantar no dia 12 de setembro. Com dificuldade de caminhar com agilidade, em decorrência de problemas de circulação, ele sai do supermercado e, de repente, encontra três rapazes em evidente fuga, correndo da polícia. Valter sem saber de onde veio leva um tiro e cai no chão, ferido. Dois dias depois, ele é preso pela PM ao sair do hospital apontado como integrante do banco que havia assaltado o supermercado.

Versões divergentes no boletim de ocorrência e a certeza da família da inocência de Valter encontraram eco em imagens de câmeras de segurança. A Justiça de SP considerou o vídeo suficiente para libertar o cobrador negro nesta quinta-feira (10/10). Valter foi recebido pelos filhos na saída da prisão. O repórter Arthur Stabile também citou outros casos de prisões injustas que Ponte cobriu recentemente, como o caso da dona de casa Simone Souza Santos e o dos amigos Arlaílson, 18 anos, e Y., 16, atletas da várzea da zona oeste de São Paulo.

No episódio 35 também falamos do Colóquio Internacional da Conectas Direitos Humanos, que aconteceu em São Paulo nesta semana. A Ponte foi convidada a participar de uma roda de conversa na quarta-feira (9/10). Maria Teresa Cruz, editora e repórter da Ponte, conta um pouco do que rolou e dá destaque para o tema da violência policial, trazido por Débora Maria da Silva, fundadora das Mães de Maio, e a fala de Antonio Pires Eustáquio, que foi administrador do Cemitério de Perus por anos e um dos responsáveis por descobrir uma cova repleta de ossadas e restos mortais de desparecidos ainda do período da ditadura. O trabalho realizado a partir de então fez com que se descobrisse que havia outras covas que enterraram histórias sem nome, só com número, de vítimas do Estado já no período democrático. Maria Teresa cita um documentário exibido no evento, “Apelo”, dirigido por Clara Ianni e Débora Maria da Silva. “Apelo” está disponível no YouTube.

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