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Após filmar guardas de Covas, Pastor do Pão é autuado por ‘difamação’

01/10/20 por Arthur Stabile

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GCMs disseram que religioso havia atrapalhado limpeza na Luz e ainda teriam ameaçado psicóloga: ‘cuidado para não sobrar para você’

Durante limpeza na região da Luz, centro da cidade de São Paulo, GCMs (Guardas Civis Metropolitanos) de São Paulo detiveram José Carlos Matos, conhecido como Pastor do Pão, que distribuía doações na manhã desta quinta-feira (1/10). Em seguida, ao levá-lo para delegacia, ativista denuncia ter sido ameaçada por um dos guardas. O caso aconteceu por volta de 9h no momento em que a guarda auxiliava o serviço de limpeza da região, afastando a população de rua.

À Ponte, o homem explica doar diariamente água e alimentos para as pessoas que vivem nas ruas, o que faz há cinco anos. Dessa vez, conta, tentou mediar a retirada das pessoas quando os guardas o detiveram.

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“Eu estava ajudando o pessoal a afastar porque, se eu falo, é capaz de me ouvir mais do que se os guardas falarem”, detalha. “[Os guardas] Disseram para eu sair e disse para o [inspetor] Lima que estava ajudando e ele disse que iria me prender”, completa.

A partir daí o pastor pegou o seu celular e filmou a abordagem, imagens que foram postadas eu seu perfil do Facebook. Um dos vídeos mostra quando o inspetor o puxa para o canto e o detém, enquanto outro traz o religioso rezando dentro da viatura da guarda.

A detenção acontece em momento em que há constantes ações da guarda e da PM na Luz, coincidentemente em seguida a vídeos em que pré-candidatos à Prefeitura e à Câmara usam a questão social do bairro como alvo de suas campanhas.

José Carlos mostra o vídeo em que registrou sua detenção | Foto: Arthur Stabile/Ponte

No 77º DP (Santa Cecília), o homem deu esta versão, enquanto os guardas argumentaram ao delegado que ele estrava atrapalhando a ação e que os difamou ao gravar as imagens e divulgar as críticas nas redes sociais. O crime de difamação tem pena de seis meses a dois anos de detenção.

“Eu vou continuar a fazer minha luta, lutar por aquelas vidas. Todo dia levando pão, carinho e amor”, diz, mostrando o seu celular. Segundo ele, oferece o telefone para as pessoas da Luz falarem com seus familiares.

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“Tem quem voltou para casa por causa dessa ação. Só quero que me deixem trabalhar em paz e que não jogem bomba. Os guardas jogam muita bomba”, completa.

Segundo o advogado Guilherme Perisse, a Polícia Civil fez um termo circunstanciado e José Carlos foi liberado. “A denúncia é completamente absurda. O que se atribui a ele é uma crítica ao trabalho da GCM, um direito de todo cidadão”, afirma.

Além do acontecido com o homem, os guardas também são acusados de ameaçarem uma ativista que atuava junto do Pastor do Pão.

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Beatris Dota, psicóloga de 30 anos, afirma que esperava o depoimento do pastor quando um GCM a acompanhou até um bar. Ela havia pedido para beber água e ele decidiu ir junto.

No estabelecimento, o agente teria contado a história de uma amiga que, após denunciar uma execução cometida por policiais, passou a precisar andar com escolta “o resto da vida, porque nunca mais teve paz”.

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“Ele disse que a mulher viu, denunciou, e me aconselhou a não me intrometer em ação policial. ‘Vai sobrar para você’. Ele falou isso e eu fiquei aflita”, relata.

Ao voltar para a delegacia, que fica em frente ao bar, o guarda teria dito que era para ela “tomar cuidado com quem você anda”. “Disse que tem um ditado ‘diga com quem andas que direi quem és’ e para eu tomar cuidado”, relembra a psicóloga.

Juliana de Almeida Valente, advogada de José e de Beatris, afirma que são constantes as violações graves ocorridas na Luz durante a atuação da GCM. “Temos recebido denúncias de intimidações, ameaças, violência e assassinatos ocorridos no período de limpeza e não solucionados pela polícia”, afirma.

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A Ponte questionou a GCM paulistana, sob o comando do prefeito Bruno Covas (PSDB) sobre a detenção e a suposta ameaça. Segundo nota, a difamação ocorreu em ação de zeladoria e o levaram ao 77º DP.

“Vale destacar que ele foi conduzido sem o uso de algemas e não foi privado de seu aparelho celular”, explica o órgão, que não respondeu sobre a denúncia de um guarda ter ameaçado a ativista.

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