Prefeito de Embu afasta subsecretário suspeito de ataque a jornalista

20/02/18 por Bruno Farias, especial para Ponte

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Exoneração foi assinada na segunda-feira (19/2); Renato Oliveira fala em acidente e diz que ocorrido não foi por motivações políticas, mas, sim, pessoais

O ex-secretário Renato Oliveira em imagem do Facebook

Renato Olveira, subsecretário de gestão tecnológica e comunicação de Embu das Artes, na Grande SP, foi exonerado nesta terça-feira (19/2), quatro dias após ser indiciado pela Polícia Civil por lesão corporal grave contra o jornalista Gabriel Binho. A agressão ao jornalista ocorreu em dia 28 de dezembro do ano passado. 

Em nota, o prefeito Ney Santos (PRB) informou que afastou o subsecretário devido à “repercussão na mídia como sendo um possível atentado contra a liberdade de imprensa” e ao seu “apreço aos profissionais da categoria”. Informou também que o afastamento vai durar até a conclusão do processo judicial. Porém, fez questão de frisar que o atentado não consta no inquérito.

Exoneração foi assinada pelo prefeito Ney Santos (PRB)

“Questões pessoais”

Renato Oliveira falou com a Ponte por telefone e disse que não atacou Binho por discordar do tom crítico de suas matérias, como afirma o jornalista, mas que foi “tirar satisfação sobre questões pessoais”. 

Segundo Oliveira, a desavença entre ele o jornalista teria começado em 13 de dezembro, durante um evento chamado Embu Summer Fest. “Eu estava lá com uma mulher, era um relacionamento extraconjugal, e o Binho nos viu. Ele disse que falaria para minha mulher sobre a relação. E realmente fez. Ele acabou com o meu casamento”, conta o agora ex-subsecretário.

Renato Oliveira (esquerda), ao lado do prefeito Ney Santos, em visita a Brasília | Foto: Facebook

Duas semanas depois, no dia 28, durante um protesto contra o aumento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) proposto pela Prefeitura, Oliveira encontrou o agente penitenciário Lenon Roque, que seria seu amigo (e não um segurança, como foi informado). Gabriel Binho também estava lá. Oliveira queria abordar o jornalista para esclarecer o fato de o jornalista ter supostamente revelado a traição do subsecretário à sua mulher .

“Para não gerar atrito político e como eu sou uma figura conhecida na cidade, eu não quis falar com ele naquele momento”, afirma o ex-subsecretário, dizendo que não queria protagonizar uma discussão diante de políticos da oposição. Então, ambos teriam ido para o carro de Lenon, um Hyundai i30, prata, onde ficaram esperando pelo jornalista.

Quanto o ato terminou e os manifestantes se dispersarem, Binho pegou sua moto e foi embora. Lenon e Renato seguiram o jornalista. “Nós fomos atrás dele e a gente buzinava para ele parar. Mas ele acelerava cada vez mais a moto”, afirma Oliveira. Ele afirma que não pretendia machucá-lo.

Binho, logo após o ataque, em 28 de dezembro | Foto: arquivo pessoal

O jornalista parou no acostamento e o carro com a dupla “acabou esbarrando” na moto dele, na versão de Oliveira. “Em nenhum momento houve tiro, como disse o Gabriel. Na verdade não sei porque ele inventou essa história. Acredito que tenha sido um fato político”, disse.

O subsecretário exonerado repassou à Ponte imagens que, segundo ele, seriam de uma suposta conversa dele com a mãe de Binho, ocorrida após ela visitar o filho no hospital. “Agora história é tão irreal que nem a mãe dele acreditou”, afirma.

No diálogo, Oliveira pergunta se Binho estaria “inventando” e pergunta se seria “coisa da vereadora Rosangela Santos” (PT). “Desde que ele abandonou e se juntou nesses movimentos ele deixou jesus”, responde a mãe. Em outro momento, ela afirma “eu e irmão achamos a mesma coisa quando chegamos no hospital” e “parece simulação de novela”.

 

O ex-subsecretário reconhece que a Polícia Civil tinha razão ao indiciá-lo por lesão corporal grave. “Agora, injustiça é falarem em armas e tiros”, afirma.

Nascido no Piauí e filho de empregada doméstica, Oliveira veio criança para São Paulo. Filiado ao MBL (Movimento Brasil Livre), tornou-se uma celebridade do movimento em 2016, quando foi repreendido pelo apresentador Jô Soares por gritar “Viva Bolsonaro” durante uma gravação do programa. Passou a ser conhecido como “Menino do Jô”. Afirma ter deixado o MBL em 2016, durante a campanha para prefeito de Ney Santos. “Saí para me focar na campanha para tirar os 16 anos do PT no poder em Embu”, diz.

Medo e depressão

À Ponte, Gabriel Binho afirmou que a história da mulher de Renato é “mentira” e que não conhece nenhuma das “duas mulheres”. Nem a ex-esposa de Oliveira, nem a amante.

Sobre a suposta conversa envolvendo a mãe dele, o jornalista disse que ela teria dado aquelas respostas por “medo”. “Ela tem depressão e por conta da repercussão que tomou o meu caso, ela teme que algo possa acontecer comigo e com meu irmão”, afirmou.

A matéria foi atualizada em 21/2, às 12h40, para incluir parágrafo sobre a trajetória política de Renato Oliveira.

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