“Quem protestou contra a homofobia na Atlética da FMUSP foi perseguido”

3 minutos atrás
Na quarta parte da série da Ponte sobre violências sistemáticas na Faculdade de Medicina da USP, o aluno e militante LGBT Felipe Scalisa denuncia a opressão aos homossexuais e a perseguição contra quem questiona essa realidade

Com Caio Palazzo (vídeos) e Rafael Bonifácio (edição de vídeos)

Felipe Scalisa é hoje o militante LGBT de maior visibilidade na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Integrante do Núcleo de Estudos em Gênero, Saúde e Sexualidade (Negss), coletivo formado no início de 2013, ele vem se destacando por liderar a luta contra a violência homofóbica no interior de uma das faculdades mais respeitadas do país.

Por isso mesmo, sofre dura perseguição. É ridicularizado nos espaços de discussão, em pichações nos banheiros, nas redes sociais. O incômodo que gera é tanto que chegou a ser lembrado jocosamente durante a edição deste ano do Show Medicina, grupo que realiza apresentações artísticas anuais e que é alvo de denúncias por práticas de assédio moral e trotes violentos.

As violações ocorridas na FMUSP serão tratadas hoje (25/11) em uma segunda audiência organizada pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa (Alesp), presidida pelo deputado Adriano Diogo (PT). O diretor da instituição, José Otávio Auler, foi convidado a participar, mas informou que não estará presente. Em carta ao deputado Adriano Diogo, informou que irá esperar a reunião da Congregação da faculdade, que ocorrerá amanhã (26), para se manifestar. Na ocasião, serão definidas medidas para coibir os abusos dentro da FMUSP. O relatório final da comissão interna criada para apurar as violações ocorridas na instituição aponta que a violência sexual “ocorre de forma repetida” na faculdade.

Nesta terça-feira, Diogo também reuniu as 32 assinaturas necessárias para a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar as denúncias de violações de direitos humanos ocorridas em universidades- públicas e privadas- do Estado de São Paulo, em trotes, festas e no cotidiano acadêmico. As assinaturas eram necesárias para que a Comissão fosse levada para votação em plenário.

Ambiente permissivo

Em entrevista à Ponte, Scalisa conta como o Negss e o coletivo feminista Geni passaram a ser perseguidos ao denunciar casos de violações na FMUSP e a afirmar que há um ambiente permissivo para o abuso sexual na instituição, especialmente nas festas organizadas pela Atlética.

Em relação à homofobia, ele diz que a violência é naturalizada. “A maior parte da homofobia vem da naturalização e de rituais da faculdade que são muito antigos e que vêm de épocas mais declaradamente homofóbicas.” No entanto, o militante cita casos mais explícitos, como o de um aluno ameaçado de agressão na Atlética por estar beijando outro homem em uma festa e o de homossexuais que fazem residência ou internato coagidos a se “tornarem” heterossexuais para poderem fazer algum procedimento.

Um episódio recente foi o ocorrido na festa “Carecas do Bosque” deste ano, quando um aluno homossexual da Faculdade de Direito da USP (São Francisco) foi agredido com um soco na cara por um segurança por ter entrado numa área permitida apenas para casais heterossexuais (assista aqui ao depoimento do estudante à Ponte).

Alguns dias depois, com o apoio do Negss, militantes LGBT da São Francisco organizaram um ato de repúdio contra a Atlética da FMUSP. Segundo Scalisa, ele foi considerado um dos líderes da manifestação. “A resposta foi perseguirem as pessoas que protestaram em relação à existência de homofobia no espaço da Atlética. Picharam meu nome no banheiro, inventaram histórias sobre mim”, conta o estudante.

Assista à entrevista de Felipe Scalisa no vídeo abaixo:

Comentários

Comentários

13 Comentários

  1. Ótimo o depoimento do Felipe! Essa realidade vai se mudada, nossa luta contra as opressões é todos os dias em todos os espaços!

  2. Todo meu apoio a Felipe. Não dá para formar profissionais de saúde nesse ambiente de total insalubridade psicológica. Essa cultura de opressão e abuso precisa se transformar.

  3. Poxa,

    Muito legal a iniciativa desse rapaz.

    Essas “tradiçoes” precisam sumir.

  4. Vou adaptar aqui, um texto que escrevi na reportagem dedicada a Atlética da FMUSP em si.

    “Eu comentei sobre a peculiaridade da AAAOC no contexto de todo esse escândalo na primeira reportagem da série. Recomendo a Ponte entrevistar professores de Educação Fisica que atuaram como técnicos das equipes, como avaliam o nivel esportivo e a gestão do clube.

    O clube em si serve de “zona franca” onde tudo é permitido dentro das festas. Vizinhos e pacientes sofrem com noites ensurdecedoras quando festas noturnas sao realizadas. O clube em si é lamentável: vidros quebrados, quadras defeituosas, campo de futebol “grama-society-cascalho-bituca” fica aquém da nossa (infelizmente) defunta várzea. Nao é compatível com a renda média das familias dos gerentes do espaço. Vencer as fraquíssimas competições universitarias nao é mérito algum: nao se tratam de competições sequer de média performance: o nivel esportivo é baixíssimo. Uma boa equipe pré-profissional (16-18 anos) de qualquer modalidade nos clubes brasileiros facilmente venceria essas competições, sendo no futebol o confronto impensável: seriam sistemáticas goleadas e as equipes estudantis nao ficariam de pé no segundo tempo. Meu ponto: a “causa social” da AAAOC nao é e promover esporte de alto rendimento, portanto qualquer argumentaçao nessa direçao por parte deles é nula.

    Da forma como é administrada, a atlética falha naquela que deveria ser sua missão mais importante: promoçao do esporte na universidade, sobretudo nos cursos de saude no entorno do complexo hospitalar. Por focarem nas péssimas competiçoes, apenas quem se dispõe a atuar nas equipes e se enquadrar na cultura deles é bem-vindo: o estudante (ou residente, colaborador, funcionario) que gostaria de integrar o esporte de forma saudável no seu cotidiano nao é bem-vindo. Dessa forma, o espaço perde o sentido de servir o corpo estudantil ou a comunidade local: serve apenas aos seus membro, com suas regras e comportamentos questionáveis como descrito na reportagem. Portanto, falham em seu objetivo principal de desenvolver equipes competitivas (jah que as competiçoes de que participam sao de baixo-rendimento), e falham na promoção do esporte dentro da sua comunidade. Porque entao entregar o clube aos alunos? Nada disso justifica o sucateamento deste espaço.

    Alguns estudantes da FMUSP sofrem de um complexo de superioridade doentio e auto-corrosivo, sendo a AAAOC o expoente dessa mentalidade. Corroem sua propria comunidade criando ostracismo no corpo estudantil e comportamentos violentos, completamente antagônicos ao viver esportivo, simbolizado por uma morte futil em 1999 dentro de uma piscina semi-olimpica (que nao é um brinquedo), e nos casos de estupro que testemunhamos agora.

    A Ponte poderia aprofundar essa série de reportagens e descobrir, por exemplo, porque e como o clube (o espaço fisico) é gerido pelos estudantes: a quem pertence o terreno, e quem concede a administraçao aos alunos sem qualquer experiência em gestao? Porque todas as outras atléticas da USP possuem um escritorio e treinam no CEPE, e esta atlética tem seu proprio clube? Imaginem se o CEPE fosse gerido, digamos, pelos alunos da Poli? Este clube precisa servir aos cursos de saúde no entorno hospitalar (Medicina, Enfermagem, Nutriçao, etc) e nao ser propriedade dos membros da AAAOC. Se a Ponte se deu ao trabalho de fazer essas reportagens, sugiro que faça uma explicando realmente a gestao deste espaço: a quem pertence, como é gerido e porque esta nas maos de uma minoria de estudantes que causa tantos danos a sua propria comunidade?

    Para deixar claro: nao sou contra a existência da AAAOC. Que exista, mas nos moldes das demais atléticas da USP. Que tenham um escritorio, aluguem quadras, organizem treinos. Porém, nao cabe a eles gerir o clube, e é tarefa das autoridades proprietarias do espaço regularizar isso. A simplicidade para resolver essa questao é assustadora, em contraste com as questoes levantadas pelo Felipe, que sim, precisam ser resolvidas pela faculdade: ser privado de aprender por ser homossexual, ou seja lah o que, é de resoluçao muito mais complexa do que o simples e obvio absurdo do quarteirao compreendido pela aaaoc.

    Força Felipe e obrigado por expor o ambiente acadêmico-profissional hostil que você enfrenta, e que é financiado pelo contribuinte: portanto, requer açao imediata.

  5. Esse rapaz simplesmente omitiu que a perseguição os grupo dele se deu após eles protestarem com total liberdade na Atlética proferindo palavras de ordem para lá de mal educadas, como “chupo p… e chupo …eta. Se bobear chupo até o capeta” na frente de crianças e senhores de idade. Como não conseguiram apanhar de ninguém- o objetivo foram lá e picharam no muro do ginásio, o que de fato fez que diversas pessoas os perseguirem!

  6. Pedro, faço questão de responder sua perguntas:

    Recomendo a Ponte entrevistar professores de Educação Fisica que atuaram como técnicos das equipes, como avaliam o nivel esportivo e a gestão do clube.

    – Gostaria que o fizesse de fato. A grande maioria gosta e tem prazer de trabalhar lá!

    O clube em si serve de “zona franca” onde tudo é permitido dentro das festas.
    – Isso é mentira. Tem revista na porta e não pode entrar com drogas, mas infelizmente como na maioria dos lugares ela é falha.

    Vizinhos e pacientes sofrem com noites ensurdecedoras quando festas noturnas sao realizadas.
    – Isso é verdade. No entanto elas foram reduzidas drasticamente. A renda da festa serve para manter o clube. O bom diálogo com a vizinhança seria bom para acertar isso.

    O clube em si é lamentável: vidros quebrados, quadras defeituosas, campo de futebol “grama-society-cascalho-bituca” fica aquém da nossa (infelizmente) defunta várzea. Nao é compatível com a renda média das familias dos gerentes do espaço.
    – A cobrança da anuidade dos alunos já teve uma grande repercussão e controvérsia. A maioria do pessoal que não treinava e frequentava foi contra, enquanto quem frequentava pagou com gosto. O dinheiro que vem das festas deveria servir para isso também. Em acordos com a vizinhança e hospital diminuíram a quantidade de festas e a preferência foi para pagamento de salários, óbvio! Não tem dinheiro para tudo!

    Vencer as fraquíssimas competições universitarias nao é mérito algum: nao se tratam de competições sequer de média performance: o nivel esportivo é baixíssimo. Uma boa equipe pré-profissional (16-18 anos) de qualquer modalidade nos clubes brasileiros facilmente venceria essas competições, sendo no futebol o confronto impensável: seriam sistemáticas goleadas e as equipes estudantis nao ficariam de pé no segundo tempo. Meu ponto: a “causa social” da AAAOC nao é e promover esporte de alto rendimento, portanto qualquer argumentaçao nessa direçao por parte deles é nula.
    – A causa social é promover a integração entre os alunos principalmente através do esporte. Óbvio que ninguém quer ser profissional por lá- isso é malicioso da sua parte dizer- pois não impede ninguém de treinar sério. Perder para equipes semi-profissionais não é demérito nenhum, cara! O intuito é treinar sério e se divertir! Nesse prisma, ser campeão das competições universitárias mostram que no microcosmo onde a atlética está inserida, ela anda muito bem! Parabéns aos seus atléticas amadores e dedicados!

    Da forma como é administrada, a atlética falha naquela que deveria ser sua missão mais importante: promoçao do esporte na universidade, sobretudo nos cursos de saude no entorno do complexo hospitalar. Por focarem nas péssimas competiçoes, apenas quem se dispõe a atuar nas equipes e se enquadrar na cultura deles é bem-vindo: o estudante (ou residente, colaborador, funcionario) que gostaria de integrar o esporte de forma saudável no seu cotidiano nao é bem-vindo.
    – A Atlética é administrada pelo alunos do 3o ano, e creio que a promoção do esporte já está provada que é eficaz, pois vc mesmo disse que ela vence as competições que participa! Creio que a principal motivo que as pessoas não participam dos treinos é por não querer competir, e não pelas péssimas condições. Não entendi o de forma saudável x competitivo, mas quem não deseja participar dos treinos visando a competição, tem as quadras que podem ser utilizadas por qualquer aluno. Existem equipes como a de atletismo que o técnico passam treinos para aprimoramento físico e antes de terceirizar a academia, existia um educador físico para quem quisesse malhar. Além disso, libera o terreno para pacientes do instituto de ortopedia fazerem fisioterapia, pessoas com doenças e que necessitam de exercício, com atestado médico, a fazerem gratuitamente, além de ceder o espaço e organizar festa das agremiações de funcionários das mais variadas instituições de funcionários do HC

    Dessa forma, o espaço perde o sentido de servir o corpo estudantil ou a comunidade local: serve apenas aos seus membro, com suas regras e comportamentos questionáveis como descrito na reportagem. Portanto, falham em seu objetivo principal de desenvolver equipes competitivas (jah que as competiçoes de que participam sao de baixo-rendimento), e falham na promoção do esporte dentro da sua comunidade. Porque entao entregar o clube aos alunos? Nada disso justifica o sucateamento deste espaço.
    – As equipes vencem em suas competições como você mesmo disse, portanto as equipes são competitivas no âmbito amador-universitária ao qual se insere. Serve ao aluno que quiser treinar, mas o objetivo é estabelecido: competir. Quem não quiser tem total liberdade de utilizar o espaço, como minha turma fez bastante, promovendo jogos entre os alunos da turma.

    Alguns estudantes da FMUSP sofrem de um complexo de superioridade doentio e auto-corrosivo, sendo a AAAOC o expoente dessa mentalidade. Corroem sua propria comunidade criando ostracismo no corpo estudantil e comportamentos violentos, completamente antagônicos ao viver esportivo, simbolizado por uma morte futil em 1999 dentro de uma piscina semi-olimpica (que nao é um brinquedo), e nos casos de estupro que testemunhamos agora.
    – Geralmente esse complexo de superioridade é exercidos pelas pessoas de fora. Se um aluno da Medicina USP falar qualquer coisa, é culpado. Quando vai em outras unidades da USP é discriminado. Enfim, esse complexo de superioridade não vem de dentro definitivamente. No meu tempo éramos conhecidos por não brigarmos na INTERMED, ou seja não tínhamos um comportamento mais agressivo do que as outras faculdades. A morte em 1999 (eu estava lá) foi um acidental, apesar da mídia se recusar a dizer isso. Concordo que é perigoso 180 pessoas pularem na pisicina cobertos de tinta. Isso já ocorria há anos, existia uma comissão de trote onde professores participavam e sabiam de tudo! Mesmo assim, está muito longe disso ser violento, cara! O caso de estupro na festa da Atlética foi de um funcionário da faculdade e não da atlética que subornou um segurança terceirizado. Quando os alunos viram a situação, agrediram o suposto estuprador e o mandaram embora!

    A Ponte poderia aprofundar essa série de reportagens e descobrir, por exemplo, porque e como o clube (o espaço fisico) é gerido pelos estudantes: a quem pertence o terreno, e quem concede a administraçao aos alunos sem qualquer experiência em gestao?
    – Se você tirar sua preguiça mental da gaveta e pesquisar um pouco, verá que o terreno é cedido para a Faculdade de Medicina da USP. A administração é feita pelos alunos do 3o ano em votação dos próprios alunos, conforme estatuto. Existe um projeto da criação uma comissão de ex-alunos para ajudar a adm, já que a mesma se tornou mais complicada (ou os alunos mais incapazes- é a geração Y, rapaz!)).

    Porque todas as outras atléticas da USP possuem um escritorio e treinam no CEPE, e esta atlética tem seu proprio clube? Imaginem se o CEPE fosse gerido, digamos, pelos alunos da Poli? Este clube precisa servir aos cursos de saúde no entorno hospitalar (Medicina, Enfermagem, Nutrição, etc) e nao ser propriedade dos membros da AAAOC.
    – O terreno foi cedido a faculdade de medicina e esta doou aos alunos da faculdade para se transformar na Atlética. . A Enfermagem e a nutrição não podem usufruir da Atlética pois não são alunos da faculdade de medicina, da mesma forma que os alunos da medicina não podem comer no bandeijão da Faculdade de Nutrição!O CEPE é o clube de alunos e ex-alunos da USP, foi feito para isso, e as faculdades da USP podem locar quadras e treinar por lá, obviamente pagando seus técnicos, ou seja é completamente diferente! Ah nesses treinos tamnbéma aparecem pouca gente e eles vão lá para treinar para competir, sabia?

    Se a Ponte se deu ao trabalho de fazer essas reportagens, sugiro que faça uma explicando realmente a gestao deste espaço: a quem pertence, como é gerido e porque esta nas maos de uma minoria de estudantes que causa tantos danos a sua propria comunidade?
    Para deixar claro: nao sou contra a existência da AAAOC. Que exista, mas nos moldes das demais atléticas da USP. Que tenham um escritorio, aluguem quadras, organizem treinos. Porém, nao cabe a eles gerir o clube, e é tarefa das autoridades proprietarias do espaço regularizar isso.
    – Já está explicado acima a gestão e a quem pertence: aos alunos da faculdade de medicina. Não está na mão de poucos, são poucos que a freqüentam, e isso é muito ruim! Vc alugaria quadras se tem uma para usar de graça? Acho que aí sim, seria má gestão! E lá tem também um escritório, acredite! Como a faculdade é a proprietária e cedeu aos alunos, nada mais justo que eles administrarem,não?

    A simplicidade para resolver essa questao é assustadora, em contraste com as questoes levantadas pelo Felipe, que sim, precisam ser resolvidas pela faculdade: ser privado de aprender por ser homossexual, ou seja lah o que, é de resoluçao muito mais complexa do que o simples e obvio absurdo do quarteirao compreendido pela aaaoc.
    – Não compreendi o que você disse aqui. Acho que a questão é complexa sim, e não fácil e óbvia. A maioria dos seus questionamentos são de uma pessoa que não está a par do assunto, não sabe como funciona e também não quer saber, só quer falar mal. Os questionamentos do Felipe são devaneios da juventude alimentada por um oportunista de nome Adriano Diogo entre outros. A faculdade de Medicina da USP não é diferente dos outros lugares e de outras faculdades em relação aos comportamentos! Agora, empresas promovem e estimulam encontros entre funcionários fora do âmbito de trabalho. O tal do Networking, muito importante no meio corporativo. Na medicina, isso também ocorre, as pessoas se ajudam e se indicam por afinidade, tal qual em uma multinacional, um fornecedor de uma pequena empresa, etc. A atitude que o Felipe teve claramente terá repercussão nisso. Haverão muitas pessoas que levantarão suas mãos e pedirão para trabalhar com ele. E haverão muitas que não farão isso. Ele exigir que todos gostem dele, é um devaneio juvenil e absurdo! Ele terá que arcar com suas decisões, tal qual quem optou para ir ao centro acadêmico, a Atlética, e as demais instituições, pois nelas criaram seus círculos de amizade para o resto da vida dele, o Network, lembra????

    Força Felipe e obrigado por expor o ambiente acadêmico-profissional hostil que você enfrenta, e que é financiado pelo contribuinte: portanto, requer açao imediata.
    – Esse ambiente hostil não existe na minha opinião. Se houvesse, o NEGSS não teria sido criado. O contribuinte deve receber médicos bem formados como moeda de troca, o que a faculdade fornece a 95 anos. Por favor, não troque alho com bugalhos!

  7. Obrigado pelas suas explicaçoes “Explicaçoes”. Vou tentar reiterar meu ponto de vista, no entanto reconhecendo onde você clarificou e corretamente me corrigiu, onde você confundiu e “torceu” o que eu disse, e onde eu simplesmente discordo de você de um ponto de vista puramente ideologico: o que é natural. E vou tentar ignorar onde você se limitou a me xingar, ok? No entanto, nao o farei de forma “ponto-a-ponto” para evitar ser repetitivo.

    Para deixar o ponto mais importante claro e cristalino: como cidadao de Sao Paulo, jamais concordarei com a atual forma de administrar o clube (espaço fisico) onde se encontra atualmente a atlética dos alunos de medicina da USP. Eu li atentamente o que você (passionalmente) escreveu, e mudei de idéia sobre algumas coisas, mas nao entra na minha cabeça a gerência do espaço por pessoas que nao tem nem tempo nem experiência para tal. Além disso, dada a importância do terreno, ele merece mais “carinho”, é uma joia no meio da nossa cidade: nao pode servir a tao pouca gente (voltarei a esse ponto abaixo quando o asterisco aparecer *). Você disse “O terreno foi cedido a faculdade de medicina e esta doou aos alunos da faculdade para se transformar na Atlética.”: foi cedido por quem? Pelo que eu saiba, nao foi “cedido” mas sim “concedido” pelo municipio, que pode interromper essa concessão a faculdade de medicina, logo aos alunos: corrija-me se eu estiver errado, mas tecnicamente, a USP jamais doou o terreno, pois nao pode doar o que nao é dela. Equivale a dizer que eu posso te doar uma ilha brasileira (por isso recomendei uma reportagem técnica, a fundo sobre isso: nao é nem o que você disse, nem o que eu disse, muito menos “preguiça minha”). No entanto, se eu estiver errado, nao altera em nada o meu ponto de vista: a administração do quarteirão pelos alunos é ineficaz e nao tem lugar na Sao Paulo do século XXI. No entanto, eu torço para que ao menos continue sendo uma area verde e esportiva, de preferência aberta e bem administrada: quem sabe um parque esportivo. Se para isso, precisa ficar sob gerência estudantil, melhor do que um estacionamento.

    Você citou um ponto interessante: geraçao Y. Eu me lembro desse clube no inicio dos anos 90 (91-94), e ele jah era muito mal-gerido. Visitei recentemente e fiquei assustado com a precariedade. Discordo da conotação contida na sua afirmação, de que as dificuldades seriam culpa “dessa geraçao Y”. A manutenção é cara, as coisas quebram e a deterioração dos nossos espaços públicos (esse clube nao é uma exceção mas sim regra) é consequência do mau modelo administrativo e nao de uma geração menos capaz. Invoco além disso o viés saudosista da sua afirmação: você é claramente muito apegado emocionalmente ao local e a sua comunidade, portanto acho natural que você diga que “no seu tempo era melhor”, mas isso é um sentimento seu e nao uma analise racional da situação. Mantenho imutável o ponto de vista que tenho o direito de possuir: aquele quarteirão nao deve ser gerido pelos alunos de terceiro ano de curso algum, eleitos por colegas. A possibilidade de criar uma “comissão” de ex-alunos para auxiliar carrega consigo o risco de manutenção do amadorismo administrativo e comportamento nocivo, dado o risco de que os ex-alunos engajados seriam aqueles acusados de fomentarem e estimularem as praticas lamentáveis expostas no depoimento na Assembléia Legislativa. E por favor, nao perca seu tempo respondendo aquelas acusações a mim: eu nao tenho nada a ver com isso, é uma questao da USP e da sociedade civil. Eu estou questionando a legitimidade de um modelo administrativo que, mesmo com todo o bom-mocismo que você me convenceu existir lah dentro, nao justifica sua existência. E nao se sinta atacado: eu nao quero “o fim da aaaoc” a qual você é tao apegado: quero que aquele clube seja reformado e aberto a um publico mais amplo. Entendeu?

    Sobre as questões do Felipe: esta mais do que claro que existe uma cultura de “fraternidade” nos diferentes grupos do curso de medicina, sendo a atlética a mais citada. Isso nao é especial ao curso em questão, ja que qualquer “agrupamento humano” apresenta esses vicios. Além disso, eu disse no meu comentario que, particularmente, nao tenho qualquer problema com isso: se quiserem praticar ritos de iniciação, cultura de segredos, “pasta”, seja o que for, que o façam, mas nao em um espaço concedido por orgaos representativos: que levem esses comportamentos ao mesmo sitio para onde levaram o tal ritual da piscina. Novamente: em pleno século XXI, nao tem como aceitar grupos de auto-beneficio dentro dos nossos espaços financiados pelo contribuinte. Você teceu uma comparação interessante entre o “corporativismo” praticado por supostos ex-membros da atlética como sendo tao natural quanto o existente em “multinacionais”. O pais estah testemunhando um outro caso de “corporativismo” com consequências horríveis para a nação que é o caso da Petrobras: novamente, nao ha mais espaço para esse tipo de mentalidade, e combatê-la é o passo a frente. O comportamento é natural, mas ha limites para como ele pode ser conduzido em instituições publicas, e creio ser papel da universidade tentar corrigir os desvios de comportamento que nos trazemos da cultura que recebemos em casa para o espaço publico. Nada do que ocorre na USP é uma propriedade da USP: sao manifestações do que ha de pior da nossa cultura e que tanto nos atrapalha. E a parte do meu comentario que você nao entendeu é o seguinte: resolver o mau uso do clube é facil, basta profissionaliza-lo de desacopla-lo da gestao estudantil. Jah o que o Felipe disse, ser boicotado no curso é muito mais complexo e provavelmente nao tem solução. Você explicou bem o porque e concordo com você na gênese, mas discordo sobre a moralidade: troca de favores e beneficiamento profissional entre amigos tem outro nome: trafico de influencias, que corroi a nossa sociedade.

    Uma breve nota sobre 1999: nao se joga pessoas com tinta e embriagadas em uma piscina semi-olimpica, sem um salva-vidas para monitorar a atividade. E se elas sao coagidas a entrarem, trata-se sim de uma violência. Uma morte nessas condições nao é acidental, mas sim conseqüência de um comportamento negligente. O que você disse é chocante, pois aparentemente a direçao da escola conhecia o ritual e foi negligente. Isso é muito triste.

    Você tentou em varias ocasiões no seu texto me desqualificar, me atacando (preguiça mental, ignorância, etc). Do ponto de vista “argumentativo” acho isso contraditório vindo de alguém que é tao declaradamente apaixonado pela “forma” atual de administração do espaço. O seu viés é de “torcedor”, você nao trouxe apenas “informaçao” mas muito sentimento e confusão. Nao ser membro nao me impede de questionar e criticar quando o assunto “explode na assembléia legislativa”. Retoricamente, eu nao sou seu “oposto”, no sentido em que nao faço parte de atléticas rivais, nao sou médico rival, nao tenho nada a ganhar ou perder nessa “causa”. Mas moro em Sao Paulo, conheço a vizinhança, conheço ex-alunos e me oponho a concessão do quarteirão. Entendeu?

    Obrigado por dizer que existe dialogo entre a administraçao da atlética e a vizinhança sobre as festas noturnas. No inicio dos anos 90 esse dialogo nao existia, e era muito dificil dormir nas noites de festas. Pelo que você disse houve progresso.

    Sim, você tem completa razão de que, no micro-cosmos esportivo universitario, a atlética cumpre muito bem seu papel de vencer as competições. Porém, trata-se do objetivo dos proprios gerentes, sendo portanto um causa e conseqüência do outro. Esse sucesso esportivo nao justifica o ostracismo criado contra os demais alunos com menor aptidão atlética, ou que discordam dos muitos comportamentos enumerados pelos denunciantes. (*) Portanto, o espaço é socialmente fechado dentro da sua propria comunidade ao ser hostil contra quem nao se enquadra. Argumentar que se tratam de tradições é murro em ponta de faca: a sociedade mudou muito nos últimos 95 anos, e nao é surpresa que algumas “tradiçoes” sejam revistas e questionadas. Boa parte das criticas é contraria ao papel hierarquizador dos rituais, e se a sociedade acumulou massa critica para questionar essas hirarquias, a universidade sera um dos primeiros locais de questionamento. Por isso eu enfatizei na ironia de se impor a hierarquia através de um nivel esportivo que nao existe na universidade.

    Ou seja, é por causa desse ostracismo que eu quis frisar que nao se tratam de “atletas”, pois é comum ver os alunos referirem a si proprios como tais. No contexto esportivo profissional, aceita-se perfeitamente o tratamento diferenciado entre os individuos em nome da performance. Mas nao é o caso das competições universitarias: a dor que é causada nos demais estudantes nao é comensurável a pompa dos membros de atléticas: nao encaixa. Por isso quis deixar claro que nao se trata de um centro de alta-performance apesar de haver exceções que praticaram algumas modalidades em rendimento considerável. Nao misturei alho com bugalhos aqui, apenas quis distinguir esporte competitivo de esporte amador e o papel de cada um na sociedade. Nao ha como colocar um comportamento de esporte profissional na esfera amadora da forma que fazemos na nossas atléticas universitarias.

    Finalmente encontrar professores de educação fisica que treinam/treinaram equipes em atléticas e na da fmusp para confirmar tudo que eu disse sobre as instalações e administração amadora de um clube raro no coração da nossa cidade. Consigo também encontrar colegas que “vestem a camisa” e defenderão o modelo de gestão, por afinidade ou porque gostam do mercado universitario: ou seja, ha opiniões divergentes (por isso temos eleições a cada quatro anos, e por isso você nao deveria me xingar por pensarmos diferente). Você nao precisa ser tao agressivo e se sentir pessoalmente ofendido quando encontra uma pessoa que enxerga o mundo de outra forma.

    A minha critica a esse uso é como cidadao da cidade de Sao Paulo, e nao tem absolutamente nada a ver com as rivalidades inter-escolares que vocês possuem com outras instituições. Mas no meu contato com alunos da USP em geral (Poli, FMUSP, nao importa) sempre me impressionou pela soberba dos alunos: mas isso é preconceito, e provavelmente você tem razão ao me criticar contra a minha afirmação de “arrogância uspiana”, e peço desculas: mas as canções dos alunos nao ajudam.

    Acho que você precisa refletir melhor sobre o ponto de vista vindo de fora antes de entrar na defensiva e se apegar ao conceito de que “quem nao conhece nao entende de dentro do assunto”. Obrigado pelos seus esclarecimentos, mas eles nao amenizaram as cançoes, as acusaçoes do Felipe, as acusaçoes feitas na assembléia. Eu entendi que os alunos se esforçam para fazer do clube um espaço “de todos”, mas se os comportamentos descritos realmente forem tao presentes, nao tenho como concordar com você. Espero sinceramente que as pastas e rituais sejam eventos pontuais, isolados.

  8. Eu sinceramente nao quero entrar numa guerrinha internetica de comentarios com você. Vi o tamanho do comentario que postei e me arrependi de ter perdido tempo com isso.

    Mas se canções com palavrões e humilhantes sao entoadas por estudantes de alguns grupos, e toleradas, porque as cançoes desses alunos sao “para la de mal educadas”? Qual a diferença?

    E porque, se eles picharam o muro, nao houve consequências? Você mesmo me explicou que o local é administrado pelos estudantes, concedido pela faculdade: se houve pichaçao com testemunha, deveria haver consequências.

    E quem é Adriano Diogo? Que papel ele tem nos grupos “rebeldes” da escola?

  9. Putz, eu fui ver quem é o Adriano Diogo. Por mais que eu goste do discurso progressivo dessa molecada feminista, do Felipe, se esse cara realmente estiver “por tras” de tudo isso, é um pouco “broxante”. Ele disse na assembléia “mas esses caras (do show) so bebem ou sao drogados”, como se uma ou outra pratica explicasse os abusos. Pior, se “beberem”, sao nossos filhos desviados, se forem drogados, ja tem seus lugares definidos na sociedade: drogados.

    Desculpa pela gafe, mas espero que você consiga entender que para quem vê de fora, ha coisas que simplesmente nao fazem sentido como eu jah expressei. Nao é momento de disputas e troca de ofensas, mas sim de dialogo.

    Boa sorte!

  10. O terreno é um comodato por um tempo bem longo. Tal qual o do Palmeiras, Corinthians, São Paulo. Esses não prestam nenhum serviço à sociedade, pelo contrário lucram com o clube. A Atlética não lucra, usa todo o dinheiro lá. Tem pessoas que têm o direito de usá-la de graça, que são as pessoas com indicação médica para a realização de exercício físico. Esses benefícios são cedidos mediante matrícula anual. O senhor também pode usar o clube, mediante pagamento de anuidade que, com a academia dava 120,00(3 reais por dia) mensais na minha época, ou 20 reais para uso ocasional. Ou seja, ela nunca foi fechada, apenas é cobrada uma taxa de manutenção, igual o zoológico (que também é público!). Não acho que a administração é incapaz. Não tem dinheiro mesmo. Uma boa parcelas dos clubes atualmente têm o mesmo defeito, pois o modelo de clube foi amplamente suprimido pelas academias, e a atlética investiu nela, tanto que hoje ela é moderna e pode ser utilizada sem ser sócio, mediante pagamento de taxa. Ou seja, soluções foram criadas para benefício do espaço. A Atlética sofre também pelo tombamento do seu espaço, pois nada pode ser alterado, impedindo sua modernização. Sofre também pela especulação imobiliária, pois já houveram inúmeras tentativas de comprar o terreno ou de transformá-lo em uma extensão do hospital. Felizmente sou médico e não vou entrar no quesito cedido/concedido pois para mim é a mesma coisa.Entendo sua vontade de ter um parque no local, mas seria mais fácil virar prédio mesmo. E como disse, ele é aberto para quem pagar a anuidade que é bem baixa. Em relação ã homofobia, que é questionada pelo nosso colega Felipe, o clube sempre foi aberto, mesmo antes de qualquer lei para aceitar homossexuais como casal, que tem diminuição de taxa (sai mais barato que 4 reais por dia/cabeça).
    Mais uma vez digo que o espaço não é fechado. Infelizmente não tem como fazer um jogo de futebol, com pessoas que gostam de jogar futebol virar um ambiente bacana para quem não joga e não gosta, entende? Ou seja, o treino é o treino, o jogo é o jogo. Existiam bastante pessoas que não terinavam nada e frequentavam a atlética na minha época.
    Concordo que os tempos mudaram, mas as tradições e as hierarquias são importantes sim. Acredito que os pais devem mandar na casa. Acredito que o professor tem que ser o coordenador da sala sim e que os mais velhos ensinam aos mais jovens e devem ser respeitados. Está na bíblia. Na medicina isso é feito desde os tempo de Hipócrates. Acho interessante as pessoas serem contra as tradições. Se meu filho falasse isso, não daria a ele um carro quando passasse na faculdade, pois isso também é uma tradição! Em falar em tradição, sabem que geralmente eram as pessoas mais agressivas no trote? Justamente aquelas que eram contra quando recebiam! Para mim, como a maioria das pessoas que levou numa boa, como um rito de passagem, foi um dia bem legal! Esse é o meu ponto de vista.
    Em relação ao profissionalismo, qualquer atlética chama seus jogadores, de atleta. Porque são na hora. ninguém diz que é atleta profissional. Agora quanto ao treino, conheço gente que corre todos os dias, tem técnico, etc e tal e não compete. Ele não pode, por que não é profissional? Não creio que o tratamento seja de atléta profissional, apenas de pessoas comprometidas em uma atividade comum.
    Em relação ao corporativismo, até entendo o seu senso de justiça, até diria romantismo. Infelizmente o mundo não é assim. O mundo é cheio de conchavos. Você faz isso naturalmente. Se você hipoteticamente tiver uma empresa e for se aposentar, você vai passar para o seu filho, ao seu empregado mais competente?Entende? É natural. Eu não brigo contra isso. Quanto ao espaço público, ninguém obtém vantagem ou desvantagem lá, além das tradicionais questões de professores titulares. Mas não adianta vir com pedra e esperar receber flores. Não é institucional, é humano! O contato entre os médicos e os acadêmicos durante o internado é intenso e obviamente preferencias por afinidade ocorrem. Se o médico era da atlética, naturalmente irá prefirir os alunos que fazem atlética também. Não vejo nada de errado disso. Agora o que acontece muito é o aluninho não sair da cadeira dele, não mostrar interesse e achar que o professor tem que pegar na mão para mostrar tudo! E esses são os que reclamam! Concordo que os excessos tem que ser inibidos, mas tem que ser provado e não proferido ao léu!
    Não me senti ofendido por você ter opinião divergente. Senti-me injustiçado por você dizer coisas que não tem o conhecimento. É diferente. E seu texto é claramente ofensivo. Apenas escrevi sobre o que vivi diariamente.

  11. Não respondi sobre o Felipe, justamente por você descobrir que é o Adriano Diogo, e o que tem por detrás de todo esse escarcéu! Não precisa de explicações, como não precisa dizer que o Felipe Sacalisa é marionete desse ser humano. E respondo aqui: de todos os casos de estupro que se falam, tem o seguinte da atlética: dois de um mesmo aluno isolado que era diretor da atlética (nada institucional). Um de um funcionário da faculdade que nada tem a ver com alunos/ atlética. Um de uma menina bêbada arrependida (estava ficando com o cara, bebeu, o cara chamou para o canto e acordou com duas mordidas na barriga e com o cara do lado e não lembrava de nada que tinha acontecido) e o outro de outra menina que estava doidona ficando com dois caras ao mesmo tempo e não quis mais – não houve sequer ato sexual- a menina está processando os dois e os dois estão processando a menina. Concordo com o diálogo, que tem que ser feito. Mas não desse modo midiático para deputado desempregado e o seu papagaio aparecerem.

  12. Explicaçoes: nos temos visoes de mundo muito diferentes. Para deixar claro meu eventual “conflito de interesses” eu sou educador fisico, trabalho com preparaçao fisica de uma equipe de futebol, e faço “bico” como treinador de equipes amadoras. Ja treinei equipes universitarias, fui a muitas “economiadas” e “interusps”, mas este mercado deixou de me interessar. E tenho uma filha universitária. Espero que isso lhe ajude a entender meus pontos de vista.

    Nao acho os clubes de futebol comparáveis as atléticas universitárias brasileiras. Por pior que seja nosso modelo esportivo, os clubes de futebol sustentam o nosso esporte e mantiveram durante o século passado uma formula vitoriosa no esporte mais competitivo que existe. A função social de girar a economia esportiva profissional assim como sustentar o nosso pobre esporte olímpico, que em grande parte vive de esmola de clube carioca é muito mais ampla do que das atléticas universitárias. Achei absurda sua comparação: os dois se equivalem apenas no atraso do modelo administrativo, em nada mais. Espero que você enxergue isso.

    Se o local é tombado, nao ha dinheiro e é tocado por estudantes de terceiro ano (portanto inexperientes), nao ha como melhorar. Esse modelo de gestão precisa mudar, nada do que você disse me convenceu do contrario. Além disso, eu discordo de você e mantenho meu ponto de vista inicial: a gestão nunca foi boa porque os gerentes sao muito jovens, e nao sao profissionais. Você nutre carinho pelo local e seus membros pois faz parte dos seus “anos dourados”, mas antes mesmo de você estudar la, no inicio dos anos 90 quando frequentei para ajudar um colega com treinos, eu teria dito exatamente a mesma coisa. Alunos universitários nao podem administrar um clube esportivo: ponto final.

    Concordamos no seguinte: melhor que continue assim do que se tornar prédios adicionais para o hospital, ou mais prédios residenciais, ou pior, um estacionamento. O que eu gostaria de ver na nossa cidade sao espaços esportivos arborizados, por isso eu usei o termo parque. Mas que fique claro: um parque voltado a pratica do esporte.

    Me surpreende um pouco que a mensalidade seja tao baixa dada a renda da profissão envolvida. Médicos sao bem remunerados (e deveriam ser melhor ainda remunerados no setor publico), e os alunos pagaram cursinhos ou escolas particulares muito caras antes de ingressarem. Porque entao os irrisórios 120 reais mensais?

    Outra questão: você nao tem como provar que nao existe o ostracismo e a cultura do bullying que eu acusei inicialmente por parte dos membros da atlética: vai ficar palavra contra palavra. O comportamento desta e de outras atléticas é de exclusão dos “nao cools”, e criação de grupos de beneficio mutuo em cima de uma concessão municipal: vou criticar isso até meu ultimo suspiro. Cria-se um zoológico universitário similar a filmes ginasiais americanos. Você também nao explicou se as pastas sao eventos isolados ou se sao comuns na linguagem cotidiana dos membros. O mesmo vale para os infames cafofos que os diretores das modalidades responsáveis tem completo conhecimento. Eu espero sinceramente que você possa deixar um pouco de lado o seu saudosismo para refletir sobre o assunto. E nao: as pessoas nao questionam por ignorância apenas (me lembrei do Michael Jackson alegando que todos eram ignorantes ao questiona-lo), mas porque ha questões a serem debatidas. Pastas, cafofos, drogas, festas bombasticas nao tem lugar em um clube esportivo no meio de um complexo hospitalar. Se você acha que tem, legal: votariamos diferente se fosse pauta de eleição.

    Quando eu disse que ha nesta atlética em particular venda e consumo de drogas, você rebateu alegando que ha revistas na entrada. Nos jamais nos conheceremos, a nao ser que eu me torne seu paciente, mas eu sugiro que você verifique isso com mais detalhe. A existência de revistas na entrada nao impede o ingresso de narcóticos no local, para que os nossos filhos consumam com plena imunidade. Mas para nao isolar a atlética pela qual você nutre tanto carinho, podemos encontrar o mesmo comportamento nos centrinhos de qualquer ciência humana na USP: a diferença é que nos garantimos aos nossos filhos tratamento muito diferente daquele que os familiares dos meus atletas recebem nas periferias.

    Nenhum desses comportamentos é justificável em uma concessão municipal que deveria ser um espaço esportivo.

    Sobre nossos comportamentos no minimo questionáveis, lhe garanto que sofri para sobreviver em uma área profissional suja e corrupta. Nao se respira no mercado esportivo nacional sem conhecer alguém ou ter as amizades corretas: o atleta, claro, se tiver talento se destaca, mas mesmo eles precisam de bons agentes. Boa parte do nosso baixo rendimento, incompetência e incapacidade vem da forma como aceitamos esse comportamento. Ver um homem como você, que recebeu a melhor educação do pais, defender o que para mim simboliza nosso atraso, é muito triste. Muito do que você disse é sim “natural”, mas precisamos ser maiores do que nossas “naturalidades” se quisermos nos superar e progredir. A sociedade muda, e as tradiçoes caem por terra: discordar de alguém que defende tradiçoes âncoras como essas, que nos afunda, para mim é bom sinal.

    Enfim, desisto deste assunto pois meu ponto principal se mantém imutável mesmo com suas explicações: o clube nao deve ser administrado por alunos. Ponto final.

  13. Você nao explicou a diferença entre as canções dos amigos do Felipe que você criticou e as canções dos membros da atlética que empregam vocabulário semelhante.

    Me parecem igualmente ofensivas, apropriadas para arquibancadas, nao para a USP.

Enviar um comentário

Contribua com a Ponte

Clique para doar

feito por F E R A