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Realidades das periferias são contadas em poesias na final do Slam Resistência em SP

14/12/16 por Kaique Dalapola

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Poetas marginais recitaram, na segunda-feira (12/12), sobre suas lutas e o empoderamentos na final do Slam Resistência, no centro paulistano

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Mayara Vaz, uma das vencedoras do Slam Resistência de 2016

Desigualdade social, racismo, violência policial, homofobia, intolerância às religiões de matriz africana, machismo, pedofilia. Esses e tantos outros foram os temas de poesias na final do Slam Resistência de 2016, que aconteceu na noite da última segunda-feira (12/12), na praça Roosevelt, região central de São Paulo.

Para a final estavam classificados os 12 poetas e poetisas vencedores dos duelos que aconteceram na primeira segunda-feira de cada mês.

As regras da competição são simples: três minutos para cada artista recitar sua poesia marginal, de autoria própria, sem auxílio de instrumentos musicais ou qualquer artifício que possa ajudar na performance. É só com o poder da palavra rimada. Cinco jurados avaliam com nota de zero a dez, sendo que a maior e a menor são descartaras.

Segundo Del Chaves, poeta criador e organizador do Slam Resistência, este evento acontece na região central para dar a oportunidade dos moradores de várias periferias participarem. Além disso, o poeta ressalta que slam “vai muito além de uma batalha de poesias, é um ativismo cultural através da palavra“.

Depois de uma hora de apresentação de poetas e poetisas que foram assistir ao último Slam Resistência do ano, quatro poetas e quatro poetisas começam a primeira fase da final. Cinco classificaram para a segunda fase e, finalmente, Lucas Kóka, Lucas Afonso, Mariana Felix e Mayara Vaz chegaram à decisão.

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Lucas Kóka, estudante secundarias, foi um dos finalistas no Slam Resistência

Três minutos para cada um tentar a última vaga no Slam BR – Campeonato Brasileiro de Poesia Falada. Em doze minutos as poesias contaram sobre cotas em universidades, falta de espaço na mídia para as lutas das quebradas e a caminhada das feministas contra a naturalização estupro.

“Aqui cada um transmite a sua essência, fala da sua etnia, da sua luta, empoderamento, fala das causas políticas. Aqui a gente bota para fora o que não nos agrada e também ressaltamos nosso orgulho pelo que somos”, disse Robsoul Mensageiro, poeta e organizador do Slam.

Feministas empoderadas, Mariana e Mayara foram impecáveis na última rodada da final: cinco notas dez para cada. Kóka e Afonso perderam um décimo cada.

As duas foram consagradas campeãs do Slam da Resistência de 2016 pois, como Mariana já tinha a vaga no Slam BR garantida, Mayara ficou com a última vaga.

A campeã e última classificada para o Slam BR, Mayara, que tem 26 anos, conheceu o movimento de slans há um ano, graças a um amigo MC que participava de batalhas de rap.

“Através dos slans a gente consegue levar mensagens muito duras que a gente não acha na mídia podre, corrupta, que atinge a maior parte das pessoas”, disse a poeta.

O Slam BR começa às 19h do dia 15 e vai até 18 de dezembro, no Instituto Itaú Cultural, na avenida Paulista. Serão 29 poetas e poetisas disputando a vaga brasileira na Copa do Mundo de Slam, que acontece na França.

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