Segurança da CPTM pratica ataque homofóbico contra artista de rua

09/05/20 por Caê Vasconcelos e Paulo Eduardo Dias

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MC Gimenez conta que recebeu rasteira e tapa na cabeça na linha Esmeralda, no Morumbi, zona sul de São Paulo; companhia repudiou atitude do funcionário

Gimenez é artista de rua nos trens de SP | Foto: arquivo pessoal

Apesar do medo de se contaminar com o novo coronavírus, a poeta e MC Gimenez, 21 anos, não aderiu ao isolamento social, já que o auxílio mensal de R$ 600, segundo ela, não é suficiente para pagar todas as contas, e por isso segue fazendo rimas nos vagões de trens de São Paulo.

A artista foi interrompida de maneira violenta na manhã desta quinta-feira (7/5), quando, segundo ela, recebeu agressões físicas e comentários homofóbicos de um segurança da linha 9 – Esmeralda da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), na zona sul da cidade de São Paulo.

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Em entrevista à Ponte, a artista contou que havia parado de cantar um pouco antes de chegar na estação Morumbi e, ao descer do vagão, foi em direção a um dos bancos da plataforma para se sentar. “Foi quando dois seguranças desconfiaram que eu era artista de rua e vieram me abordar”, conta.

Um dos seguranças, que a jovem não conseguiu identificou, tentou pegar o copo onde ela guardava o dinheiro que conseguiu fazendo as rimas. O outro, identificado como Albuquerque, começou com as ofensas. “Ele me chamou de mendiga, ficou o tempo todo me oprimindo, não me deixava falar”.

Gimenez subiu as escadas rolantes da estação, em direção à catraca, quando foi agredida pelo segurança Albuquerque. “Ele ficou fazendo comentários homofóbicos, falando que era muito marrenta, que eu me achava um homem”, conta. “Quando eu comecei a gravar, ele me mandou parar e me deu um tapa na cabeça. Eu tava descendo a escada, para ir para a catraca, e ele me deu uma rasteira.”

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A artista conta que saiu da estação e entrou novamente, pagando novamente a passagem, mas as ofensas do segurança continuaram. “Ele não queria me deixar entrar novamente na estação, então eu pedi para um passageiro me acompanhar até a plataforma para esse segurança não me agredir”.

A artista usou o seu Instagram para denunciar a violência. No post, a jovem escreveu: “Eu pergunto, será que o senhor Albuquerque vai na casa da minha mãe levar uma cesta básica pra ela já que ele não me deixa trabalhar!?”.

O que diz a CPTM

Em nota enviada pelo Twitter, a CPTM repudiou a atitude do agente. “Ainda que a mulher que grava o vídeo tenha um histórico de desrespeito às normas da CPTM, nenhum tipo de excesso é aceito em nossa Companhia. O agente envolvido na ocorrência sofrerá as medidas administrativas cabíveis”, afirma a nota.

“Vivemos em um momento delicado de pandemia e todos os nossos colaboradores, que arriscam a si e a suas famílias todos os dias para garantir o transporte de quem está em função essencial, vivem momentos de tensão e pressão. Mas reforçamos a diretriz de que nenhum excesso será aceito”, conclui a CPTM.

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