Skatista afirma que foi xingado e agredido por PM que o deteve por desacato em SP

Jovem andava de skate na Praça Roosevelt (SP), quando teria sido xingado e agredido por PM que queria abrir passagem para viatura; tropa tem base no meio da praça

Jhony Alex Nascimento, 21 anos, andava de skate na Praça Roosevelt, centro de São Paulo, na noite do dia 14 de agosto. Com fones de ouvido, não percebeu uma viatura da PM chegar e pedir passagem rumo à base no local. Ele não sabia que passaria 3 horas daquela noite na delegacia, acusado de desacatar o policial

O vendedor conta que não ouviu o pedido de passagem por estar ouvindo música o que fez o PM xingá-lo. “Quando virei, o carro estava bem em cima, fiz sinal de mão pedindo desculpa. O PM foi muito ignorante. Disse que não era rua, era uma praça, e ele me mandou tomar no cu, me chamou de filho da puta”, conta o skatista amador, à Ponte.

Segundo ele, a viatura fez a volta e o policial o abordou. “O PM desceu do carro perguntando se eu ‘tava tirando ele’, me chamando de pau no cu e pedindo meu RG. Falei que tava na bolsa e, depois que parei perguntando porque ele estava falando daquele jeito, ele me deu um tapa na cabeça”, continua.

Vídeos obtidos pela Ponte flagraram o momento em que Jhony e o PM discutem sobre a ida ou não para a delegacia. “Aqui funciona assim, está reclamando da polícia, vamos para a delegacia”, disse o policial, se referindo a agressão. “Você não disse que te agredi? Vamos para a delegacia então”, completa.

Questionado pelas pessoas que estavam na praça, entre elas amiga do skatista, o PM sustenta levar o rapaz à uma delegacia por desacato à autoridade. “Você me xingou, está me chamando de cara, eu sou policial. Nós vamos para a delegacia”, diz o PM. “Eu falei para ele sair da via e ele falou assim: ‘Essa porra é uma praça’. Você está preso por desacato”, continua, no vídeo.

O vendedor passou três horas detido e assinou um termo circunstanciado. “No escrito, o policial fala que eu estava andando de skate e ele pediu educadamente para eu sair da frente e que eu o chamei de verme”, relata Jhony, dizendo que fará reclamação formal contra o policial.

“Vamos seguir em frente. Não dá para continuar isso, não é a primeira vez. É a quarta ou quinta que isso acontece com amigos, seja com PM ou GCM (Guarda Civil Metropolitano). Amanhã pode ser com meu primo, seu irmão.. Não ter o que fazer, eles são a lei. Se não fizermos nada, não vai para frente”, continua.

Questionada pela reportagem, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) de São Paulo, através de sua assessoria de imprensa terceirizada, a InPress, explicou em nota enviada às 17h28 de sábado (25/8) que a “Polícia Militar não compactua com desvios de conduta de seus integrantes”. “O comando responsável irá analisar o procedimento dos policiais envolvidos para verificar quaisquer possíveis irregularidades”, garante a pasta.

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